sexta-feira, setembro 12, 2003

Stigler: a saga do bom humor

Sempre gostei de Stigler. Mas nunca havia lido esta engraçada passagem de sua autobiografia na página do Prêmio Nobel:

Throughout the last 40 years, I have maintained a continued interest in the history of economics (as an aside, I am a diligent book collector; my oldest son is equally active in the history of statistics, and my oldest grandson has an immense collection of comic books - leading some friends to suggest a new gene!). That subject has lost its one time appeal to economists as our science has become more abstract, but my interest has even grown more intense as the questions raised by the sociology of science became more prominent.

Genial, heim? :-)

quinta-feira, setembro 11, 2003

Quer mesmo aprender Finanças?

Há diversas formas de se aprender Economia. Há a Estatística, a Econometria, a Teoria Econômica e há a tal Finanças. Agora, se você quer aprender mesmo a teoria de Finanças, tem de enfiar a cabeça na Matemática.

Para estes mais fominhas, o melhor é fazer o mestrado no Impa.

Agora, se isso ainda for pouco, tente o doutorado. Quem foi que disse que era fácil? :-)

terça-feira, setembro 09, 2003

Teorema de Coase - Primórdios

Veja que legal esta citação, retirada do excelente livro de HPE do Ekelund & Hébert...

"If command of a certain amount of A's goods were transferred to B and if command of a certain amount of B's goods were transferred to A, the needs of both economizing individuals could be better satisfied than would bethe case in the absence of this reciprocal transfer". [Carl Menger (1840-1921)]

Não é o próprio Ronald Coase falando? Faltou, claro, falar de trocas voluntárias, etc, mas a semente da idéia já estava lá.....

Amazing!
Construindo instituições...para o bem ou para o mal

Olha, leitor(a), taí um link que vale a pena. Se você realmente quer criticar (ou concordar) com o processo de reconstrução do Iraque, tem de usar o espírito científico e ler mais demoradamente artigos mais sérios sobre o assunto. Um que já vou ler, com certeza, é o pdf cujo resumo é este:

On July 7th, Ambassador Paul Bremer announced to the Iraqi people and the world a national budget for Iraq for the remainder of 2003. The adoption and publication of a budget is an important step for a country where budgets have traditionally been closely guarded state secrets and it was a crime to report on them. This brief summarizes the main points of Iraq’s 2003 budget, and provides recommendations on how to make the budgetary process more transparent and participatory.

segunda-feira, setembro 08, 2003

O Homo Economicus pra valer

O Shikida me mandou um paper que faz uma pergunta recorrente: "Os economistas são diferentes? Se sim, por quê?" Existe um farta bibliografia empírica, algumas vezes com evidências não conclusivas, que mostra que economistas são mais egoístas do que o restante da população. Será que nós já somos diferentes e por isso fazemos escolhemos cursar economia, ou será que o curso é que nos faz diferentes.

(A propósito, dentre os economistas, não vejo qualquer relação entre formação neoclássica e egoísmo. Os caras mais generosos que eu conheço são ortodoxos e têm um monte de heterodoxos filhos-da-senhorita-que-vende-serviços-sexuais-por-preços-módicos.)
Policy Market Analysis

Finalmente, um apanhado geral sobre o mercado futuro de ataques terroristas, prematuramente abortado nos EUA.

Press Coverage of Robin Hanson and the Policy Analysis Market

domingo, setembro 07, 2003

Rent-seeking society?

