sábado, agosto 20, 2005

Pensamento Crítico: Onde estarás?
Vem semestre, vai semestre e continuo com a sensação que fico a cada minuto mais burro. Já entrei em sala de aula querendo semear dúvidas, levantar fantasmas, propor coisas novas, desacreditar os manuais. Estou lentamente me aproximando mais da segurança dos velhos manuais. Já não me lembro da última questão desafiadora que me foi feita por um aluno. Já me dou por satisfeito se eles entendem o básico.
Não, não estou em crise. Não vou procurar nenhum psicólogo. Talvez eu ligue para o Shikida, para o Sabino ou quem sabe mando uma mensagem para o celular do Léo. Mas, por aqui, perdemos o pensamento crítico em algum buraco negro do espaço cósmico. No seu lugar assumiu uma certa indiferença que contagiou até os melhores alunos. Aliás, melhores alunos estão resumidos aos que sabem a matéria, mas não aos que aceitam o desafio de resolver algum problema que é apresentado de uma forma não tão semelhante a apresentada nos velhos manuais.
As respostas estão nos velhos manuais, em páginas definidas, com seus velhos problemas de tradução. Com suas virgulas. Com o mesmo início e fim. Fora dos manuais segue o vazio de uma resposta em branco, com a assinatura: "Não achei no livro".
E assim começou o mercado....

quarta-feira, agosto 17, 2005

Experiência na sala de aula
O Cláudio foi quem me indicou as primeiras leituras sobre experiências com alunos. No início duvidei dele. Como amante da velha história imperialista japonesa pensei no que realmente ele estava querendo dizer com realização de experiências com alunos. Vá lá!

A tradição americana é bem mais forte que a nossa nesse tipo de experiência. Essa newsletter é especializada em publicação de jogos e experiências que auxiliam a arte de ensinar.
Petróleo, Preço e Petrobrás
De tempos em tempos eu tenho que responder a uma pergunta: "Professor porque o governo vai aumentar o preço da gasolina se o Brasil é autosuficiente na produção de petróleo?"
A resposta é fácil: petróleo é produto cotado a preço internacional. Não entendeu? Então leia a reportagem abaixo da Revista Amanhã. No texto o grifo é meu:

Ipiranga cresce 23,5% - mas refinaria pode parar de novo
Apesar das dificuldades para rentabilizar as atividades de refino de petróleo, o Grupo Ipiranga fechou o primeiro semestre deste ano com resultados animadores no balanço. Ao todo, o conglomerado faturou R$ 13,3 bilhões no período, um avanço de 23,5% em relação aos seis primeiros meses de 2004. O desempenho foi puxado pela Ipiranga Petróleo (CBPI), responsável pela comercialização de combustíveis em todo o país, exceto na Região Sul. Sozinha, a subsidiária obteve uma receita bruta de R$ 9,2 bilhões, ou 26,5% a mais do que no primeiro semestre do ano passado. Com mais dinheiro entrando no caixa, o Grupo Ipiranga conseguiu se rentabilizar: o lucro líquido saltou 182% e chegou a R$ 328,1 milhões. "O bom resultado mostra um aumento das nossas vendas, em volumes, e também reflete a alta nos preços dos derivados, que têm um peso muito importante na nossa receita", explicou Leocadio de Almeida Antunes Filho, diretor superintendente da CBPI. A pedra no sapato foram as atividades de refino de petróleo. A Ipiranga Refinaria, subsidiária responsável por esse filão, registrou uma queda de 60,5% nas vendas do primeiro semestre deste ano. O recuo foi fruto das medidas adotadas pelo grupo para minimizar os prejuízos que vinha obtendo no segmento. Para compensar a alta das cotações do petróleo - que não pôde ser inteiramente repassada ao preço final dos combustíveis -, a Ipiranga decidiu paralisar por 60 dias as atividades de refino. Deu certo: mesmo com a queda nas vendas, a refinaria exibiu um salto de nada menos que 468% nos lucros, em grande parte devido a sua participação em outras empresas da Ipiranga, como as subsidiárias de petroquímica e de distribuição de combustíveis. Mesmo assim, a diretora superintendente da refinaria, Elisabeth Telechea, alerta que ainda há possibilidade de as atividades de refino serem paralisadas novamente - o que deverá ocorrer no próximo dia 15. "Temos petróleo até esse dia, oriundo de compras realizadas em maio, em um período de preços mais baixos. A partir dessa data, porém, ficamos em uma condição difícil", justifica ela. As dificuldades enfrentadas podem ter uma definição em breve. No dia 1º de agosto, durante a posse do presidente da Eletrobrás, o atual ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, prometeu que o governo vai procurar uma solução para evitar que a refinaria, localizada em Rio Grande, paralise suas atividades. (Daniele Alves)

terça-feira, agosto 16, 2005

Com que provas Collor caiu?

Com estas (todo o trecho é do link):

O pedido de Bicudo e Lula foi arquivado pelo então presidente da Câmara, o deputado Paes de Andrade (PMDB-PE), hoje embaixador do Brasil em Portugal, e só em agosto de 1992, de posse de quatro provas contundentes, é que a ABI e a OAB fizeram o pedido que daria a partida para o impeachment de Collor.

Resumidamente, as quatro provas foram:
• os depósitos de fantasmas nas contas de Ana Acioli, secretária particular do presidente, para o pagamento das despesas da Casa da Dinda (em torno de US$ 10 milhões);
• a compra do Fiat Elba (US$ 10 mil) pelo fantasma José Carlos Bonfim (comandante Jorge Bandeira de Melo);
• a reforma do apartamento triplex do presidente em Maceió e da Casa da Dinda, em Brasília, com aqueles jardins nababescos, cheios de cachoeiras e luzes coloridas (US$ 1,5 milhão).

Compare com a crise atual, leitor. Espanto-me com e identicamente a Rui Nogueira: Quanta diferença no comportamento entre a oposição de hoje e a oposição de ontem!

domingo, agosto 14, 2005

A boa e velha imprensa

Brigas para todos os gostos.

Veja 6– Diogo, a confissão de Janene e uma certa ética

0h - Diogo Mainardi, em sua coluna intitulada “Chega de ética, Nassif”, lembra ter sido o primeiro, e é verdade, a ter conseguido a confissão de um peixe grande do mensalão (José Janene) de que José Dirceu comandava o esquema. E também responde a uma crítica que lhe foi dirigida pelo colunista Luiz Nassif, na Folha, que o censurou por ter, segundo entende, quebrado o off. Escreveu Nassif: “Para combater a falta de escrúpulos do governo, agora, chega-se a atropelar até valores sagrados da imprensa, como o instituto do off the record. Em uma coluna, em revista de larga circulação, o autor se vangloria de ter passado a perna em um deputado, prometendo-lhe manter uma declaração em off e não cumprindo a promessa". Responde Diogo: “Num artigo sobre Daniel Dantas, ele [Nassif] reproduziu palavra por palavra, sem citar o autor, uma mensagem enviada a diversos jornalistas por Luiz Roberto Demarco. Demarco não é o que se poderia definir como uma fonte isenta. Pelo contrário: ele está processando Dantas na Justiça, numa ação bilionária. Como se pode notar, Nassif é um jornalista ético, que sabe preservar suas fontes. Ele é tão cioso de sua responsabilidade que decidiu copiar até mesmo os erros de grafia da mensagem original de Demarco, como o nome do presidente da Portugal Telecom no Brasil, Shakhaf Wine, chamado por ambos de Shakaf Wine.”