sexta-feira, abril 02, 2004

Uma versão mórbida do Chacrinha
Quem se suicida mais ? O Homem ou a mulher ?


Recente pesquisa revela que o comportamento de homens e mulheres com relação ao suicídio é completamente diferente de acordo com cultura, religião, estado civil, se tem ou não filho, etc.

Uma observação muito importante : a maior parte das estatísticas sobre "shot himself" é essencialmente européia. Quando muda o espaço amostral, os resultados são completamente diferentes.

Este também é um bom texto para relembrar coisas importantes de estatística aplicada, tais como vié amostral e inferência.


Mulheres asiáticas jovens, a maior taxa de suicídio do mundo
http://www.estadao.com.br/agestado/noticias/2004/abr/02/64.htm

Londres - Embora as taxas de suicídio em todo o mundo sejam três vezes mais altas para os homens em relação às mulheres, está aumentando a evidência de que, em países em desenvolvimento da Ásia, jovens mulheres matam-se muito mais do que os homens. Num estudo que acaba de ser divulgado pela revista médica The Lancet, pesquisadores traçam o primeiro perfil do suicídio entre pessoas jovens na Índia.

Na região de Vellore, no sul, a média da taxa de suicídios para mulheres entre 10 e 20 anos é de 148 para 100.000, muito acima dos 58 suicídios em 100.000 homens. Globalmente, a taxa de suicídio para homens é de 24 para 100.000, enquanto que a de mulheres não passa de 6,8 para 100.000.

Especialistas acham que a pesquisa foi baseada em muito poucos suicídios para se ter certeza de que as taxas são válidas, mas acrescentam que o levantamento acaba por mostrar que esse tipo de morte não tem quase registro oficial em países do Terceiro Mundo.

“Quase tudo que sabemos sobre suicídios vem dos países ocidentais, particularmente a Europa. Até agora, não examinamos outras culturas”, diz o médico José Bertolote, que dirige a divisão de desordens mentais e cerebrais da Organização Mundial da Saúde e que não está envolvido com a pesquisa. “Quanto mais examinamos essas culturas, mais percebemos que a diferença entre homens e mulheres não é tão grande quanto na Europa, portanto, existe um elemento cultural nisso”, acredita.

A primeira evidência de que as taxas de suicídio são maiores entre jovens mulheres que entre os homens surgiu há dois anos, de um estudo feito na área rural da China. Os pesquisadores encontraram taxas de 30,4 suicídios por 100.000 mulheres, comparada com os 23,8 para 100.000 homens.“Há uma tendência muito maior aqui”, diz Bertolote.

Uma das maiores diferenças entre suicídio no Ocidente e nos países em desenvolvimento é o método. É sabido por pesquisas que, no Ocidente, mais mulheres que homens tentam o suicídio, mas poucas conseguem. Normalmente, elas procuram a morte cortando os pulsos ou tomando comprimidos, dois métodos que podem ter socorro imediato.

Na Índia rural, os métodos são enforcamento, envenenamento com pesticidas letais, que já foram proibidos na maior parte do mundo, e tocando fogo no próprio corpo. A todos os três é difícil sobreviver.

Alguns dos pesticidas, comumente guardados nas casas rurais, matam em menos de três horas. Para mulheres que tentam se matar no campo, não há transporte e, algumas vezes, estradas, e quase sempre é muito tarde quando chegam ao hospital.

Há umas poucas teorias sobre porque as jovens asiáticas cometem suicídio em tão grande número.

“Pode ser por carência educacional, conflitos em torno de casamentos arranjados, fracassos amorosos, dotes e coisas assim”, diz a Dra. Lakshmi Vijayakumar, que dirige o Centro de Prevenção ao Suicídio Sneha, em Chennai, na região indiana de Madras.