Respeito ao cargo público: "Faltou questionar este foco no debate sobre loteamento de cargos públicos no governo do PT. É natural que o governante vitorioso na eleição leve sua equipe, ministros e assessores próximos, pessoas de confiança e afinadas com seu programa. É também compreensível que divida o governo com outros partidos aliados - os que o ajudaram a eleger-se e os que aderiram depois.
Isto é próprio do sistema democrático. Mas o governante brasileiro extrapola, não se limita a preencher cargos de confiança, vai além. Ocupa o segundo, terceiro, quarto escalões com amigos e apadrinhados, prejudicando a qualidade da gestão pública. É como aquele ministro que, ao reunir-se com o antecessor para discutir a transição, interrompe o interlocutor que explicava as pendências: 'Tudo bem, mas vamos ao que interessa: quantos DAS (Direção de Assessoramento Superior - cargos em comissão que dispensam concurso público) terei para indicar?'
Embora a administração direta e empresas estatais possuam quadros de excelente qualidade, são raros os funcionários que chegam ao topo da carreira, porque os sucessivos governos negam a eles esse direito, que teriam na iniciativa privada. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez seus ministros Pedro Malan, Pedro Parente e Martus Tavares, três funcionários públicos de carreira. Escolheu os melhores e mais experientes entre os quadros da Petrobrás e BNDES e promoveu-os a diretores. Valorizou o funcionalismo. Foi buscar no setor privado executivos competentes, como Henri Philippe Reichstul, que revolucionou a Petrobrás. Mas também nomeou com critérios políticos e premiou derrotados em eleições, como o deputado Luiz Carlos Santos (PFL-SP), cuja gestão na presidência de Furnas levou a empresa ao atraso, ao "
Esclarecimentos sobre o provão....again


Jornal O Globo - Colunista de O País: "Entrevista: Cristovam Buarque

(59 anos, ministro da Educação)



O sistema de classificação das faculdades a partir dos resultados do Provão vai acabar?

O MEC recebeu um projeto, encomendado a uma comissão de especialistas. Ele será discutido com professores, alunos e com quem quiser entrar no debate. Pessoalmente, sou favorável à existência de uma classificação das faculdades, feita pelo MEC. Não seria um ranking semelhante ao dos lutadores de box. Seria uma coisa mais complexa, com diversas classificações. Devemos avaliar os professores, as instalações e até as relações da faculdade com a comunidade. Há diferenças que devem ser levadas em conta. Uma faculdade instalada em Maragogipe, a terra do meu avô, em Alagoas, pode não estar fazendo pesquisas. Ela não deve ser avaliada da mesma forma como se avalia outra, que também não faz pesquisa, mas está num centro urbano com mais de cinco milhões de habitantes. Em cidade pequena, uma faculdade muda a qualidade da vida, muda até a conversa do boteco. A avaliação dos alunos continuará a ser feita. Hoje a idéia é de se fazer dois exames por curso (um na metade e outro no final) para alunos escolhidos aleatoriamente numa amostra. Não podemos dar estrelinhas para faculdades como se elas fossem restaurantes, mas podemos classificar os diversos aspectos que avaliamos. O importante nesse processo todo é fazer o trabalho de avaliação, divulgá-lo e agir sobre os resultados. Tanto para ressaltar o que vai bem, como para tentar consertar o que vai mal e, nos casos perdidos, fechar o que não tem jeito. Avaliar por avaliar não serve para nada.

O vestibular pode acabar?

Se dependesse de mim, já tinha acabado. Quando fui reitor da Universidade de Brasília, instituí um sistema de provas regulares durante o curso médio. Essas notas permitem o acesso do estudante à faculdade. Hoje esse sistema funciona em pelo menos sete universidades. Eu gostaria muito que em vez de sete fossem 77, gostaria também que as comunidades pressionassem as escolas pela sua adoção. As universidades são autônomas. Se uma delas não quer esse sistema, o ministro da Educação não pode fazer nada.

O Enem acaba?

De jeito algum. Nossa idéia é mudá-lo. Hoje temos uma prova ao fim do curso. É como um exame para se saber se o fumante tem um tumor no pulmão. Se tem, pouco se pode fazer. A idéia é se fazer uma prova a cada ano. Assim o aluno pode avaliar melhor o seu desempenho e a qualidade do ensino que lhe dão. Ele recebe um sinal no primeiro ano, outro no segundo e o último no terceiro. Se as universidades quiserem, essas notas podem ser um fator para determinar o acesso do estudante. Não pretendemos servir prato feito. Vamos discutir tudo com professores, alunos e quem quiser discutir. Mais: se até o fim do ano não tivermos chegado a uma conclusão, não terei o menor constrangimento: em 2004 continuará tudo igual. "