sábado, abril 05, 2003

O problema do carona

De Milton Friedman:

Minha visão a respeito de gastos públicos pode ser resumida assim:

Se você gasta seu próprio dinheiro em você mesmo, você estará muito preocupado com o total de seus gastos e a maneira como é utilizado. Se você gasta seu dinheiro em outrem, você ainda estará muito preocupado com o montante dos gastos, mas menos preocupado com a maneira como é usado. Se você usa dinheiro alheio em seu próprio benefício, você não estará tão preocupado com a quantia gasta, mas estará preocupado com a forma de gastá-lo. Mas se você gasta dinheiro alheio em outras pessoas, você não se preocupará muito com o total dos gastos e nem com a maneira de gastá-lo. [Fonte: The Cato Journal,vol. 22, nº 2]

sexta-feira, abril 04, 2003

Temas, temas, temas...como sou te(i)moso...

Quem gosta de economia novo-institucionalista levanta a mão direita (não sou de esquerda...:-)). O que? Eu, o Leo, o Ronald, o André, o Giacomo e o Burian?

Ah...desculpa, amigo(a), não vi você aí no fundo da sala. Bem, aproveitando que te acordei (é sempre assim, o cara do fundo da sala ou dorme ou não presta atenção no que a gente fala...), que tal este tema para você pensar: pode um país viver sem um governo central?

Eu não sei como uma economia funciona num experimento semi-anárquico como este, mas eis aqui dois textos sobre o assunto. O primeiro é este e o outro é este.

Ok, você pode até não querer estudar isso, mas eu aposto que você nunca tinha ouvido falar deste peculiar arranjo institucional, certo?
Pensamentos devanéticos...

Quem decora, nâo sai da escola

quinta-feira, abril 03, 2003

Aquecimento Global (II)

Ainda na seqüência, veja o leitor como é difícil fazer ciência. Métodos estatísticos são aperfeiçoados todos os dias por pesquisadores em diversos lugares do mundo.

Por outro lado, políticos embasam seus discursos com números que sempre os favorecem.

E de vez em quando tudo é sacudido como no caso em questão. Acaba de sair um estudo de diversos pesquisadores de Harvard e do Centro de Astrofísica do Smithsonian. A conclusão? Bem, lembra-se do post sobre meio ambiente e sobre o problema de se medir algum efetivo aquecimento global no longo prazo?

Pois é, continuamos com ele.
Matemática

Ok, economia não é só matemática. Mas o que você precisa saber de matemática não é pouco, certo? Certo.

Quer ter sucesso como economista? Então uma parte de seu tempo será com a matemática. Siga a sugestão de um gigante da Macroeconomia: Thomas Sargent.

E já que meu irmão quer falar de inteligência artificial (o outro Leo, nos comentários a um post de outro dia), aí vai um trecho de uma entrevista com Sargent, em 1989:

Region: What are you working on personally these days?

Sargent: A couple of things. I'm working on artificial intelligence, taking some models of macroeconomics and instead of saying that people are rational, we assume that they're artificially intelligent. I'm doing this with some colleagues, Ramon Marimon and Ellen McGrattan. What we've done is gone to the literature on artificial intelligence. We met a man named John Holland who is a distinguished computer scientist at the University of Michigan. He's developed models of the way people learn from the environment. So people start out not being rational, not understanding how the world works. They start out being very stupid. One of the hardest problems in artificial intelligence is to figure out how to make computers learn. People seem to learn much faster than computers can and much better. Holland has, from our point of view, discovered some of the most exciting algorithms for creating computer programs that will learn. Instead of assuming rationality, we endow our people with these little computer programs and then see what happens. And what's happened in a lot of situations is that they end up learning and being rational.

quarta-feira, abril 02, 2003

Biblioteca

Ok, o HACER é um think tank a favor da liberdade econômica. Mas, como diria Adam Smith, mesmo que você não concorde com as boas intenções do pessoal de lá, você pode desfrutar de alguns subprodutos deles.

Falo, claro, da biblioteca virtual deles. Se você não lê em inglês, bem, no longo prazo, como dizia Keynes, você vai estar morto (ou bem debilitado no mercado de trabalho). Mas isso não quer dizer que você não possa aprender algo bom em Economia lendo textos em castelhano.