Por toda a Índia, os suicídios masculinos começam a igualar o das mulheres quando ambos torna-se mais velhos, acrescenta Vijayakumar, que não participou da pesquisa mais recente. Depois que as mulheres têm filhos, tornam-se emocionalmente e psicologicamente mais fortes e as taxas de suicídio caem, segundo ela.

p.s. coloquei a reportagem toda, e não o link, porque o Estadão está com um sistema de senha, que impede acessar as reportagens de qualquer lugar. Mesmo as da Agência Estado. Estas só ficam disponíveis temporariamente.

Economia e Meio Ambiente

Uma análise séria desta difícil relação (ao menos para os leigos). O livro é este aqui. Associados do IL-RS têm desconto nas compras no link indicado.
Matemática, para você

Histerese, numa explicação interessante.

Economist.com | Poisson

quinta-feira, abril 01, 2004

A herança bendita de FHC

Fernando Henrique deixou o país melhor. Mais educado, com inflação estável, mais respeitado internacionalmente. E com mais gente rica. Pena que o politsBURGER está desmanchando tudo isto.

Atlas mostra aumento do número de ricos no Brasil
http://www.uai.com.br/uai/noticias/agora/nacional/98607.html

(...) Estudo divulgado nesta quinta-feira mostra que em 2000 eram considerados ricos 2,4% da população brasileira, o equivalente a 1,162 milhão de famílias. (...) Na pesquisa, ricos são as pessoas integrantes de famílias com renda mensal acima de R$ 10.982 (valores de setembro de 2003). Em 1980, por exemplo, apenas 507 mil famílias - ou 1,8% da população - estavam nesta faixa. (...) De acordo com o estudo, os 2,4% mais ricos do País têm uma renda média mensal de R$ 22.487.
PARABÉNS, DE SOTO!

Genial! Prêmio excelente! Não escolheria melhor! Economia relevante para a vida das pessoas (principalmente as pobres), pensada com propostas concretas. Viva DeSoto!

Property Rights Champion Hernando de Soto Wins Friedman Prize for Liberty

Links:

1. ILD (http://www.ild.org.pe/index.html)
2. The economist versus the terrorist

Quem é Hernando De Soto? Eu gostaria de escrever este post. Mas quem me indicou sua leitura, há muitos anos, foi o Leo, nosso colega de blog. Creio que ele deveria ter esta honra.
Liberdade econômica: um aumento marginal

Segundo esta notícia, você poderá parcelar suas compras no exterior a partir de agora.

Isto, creio, melhora a posição do Brasil no ranking de liberdade econômica.
Quando a diversidade mata

O pessoal que gosta de palavras como "biodiversidade" e "multiculturalismo" tem mais um problema: agora a biodiversidade é digital.

Imagine um destes eco-religiosos defendendo a biodiversidade de vírus. "Ah, os vírus têm o direito de existir. E a bioética? Virus que atacarem o linux, não, estes não podem....". Haja paciência, né?

Mas o estudo que se inicia, segundo o link abaixo, é, sem dúvida, interessante e importante.

Foreign Policy: "Diversity Defense
By Jennifer L. Rich

Viruses. Worms. It seems computers are sick more often than humans. To combat high-tech ailments, researchers at the University of New Mexico (UNM) and Carnegie Mellon University have launched a three-year, $750,000 research project seeking to mimic nature's, biodiversity with "cyberdiversity."

In nature, diseases are deadlier when they strike groups of genetically similar organisms. The same principle applies to computer viruses, especially because 90 percent of the world's computers run on Microsoft Windows software. In July 2001, the Internet worm Code Red hit more than 300,000 computers worldwide in less than 13 hours by seizing on a Microsoft vulnerability."

quarta-feira, março 31, 2004

Alguém que amo foi para o encontro e não me trouxe uma camisa

E o encontro é bacana!

Workshop: O uso da Econometria na Economia da Saúde
Infra-estrutura básica?

Taí um artigo interessante.

