sexta-feira, janeiro 16, 2004

A Lei

O pessoal do site www.edge.org perguntou para os cientistas de primeira linha qual é a Lei que eles acreditam, isto é, qual a Verdade Universal . Nas respostas, se encontra de tudo. Desde os que tentaram responder a sério ("O Universo não contém leis contraditórias") até os debochados ("Conforme uma discussão on-line progride, a probabilidade de comparação com Hitler ou os Nazistas se aproxima de 1").

A minha pergunta é: e na Economia? Quais são as Leis? Contribuições nos comentários no blog, por favor..

Aí vão minhas Leis (originais, eu acho):

1 Lei- "Os economistas só aceitam uma teoria quando descobrem que Adam Smith já havia dito isso."

2 Lei- "Econometria fica mais difícil com o tempo; Microeconomia, mais interessante"

3 Lei- "História Econômica é Economia."

4 Lei - "Os preços relativos são diferentes no espaço e no tempo. Isso ajuda no problema de alocação de recursos, mas esculhamba tudo na pesquisa econômica."

5 Lei - "Cross-section stinks."

quinta-feira, janeiro 15, 2004

Chantagem internacional

Um colunista da Wired propôs que os países subdesenvolvidos tomem os direitos autorais dos EUA como reféns. Eles seriam progressivamente devolvidos conforme o protecionismo da agricultura norte-americana fosse retirado. Seria uma coisa do tipo: uma lei, semelhante à norte-americana de 1790, que protegeria os direitos de cada país e rejeitaria o copyright dos EUA. Contudo, ela conteria uma cláusula definido uma tabela de recuperação desses direitos. Abriu 10%, devolvemos 10% (isto é, reconheceríamos os direitos por um tempo maior).
Ok, isso nunca vai ser praticado. Mas alguém tem alguma objeção econômica? Outra: alguém conhece propostas semelhantes em journals acadêmicos?
Respostas no blog, por favor.
Lula e o eleitor mediano

Durante anos tive de ouvir os rugidos de alguns (pseudo)cientistas políticos contra o modelo do eleitor mediano.

É pura aplicação da teoria neoclássica, diziam.

Boa parte deles (senão todos) votaram e elegeram o presidente atual.

E, ironicamente, como mostra Arthur Dapieve, o presidente busca agradar ao eleitor mediano em assuntos mais polêmicos. No Brasil, ao que parece, ser ou não amigo de terroristas da FARC não é um problema. O eleitor brasileiro já mostrou, em diversas pesquisas de opinião, que trocaria a democracia pela ditadura num piscar de olhos (o que me é assustador, mas, esqueça isto...o carnaval está chegando...). Mas, quando o assunto é futebol...

E isto me faz lembrar: agradar o eleitor mediano tem um custo. Mas, agradar o eleitor radical (o que gosta da FARC), também tem um custo: o da surrada ética na política. Se um novo mundo é possível, provavelmente ele não é muito diferente do que temos hoje.

Viva o eleitor mediano! E viva o Vasco!

quarta-feira, janeiro 14, 2004

Desarmamento: a verdadeira forma de incentivar o fim da violência?

"Penas mais severas, embora necessárias, não são suficientes para reduzir a criminalidade. O que impede as pessoas de descumprirem a lei é a expectativa de punição". [Notas, encarte da revista Banco de Idéias, do Instituto Liberal]

Este encarte, particularmente este, está muito interessante. E, claro, um bom momento: No caso específico de armas de fogo não há, no caso brasileiro, estudos científicos que comprovem que as novas restrições impostas pelo novo estatuto produzirão mais benefícios que custos.