Algumas sugestões do que está na página deles:

1. James Buchanan, Gary Becker e Douglass North - todos ganharam o Nobel de Economia e todos são leitura preferida do professor mais bacana que meus alunos conhecem (eu, né?).

2. Hernando DeSoto - o autor de "O Mistério do Capital" que, dentre outros, mostra como a teoria econômica ganha quando considera em seu arcabouço teórico as instituições (definição? Um dia destes eu coloco aqui, se o Leo ou os outros webmasters não fizerem isso antes...). DeSoto é um cara preocupado com a pobreza e muito sério. O seu O outro Sendero é um livro que eu não li, mas que o Leo Monastério (o único vivo aqui, além de mim...guys, where are you?) sempre cita.

terça-feira, abril 01, 2003

Economia e mundo real num pequeno artigo

Sem comentários. Autores excelentes e artigo sintético. Link? Este aqui.
Prêmio

Se você é aluno meu, do Leo, ou, enfim, é leitor deste blog, então não deixe passar a chance de ganhar uns dólares.

O concurso abaixo é promovido pelo The Independent Institute que tem, dentre outros membros, Robert Higgs, um autor importante quando se trata de estudos sobre o crescimento do governo na economia.

2003 OLIVE W. GARVEY FELLOWSHIP COMPETITION -- May 1st Deadline Approaches


The Independent Institute is accepting entries for the 2003 Olive W. Garvey Fellowship Competition until May 1, 2003.

This year the Garvey Fellowship Competition -- an international essay contest -- has two divisions -- college students (including undergraduate and graduate students, law students, medical students, etc.) and junior university and college faculty members (i.e., non-tenured teachers). Both tracks are open to entrants across the globe. To encourage and reward young scholars, entrants may not be over 35 years old.

This year entrants are required to write about the following
quotation from 19th century British advocate of trade and peace,

Richard Cobden:

"The progress of freedom depends more upon the maintenance of peace and the spread of commerce and the diffusion of education than upon the labor of Cabinets or Foreign Offices."

Students up to the age of 35

First Prize: $2,500

Second Prize: $1,500

Third prize: $1,000

Junior faculty members not yet tenured

First Prize: $10,000

Second Prize: $5,000

Third Prize: $1,500

For information about the 2003 Olive W. Garvey Fellowship
Competition, include a recommended bibliography, examples of past winning essays, and Spanish-language material, please see

http://www.independent.org/garvey.html

segunda-feira, março 31, 2003

Da série: desmistificando o professor aloprado

Muito professor aloprado ensina - incorretamente ao aluno - que a divisão entre ciência normativa e positiva, em Economia, é coisa de gente mal intencionada.

É exatamente o contrário. Quer ver um exemplo?

No tempo do stalinista Rakosi, os dirigentes húngaros decidiram cultiva[r] laranjas nas margens do Lago Balaton. Ele se congela todos os invernos, ainda que sua massa de água atenue o rigor do clima continental e dê uma aparência um pouco meridional às margens abrigadas dos ventos do Norte. Corajosamente, o agrônomo encarregado da empresa disse que ela era quimérica. Em vão. Intérprete do materialismo histórico, o qual exprime a verdade científica, o Partido não podia se enganar. Plantaram-se, pois, milhares de árvores, importadas às custas de raras divisas. Morreram. Em conseqüência, o agrônomo foi condenado por sabotagem. Não tinha demonstrado sua má vontade desde o início, criticando a decisão do bureau político?". [DUVERGER, M. (1980) "Os laranjais do lago Balaton", editora UnB, coleção pensamento político, n.48]

Precisa comentar?
Boato
A história que o Shikida repassou é muito boa. E falsa. Trata-se de mais um daqueles boatos da internet. O desmentido está aí embaixo:

http://www.timesonline.co.uk/article/0,,630-627115,00.html

Claro que vão haver aqueles que acham que tudo é verdade, existe uma conspiração, viajantes do tempo estão entre nós e que as grandes corporações os contrataram... blá, blá, blá.... Mas, ao menos por enquanto, a Física está salva e não existem viagem de volta no tempo. (A proposito, eu acredito que existem viajantes do passado entre nós. É só conversar com algumas pessoas, ler alguns jornais, que fica claro que uns caras ainda acham que estão nos anos 50 ou 60. :-).
Isso sim, saber usar o conjunto de informações e ter um comportamento forward looking!