TCS: Tech Central Station - Ideology Is Infrastructure

Trecho: The priority of this deeper infrastructure is obscured by mainstream economic theory. Economic theory often takes for granted that which is most difficult to achieve. Most economists begin their analysis by assuming a market where property rights are clearly delineated, contracts are unfailingly enforced, and information is immediately available to all market participants. Similarly, they assume a state that can efficiently implement a system of public finance and provide "public goods" when the market "fails."



When we begin with a framework of well-functioning markets and a well-functioning state, it is easy to become distracted by arguments framed by our idealized assumptions. Economists and political theorists have worked themselves into carpal tunnel arguing whether public goods -- national defense, law enforcement, transportation systems, vaccinations, and so forth -- can be provided by voluntary contractual mechanisms on a free market or require state coercion to solve the problems of coordination inherent in providing these goods. However the entire debate over public goods simply assumes a deeper order of public goods -- goods that are a pre-condition for well-functioning markets and states.
Os campeões da repressão

Meu amigo jornalista Jihan sempre reclama de perseguições políticas a jornalistas. Eu até já lhe dei espaço aqui, mas ele declinou do convite de comentar.

E sabemos que a imprensa não é perfeita. É cheia de corporativismo (o ombudsman de um jornal de São Paulo, uma vez, deu-me uma resposta que me fez pensar sobre a função dele) e, claro, há, no caso do Brasil, algo mais grave que é a censura oficial via verbas publicitárias (vários jornalistas gaúchos reclamavam disto na era Olívio Dutra).

Mas, se você quer mesmo ver os campões de repressão, aqui estão eles:

The winners :

Golden Palm : China An easy choice this year for its 60 cyber-dissidents in prison, hundreds of thousands of websites censored and strict censorship of e-mail. The Best Actor award was won by Chinese President Hu Jintao for his regular statements about the country's progress in human rights.

First Prize for Censorship : Saudi Arabia Well deserved for its more than 400,000 online items censored, ranging from political websites to unauthorised Islamist organisations and of course anything remotely concerning sex.

Chief Jailer Award : Vietnam With seven cyber-dissidents in jail, Vietnam is the world's second biggest prison (after its neighbour China) for those who want to surf the Internet in freedom.

Public (sector) Prize : Cuba This goes to the Cuban government for using the state telecommunications body, ETEC SA, to restrict access to the Internet and for its complete control of all information.

Best Scenery Award : the Maldives Three cyber-dissidents are in prison in this country, better known for its stunning beaches. Two of them have been sentenced to life imprisonment.

Critics' Prize : Syria The government is holding two Internet users in secret for posting criticism of the regime online.

Special Media Prize : Zimbabwean President Robert Mugabe This honours the winner's career as a predator of press freedom and recognises his growing determination to stifle use of the Internet..

Grand Prize for Hypocrisy : The United Nations and its World Summit on the Information Society Won for the special place reserved at this major Internet summit for countries that have most harshly repressed the Internet, such as China and Cuba.

Special Jury Prize : French industry minister Nicole Fontaine For her proposed law on the digital economy which threatens freedom of expression online.

Reporters Without Borders welcomes this Festival and notes that as it opens on 29 March, 72 cyber-dissidents around the world will spend the day in their prison cells for posting criticism of their governments online.
A maldição da abundância de recursos artificiais (Russian Disease)

O Leo adora a Dutch Disease (alunos interessados, leiam o capítulo adequado em, por exemplo, Sachs & Larrain, de Macroeconomia).

Mas existem outras doenças. Sendo bastante permissivo no uso da linguagem e pouco rigoroso tecnicamente, eu diria que existe também a Russian Disease. Baseio-me no comentário de leigos: o que importa é ter Forças Armadas poderosas. Quem as tem, domina o mundo. E o exemplo é sempre os EUA. O argumento refinado responsabiliza o "complexo industrial militar" (nunca bem definido) pelo crescimento econômico dos EUA.

Ora, se olharmos bem, a URSS tinha também um "complexo industrial militar" poderoso. Só que era todo estatal.