E você paga impostos para, dentre outros, ter políticas públicas fundamentadas, certo?
Jevons, El Niño e o Terceiro Mundo

Ser determinista climático está? fora de moda desde quando, no final do século XIX, Jevons defendeu a teoria de que as manchas solares eram as responsáveis pelos ciclos econômicos. Lendo Late Victorian Holocausts, de Mike Davis, aprendi algumas coisas interessantes:
- Jevons não estavam sozinho. As evidências eram boas, outros também tinham percebido a mesma relação e a discussão era quente. Até no Diário Oficial brasileiro o debate respingou, devido a preocupação com a seca do Nordeste.
- As grandes secas (1876-79 e 1896-1900) da India , China e Brasil mataram entre 30 e 60 milhões de pessoas. Durante esses períodos, nos dois primeiros países, canibalismo era coisa freqüente e carne humana chegou a ser vendida em mercados públicos na China.
- O argumento do autor é que essas secas, junto com as políticas colonialistas ou equivocadas, colocaram as regiões atingidas em uma armadilha de pobreza.
- Essas secas estavam conectadas. O responsável é o El Niño. Juntando tudo, fica claro o subtítulo do livro: El Niño Famines and teh Making of the Third World.

A escrita do livro é meio enfadonha (ele passa umas 200 páginas retratando a miséria que o El Niño causou. Estômagos fracos devem pular esse trecho) e ele pressupõe um leitor que conhece os meandros do colonialismo inglês, mas vale a pena. Ainda não acabei de ler, mas já recomendo. Se você for esperto compre aqui, se for mané (como eu ), aqui.
Complementando o post do Ari...

O paper parece não estar online, mas eu já tive uma cópia do mesmo algum dia. E é ótimo de se ler. Principalmente se você acha que conhece a restrição orçamentária não-linear...

Published or Forthcoming Papers of Alexander Tabarrok: "An Economic Theory of Avant-Garde and Popular Art, or High and Low Culture
(may be minor differences with published version)

ABSTRACT: Artists face choices between the pecuniary benefits of selling to the market and the non-pecuniary benefits of creating to please their own tastes. We examine how changes in wages, lump sum income, and capital-labor ratios affect the artist's pursuit of self-satisfaction versus market sales. Using our model of labor supply as a guide, we consider the economic forces behind the high/low culture split, why some artistic media offer greater scope for the avant-garde than others, why so many artists dislike the market, and how economic growth and taxation affect the quantity and form of different kinds of art.

Cowen, Tyler and Alexander Tabarrok. 2000. An Economic Theory of Avant-Garde and Popular Art, or High and Low Culture. Southern Economic Journal 67(2): 232-253.
"

terça-feira, janeiro 13, 2004

Para os economistas imperialistas como eu!!!

Alguém quer trabalhar com algo diferente? Quem sabe economia das artes/cultura? Quem sabe sobre o ciclo de vida da produçaõ artística de pintores ou escritores? Prof. David Galenson de Chicago faz exatamente isso.

Interessados? Aí vai uma lista dos seus papers.
Futebol e globalização

Eu nunca pensei que veria o nome do Eurico Miranda na prestigiosa Foreign Policy. Esta aqui. Claro que o comentário não é nada positivo. Ele é retratado como o arquétipo populista-corrupto latinoamericano. Tão responsável pela crise do futebol brasileiro, como os seus semelhantes na política.
O texto é muito bom. Ele argumenta que o futebol é um bom jeito de entender a potência e as resistências à globalização. (Só tenho uma crítica: para preservar o argumento ele exagera a crise do futebol brasileiro. Mas posso estar enganado. Afinal, eu sou leigo no ludopédio).

segunda-feira, janeiro 12, 2004

Receba Economia Everywhere por e-mail!

Veja o link fixo ao lado para saber como fazer.
Rápida observação sobre o prof. Og Leme

Em 1999, num dos colóquios do Liberty Fund, conheci um simpático velhinho: Og Leme. Pedirei licença aos que o conheceram para tratá-lo sem o "dr".

É verdade. Eu o encontrei apenas uma vez. Estava com meu ex-orientador e amigo Ronald, Zanella, Giacomo e toda aquela patota liberal que - graças a Deus - habita Porto Alegre.

Pouca gente sabe, mas Og Leme foi um dos primeiros economistas a estudar em Chicago. Amigo de Harberger, o mesmo do "triângulo de Haberger", Og Leme estava lá, com sua esposa, sentado na mesa do restaurante. E começou a conversar comigo e com Ronald. Não me lembro do tema inicial da conversa, mas lembro-me de ter passeado por fatos da História Brasileira, pela teoria econômica e, claro, pelo bom humor do prof. Og Leme.