Muitas vezes eu penso no que meu irmão faz quando não está trabalhando. Eu sei que ele navega pela internet. Agora, como ele acha estas notícias...

Como não sei a fonte, aí vai, integralmente...

'TIME-TRAVELER' BUSTED FOR INSIDER TRADING
Wednesday March 19, 2003


By CHAD KULTGEN

NEW YORK -- Federal investigators have arrested an enigmatic Wall Street wiz on insider-trading charges -- and incredibly, he claims to be a time-traveler from the year 2256!

Sources at the Security and Exchange Commission confirm that 44-year-old Andrew Carlssin offered the bizarre explanation for his uncanny success in the stock market after being led off in handcuffs on January 28.

"We don't believe this guy's story -- he's either a lunatic or a pathological liar," says an SEC insider.

"But the fact is, with an initial investment of only $800, in two weeks' time he had a portfolio valued at over $350 million. Every trade he made capitalized on unexpected business developments, which simply can't be pure luck.

"The only way he could pull it off is with illegal inside information. He's going to sit in a jail cell on Rikers Island until he agrees to give up his sources."

The past year of nose-diving stock prices has left most investors crying in their beer. So when Carlssin made a flurry of 126 high-risk trades and came out the winner every time, it raised the eyebrows of Wall Street
watchdogs.

"If a company's stock rose due to a merger or technological breakthrough that was supposed to be secret, Mr. Carlssin somehow knew about it in advance," says the SEC source close to the hush-hush, ongoing
investigation.

When investigators hauled Carlssin in for questioning, they got more than they bargained for: A mind-boggling four-hour confession.

Carlssin declared that he had traveled back in time from over 200 years in the future, when it is common knowledge that our era experienced one of the worst stock plunges in history. Yet anyone armed with knowledge of the
handful of stocks destined to go through the roof could make a fortune.

"It was just too tempting to resist," Carlssin allegedly said in his videotaped confession. "I had planned to make it look natural, you know, lose a little here and there so it doesn't look too perfect. But I just got caught in the moment."

In a bid for leniency, Carlssin has reportedly offered to divulge "historical facts" such as the whereabouts of Osama Bin Laden and a cure for AIDS.

All he wants is to be allowed to return to the future in his "time craft."

However, he refuses to reveal the location of the machine or discuss how it works, supposedly out of fear the technology could "fall into the wrong hands."

Officials are quite confident the "time-traveler's" claims are bogus. Yet the SEC source admits, "No one can find any record of any Andrew Carlssin existing anywhere before December 2002."

Weekly World News will continue to follow this story as it unfolds.

Keep watching for further developments
Devaneios que fazem a gente pensar

"Contou-me, certa feita, um psicanalista que uma analisada vivia atormentada por um monstro que implacavelmente a perseguia. Por ter o monstro mil disfarces, o medo não tinha como se concentrar num rosto. O psicanalista pediu-lhe, por isso, que deixasse de tentar identificar o semblante do mal e se limitasse, da próxima vez, a despistá-lo vagando a esmo por toda a paisagem que se apresentasse como caminho possível. Deveria fugir indefinidamente para ver até onde a perseguiria. Seguir à risca o conselho. Ao começar a ser seguida, andou por um bom tempo a passos firmes. Um grito ao longe a assustou. Começou a correr em desabalada carreira. Corria, corria e corria. (...) De repente, exausta, sobrou-lhe apenas adentrar por uma ruela escura. Lá, nos últimos trinados da respiração, viu-se contra a tosca parede da rua sem saída. Fim da linha. Encurralada, prestes a desfalecer, olhou nos olhos vazados do monstro e perguntou aterrorizada: "O que você vai fazer comigo?" "Não sei, respondeu-lhe atônito o monstro. Não tenho como saber. O sonho é seu". [Alberto Oliva, A Solidão da Cidadania, Editora Senac, São Paulo, 2000]

Alberto Oliva eu tive o prazer de conhecer num seminário, ou melhor, após um seminário no doutorado de Economia. Trata-se de um filósofo, não um economista. Mas, diferente de muitos filósofos que povoam os pesadelos de muita gente, Oliva é um filósofo de primeira.

O trecho acima ilustra bem a qualidade do livro - é logo no início - e me faz pensar sobre o problema da escolha individual em economia, um monstro, que aliás, está sempre nos meus sonhos...