E, hoje em dia, percebe-se que um complexo poderoso como o russo não venceu. Aliás, a economia soviética só era "Segundo Mundo" nos sonhos dos utópicos (bem intencionados ou não) intelectuais de esquerda.

Qual o problema? A dica já foi dada há muitos anos, no antigo livro de Alec Nove (Zahar Editores): o sistema de alocação adotado não era o mercado mas um complicado sistema estatal. O resultado? Bem, vejam este link:

A Fleet of Disposable Ships

Há vários bons livros sobre o assunto, o mais interessante, para mim, o de Janos Kornai (economista de húngaro que estava em Harvard até a última vez em que li algo dele): The Socialist Economy. Há também outro, em português, da antiga editora Vértice: A Economia do Socialismo, de J. Wilczynski.

Sobre a visão da economia socialista como ciência, claro, basta ler o pouco científico "O Capital" onde o autor passa todo o texto xingando os irmãos Bauer, ou mesmo J.S. Mill. É referência obrigatória. Entretanto, mesmo economistas russos de origem marxista caíram no erro da "engenharia social" ("basta usar a teoria econômica burguesa num computador e pronto, está tudo resolvido"). O melhor livro (este eu tenho, mas o achei num sebo) é: "The use of Mathematics in Economics", editado por Nemchinov (com contribuições do Nobel Kantorovich, do importante Lange, Lu're e Novozhilov).

Por que eu gosto do tema? Porque existe ao menos um sujeito na mesa do bar ou no governo que ainda pensa que economia é a engenharia onde a argamassa é a regulamentação governamental e o tijolo é o indivíduo. Enfim, é por isto que leio Hayek. Ele me lembra que sou humano, não um ponto convexo no Rn (embora, eu friso aqui, seja essencial modelar a economia matematicamente. Basta não acreditar no que se faz, mas ter consciência das limitações do método).

Acordei inspirado hoje. Deve ser o café.
Exemplo de aprendizado

1. você começa acreditando em algo.
2. submete sua visão de mundo à prova
2.1. ....num processo no qual você não joga fora tudo o que pensa, mas debate.
3. você revê sua posição.

Simples assim. Exige que você aprenda muito para chegar em 1, mais ainda para o cheque em 2 e, claro, mais um pouco para 3.

E é uma questão não apenas científica, mas também religiosa.

Telegraph | News | Atheist view can help believers, says Archbishop

terça-feira, março 30, 2004

Um ótimo blog de economia

Graças ao marginalrevolution (link ao lado), descobri o gualmente ótimo the idea shop. Coisa fina!
Um protesto interessante

Em Pernambuco, finalmente aconteceu algo que eu sempre achei que iria acontecer: um estudante não aguentou mais e resolveu protestar contra mais uma greve de professores de universidades federais.

O interessante é que a reação do aluno mostra que a sociedade civil organizada, comum em discursos apologéticos de alguns políticos de esquerda, não é sempre esta geléia que segue nas botas dos grevistas.

Eu sempre quis ver um protesto assim. Para um estudante de Ciências Sociais, acostumado com o discurso do "revolução é bacana, desde que seja a de Karl Marx" (não sei se é o caso, mas aposto que há 90% de chance de eu estar certo), não é de se estranhar que ele tenha desejado fazer o protesto da forma que se descreve aqui.

E isto não torna o evento mais irônico ainda? Imagine, leitor: um estudante de Ciências Sociais explode dois ou três rojões contra (mais) uma greve de professores públicos na era do governo cujos políticos passaram anos incentivando este tipo de greve!

Só rindo...
Lições de Economia

Mais uma boa lição de economia. Desta vez, nos EUA. Leia tudo no link abaixo.

CRM News: E-Business: Online Bill-Pay Services, Banks Drop Fees

segunda-feira, março 29, 2004

Coisas que eu aprendi...


...as matérias da New Yorker linkadas abaixo:

- As diferenças de altura entre as populações são muito mais vindas da alimentação e dos cuidados médicos, do que da genética. Populações igualmente bem tratadas têm diferenças de altura de menos de um centímetro e meio (!!!!).