Aliás, assim quero me lembrar dele. Dois momentos geniais:

i) Eu e Ronald ameaçávamos jogar a secretária do IL-RS, Inês, na piscina. Og sai do elevador e Inês lhe fala pedindo socorro:

"- Professor Og, eles querem me jogar na piscina!"

Olhamos, eu e Ronald, para ele, e, acho que foi assim, ele olhou e disse algo como:

"- Boa idéia".

ii) Sentados à mesa com a genial conversa de Og Leme, o bom velhinho nos conta a anedota:

"- Estava no avião, sentado, quando um senhor velhinho (sic) descobriu que tinha o mesmo bilhete (número do assento). Olhou para mim e perguntou o que faria. Sabem o que respondi?"

Eu e Ronald perguntamos:

"- O que o senhor fez?"

Ele (impecável):

"- Virei-me para o velhinho e disse: c.o.l.i.n.h.o.. E ambos rimos à beça.

Caro prof. Og Leme, naqueles dias do colóquio o senhor foi muito bacana e nossa conversa foi tão boa que eu, agora, estou triste. Não poderei falar mais com o senhor. Pelo menos, sabe, que o senhor se orgulhe do que farei em minha carreira como economista. Ao pequeno contato se seguiu um desejo muito grande de ser como o senhor: inteligente e jovial, além de generoso com gente ignara como eu.

Longa Vida ao prof. Og, onde quer que esteja!
Og Leme

Acabo de ler uma péssima notícia: Og Leme morreu.

Ficam aqui, meus sentimentos à família deste brilhante economista. Se for possível, ainda faço uma rápida homenagem "intelectual" a ele aqui.

Enquanto isso, fique com esta bela homenagem do prof. Iório: Elegia a Og Leme. Um belo trecho: Quantos alunos meus, do Ibmec e da Uerj, o Dr. Og recebeu em seu escritório na rua Prof. Alfredo Gomes, em Botafogo? Sinceramente, perdi a conta. A todos, bons conselhos e incentivos. De todos – e cada um deles, ao retornar, fazia questão de me dizer isso pessoalmente -, respeito, admiração e até algum espanto, pelo fato inusitado em nosso país, onde as vaidades costumam andar à flor da pele, de um senhor já idoso mostrar-se, quando se tratava de incentivar alunos interessados a aprofundar conhecimentos, tão bem disposto e transmitindo jovialidade e vigor impressionantes, embora com a saúde já um tanto abalada pelo peso inexorável dos anos.
Transformer-Origami

Não é à toa que os "transformers" surgiram no Japão, terra dos origamis.

E isso não é uma boa idéia quando você deseja explorar Marte?

O mais interessante é que os robôs sempre simulam movimentos humanos. Isto me faz pensar na racionalidade humana (limitada ou não, enfim, a que faz o leitor não gastar todo seu salário ao longo do mês, como um louco) e em sua compreensão pela Econômica (ou pelos neuroeconomistas...).

Como diria o bom e velho sr. Spock: fascinante.
Coordenação

Um artigo simples, interessante, mas bem específico sobre um bom tema: coordenação e equilíbrio.

Nomes? Hayek, Kirzner e Klein.

Revised Coordination.pdf (application/pdf Object)
Será que Einstein realmente estava certo?

Segundo um físico português (ele pode estar errado, mas vamos tentar levá-lo à sério, hehe!) do Imperial College, em Londres, não!!! Para ele, a luz pode ter sido muito mais rápida no passado (e, portanto, a velocidade da luz no vácuo não seria sempre constante).

Além disso, ele tem opiniões/críticas interessantes sobre o processo a divulgação científica no meio acadêmico, principalmente do chamado "peer review", a revisão dos estudos pelos pares antes da publicação.

O que acham? Quem se interessar está disponível aqui uma entrevista com o Dr. João Magueijo.

Além disso aí vai a página pessoal do GAJO.
Bem público

Quando a informação engana o consumidor, diz o leigo, o governo deve intervir na economia. Certo?

Segundo o governo cubano, esta observação está correta. Infelizmente.

Wired News: Cuba Tightens Grip on Net Access