- É errada a visão de que a altura dos humanos tem aumentado continuamente. Os humanos bem altos viveram pelo século 8 no norte da Europa. A partir daí, conforme aumentava a urbanização, as condições de saúde pioraram e começamos a diminuir de tamanho.
Só voltamos a crescer lá pelo século XVII.

- Durante os séculos XVIII e XIX, os norte-americanos foram o povo mais alto do mundo. No final do século XX, contudo, algo estranho aconteceu. Os asiáticos e europeus continuaram crescendo dois centímetros por década, mas os americanos estagnaram. As mulheres parecem estar até encolhendo! Hoje, os asiáticos fizeram o catching up, e os europeus do norte ultrapassaram os americanos de longe. (Os antropometristas têm o cuidado, óbvio, de tirar os efeitos da imigração.)

Pelo visto, ninguém sabe direito porque isso ocorreu. Os suspeitos são: melhor alimentação (ao que parece, basta faltar um de 50 elementos nutritivos que o crescimento fica prejudicado), melhor atendimento pré-natal, ou mesmo horas de sono. Nos EUA, apesar do aumento contínuo da renda, o mesmo estilo de vida dos ricos e pobres teria estancado o crescimento da altura da população.

- Os holandeses eram os mais baixinhos da Europa no começo do século. Viraram um país de gigantes, no qual a média de altura para os homens é de 1,86 m. (Eu estive lá e me senti baixo, mesmo comparando com as mulheres). Existe até o lobby das pessoas altas; elas lutam por modificações no mobiliário e tudo mais.

- Por fim, tenho que ler mais o que o John Komlos escreve. Ele tem dois doutorados em Chicago: História e Economia. Ele é o bamba da área e chegou a boa parte destas conclusões que eu listei acima.

http://www.newyorker.com/fact/content/?040405fa_fact

http://www.newyorker.com/online/content/?040405on_onlineonly01
Se fosse o Maluf, seria estelionato eleitoral

Sem comentários. Afinal, não fui eu que falei isso em campanha.

Mantega nega que Lula tenha prometido criar 10 milhões de empregos - Segunda, 29 de Março de 2004, 15h36 - Fonte: BBC Brasil
Quem é o dono da criança?

David Friedman, em seu sensacional livro "The Machinery of Freedom", numa discussão da filosofia libertária (um link para se entender isto está aqui) dizia que um ponto polêmico sobre direitos de propriedade individuais estava na questão da criança. Reconhecendo diversos problemas no argumento, ele dizia que os filhos deveriam ter o direito de escolher os pais (ou viverem sozinhos).

Não é simples assim, mas o ponto que ele levantou é importante. Afinal, quem é dono do negro? O senhor da casa grande? Ou o escravo? Lembre-se que se dizia que negro não tinha alma (ou era como uma criança). Quem é dono da criança? O pai? A mãe?

Bem, há algo importante aqui. A alegria da criança é usufruida não apenas por ela, mas por todos de uma sociedade e é por isso que ficamos tristes quando vemos crianças passando fome ou exploradas sexualmente.

Nestes casos, a alocação dos direitos de propriedade sobre crianças, dizem os economistas, deve ser decidida conforme alguma decisão legal. Nos EUA, mostrou Richard Posner, o sistema legal tende a alocar recursos de forma tão eficiente quanto o mercado (o argumento é mais elaborado, mas, vamos lá...).

E eu penso que certos pais deveriam mesmo perder o direito de criar os filhos. Principalmente quando leio coisas como as que encontro na notícia abaixo.

This week, in Raleigh, acting United States Attorney George Holding announced that Brian Tod Schellenberger, 41, of Cary, N.C., has been indicted by a grand jury.

He faces four counts of child exploitation and one of possession of child pornography in connection with his alleged coercion into the child-porn business of not one, but two, underage children.

The second minor is a three-month-old boy, The Globe and Mail has learned.

Mr. Schellenberger is to appear in district court next Monday for arraignment.

(...)

In addition, because of material allegedly seized from Mr. Schellenberger's computer, the FBI has since moved in on a different woman in Dallas, Tex., who was allegedly "renting" out one of her three children to worldwide customers who would fly in from as far away as England to have sex with the child.


Estarei me tornando um autoritário e desrespeitando as preferências dos indivíduos? Ou simplesmente reconhecendo que Coase tinha razão (aliado a um certo nojo moral individual e cultural especificamente meu)?
E-voting: ameaça do século XXI?


Wired News: How E-Voting Threatens Democracy

Trecho: "In January 2003, voting activist Bev Harris was holed up in the basement of her three-story house in Renton, Washington, searching the Internet for an electronic voting machine manual, when she made a startling discovery.

Clicking on a link for a file transfer protocol site belonging to voting machine maker Diebold Election Systems, Harris found about 40,000 unprotected computer files. They included source code for Diebold's AccuVote touch-screen voting machine, program files for its Global Election Management System tabulation software, a Texas voter-registration list with voters' names and addresses, and what appeared to be live vote data from 57 precincts in a 2002 California primary election".
Divertido e útil para treinar a sua matemática de Jogos e Controle Ótimo

Apertem os alhos, o vampiro surgiu!

CYCLES OF FEAR: PERIODIC BLOODSUCKING RATES FOR VAMPIRES

R. F. Hartl[1]Associate Professor, Department of Operations Research, Technische Universität Wien, Austria

A. Mehlmann[1]Associate Professor, Department of Operations Research, Technische Universität Wien, Austria

A. Novak[2]Research Assistant, Department of Operations Research, Technische Universität Wien, Austria


Abstract:
In this paper, we present a new approach for modeling the dynamic intertemporal confrontation between vampires and humans. It is assumed that the change of the vampiristic consumption rate induces costs and that the vampire community also derives some utility from possessing humans and not only from consuming them. Using the Hopf bifurcation theorem it can be shown that cyclical bloodsucking strategies are optimal. These results are in accordance with empirical evidence.

Keywords: maximum principle; limit cycles; economics of human resources; vampire myth

domingo, março 28, 2004

Não compre o Corcovado: compre a Lua

Yahoo! News - Nev. Man Sells Lunar Plots, $19.99 an Acre
Vários bons posts sobre preço do petróleo

Todos em: Knowledge Problem.
Lições de Economia para políticos I (UPDATED)

Na edição de hoje de "O Estado de São Paulo", descobri que um tal Daniel Almeida (PC do B/BA) propõe instituir a "falta remunerada no dia do aniversário.

Como ele justifica isto? Segundo o jornal, citando-o: "As ausências remuneradas têm o condão de aumentar produtividade da empresa, pois aumentam o nível de satisfação do trabalhador".

Pois bem.

Há aí um interessante mau uso de vocabulário bacana de economia para justificar um incentivo incorreto. É óbvio onde ele erra, não? A teoria econômica que ensino (não a que o deputado usa) me diz que existe informação assimétrica entre patrão e empregado. Afinal, qual o produto de, digamos, um funcionário de escritório? Você tem como medir isto? Suponha que sim. Então você mede a produtividade do officeboy de um escritório de contabilidade, Karl Marx, pelo número de pedidos da gerência atendidos por dia.

Digamos que este número seja 100. Isto é muito ou pouco? Não dá para saber. Mesmo que amanhã seja 110, também não sei. Por que? Simplesmente porque Karl Marx pode ser um engraçadinho preguiçoso que, como está longe da sala do chefe, passa o seu tempo escrevendo bobagens em um caderno, desenhando ou, quem sabe, vendo fotos pornográficas na internet. Vale dizer: ele pode fazer "corpo mole" ("shirking", em inglês). Neste caso, o produto observado de seu trabalho é algo que eu, patrão, não consigo avaliar tão bem quanto ele.

Digamos que você ache que não, que eu estou errado. Ainda assim, eu pergunto: não deveríamos dar licença remunerada todos os dias do ano? Afinal, ninguém gosta de trabalhar. A gente só faz isto para ganhar dinheiro para ser feliz. Suponha que você ainda insista mais: Não, Claudio, tem gente que gosta de trabalhar.

Bem, neste caso, basta que passemos um questionário na firma perguntando a cada um se o trabalho é algo que lhe agrada mais do que ficar em casa. Se este for o caso, não há porque lhe dispensar no dia do aniversário. Aí, dividimos os trabalhadores em duas categorias: os que gostam de trabalhar e os que não gostam. Para os últimos a gente dá licença em 2/3 do ano (lembre-se das palavras do representante eleito: "As ausências remuneradas têm o condão de aumentar produtividade") e, para os outros, a gente nem férias dá.

Pronto. Não é fácil propor políticas públicas?
Árabes fazem limpeza étnica

Muito se fala sobre ódio racial, mas esta notícia (registre-se livremente) deveria chamar a atenção de outros países árabes.

Afinal, o discurso só vale quando o inimigo é judeu?

O que me faz pensar: se existe racismo no Brasil, certamente ele não toma as dimensões sudanesas...
Quer ter um filho?

Leia o trecho abaixo.

Um filho, por exemplo, é um projeto muito querido e caro: do nascimento à formatura, segundo o matemático Luis Carlos Ewald, costuma representar para os pais gastos de R$ 1 milhão na classe média e de R$ 300 mil para famílias de baixa renda.

O que este cálculo tem de estranho? Ele é incompleto. O tempo que você, futura mamãe ou futuro papai, gasta com o menino tem custos explícitos como estes e os implícitos. Mas o Luis Carlos Ewald sabe disto. Em algum momento, ele diz:

Ewald explica que o total é de R$ 418 mil, sem levar em conta um custo de oportunidade. O dinheiro poderia ser aplicado mensalmente em taxas reais (sem inflação) de juros. A 0,5% ao mês na poupança, os R$ 418 mil seriam R$ 695 mil. A 0,7% ao mês num fundo de investimento, R$ 909 mil. A 1% ao mês: R$ 1,415 milhão.

O que me deixa sem uma boa idéia sobre filhos, nesta matéria, é que não sei o custo de um filho, para as mesmas famílias, em outros países. Certamente alguém já calculou isto. Afinal, o importante não é só saber o gasto com o filho em um país. É interessante saber, por exemplo, se estamos relativamente mais ineficientes na geração de crescimento populacional. Mais ainda, será que a educação básica no Brasil é mais cara que na Coréia do Sul? Ou do que a argentina? Fica aqui a pergunta: alguém pode me indicar links (sites) para me ajudar a montar esta tabela?

p.s. engraçadinho: vou montar a tabela e enviar para o Ari, que será papai logo.... :)
Genéricos: custos, benefícios e tudo o mais

Todo livro-texto introdutório fala, em algum momento, sobre direitos de patente. E todo aluno deveria, creio, ter a obrigação de fazer um estudo sobre isto com algum mercado brasileiro. Por que? Porque acho que o problema, aqui, é sério.

Provavelmente, muitos deles iriam querer tratar de genéricos, esta "invenção" que permite que o governo mude os direitos de propriedade de forma algo arbitrária, segundo, claro, algum critério.

Com algum cinismo em mente, eu às vezes me pergunto se não poderíamos criar também um governo genérico. Funciona assim: para que recursos coletados cheguem até mim corretamente, eu poderia escolher não entre um ou outro político para bajular. Eu simplesmente escolheria um que não investiu na campanha e que não foi eleito. Ele ganharia o direito de me representar segundo algum critério (este eu penso depois, he he he).

Brincadeiras (?) a parte, a discussão dos genéricos é interessante. Afinal, os custos e benefícios SOCIAIS (já haverá um bom problema de mensuração aqui) compensarão a criação de genéricos?