sexta-feira, dezembro 17, 2004

Aqui tem dedo de economista

Os comerciantes sempre enfrentam um problema de seleção adversa. Eles nunca sabem se o cliente e’ bom ou mal pagador. A forma encontrada para resolver o problema de assimetria de informações associado aos emissores de cheques acabou diminuindo as possibilidades de escolha por parte dos usuários do sistema financeiro.

Nas folhas dos cheques consta somente a data de abertura de conta em um certo banco. Assim, se a pessoa foi cliente do Banco X durante 10 anos e e’ cliente do Banco Y há dois meses, constara’ nas suas folhas de cheques que ela tem conta há dois meses, e não há mais de 10 anos. Logo, as pessoas ficam constrangidas a mudar de banco uma vez que sinalizariam (erroneamente) que são correntistas há pouco tempo.

Ao exigir que se coloque a data de ingresso no sistema financeiro, o BACEN esta eliminando uma barreira `a entrada, um custo de transição de um banco pro outro e de fato minimizando assimetria de informações entre os comerciantes e seus clientes.

Cheque muda para estimular a concorrência
http://oglobo.globo.com/jornal/Economia/147512819.asp
17/12/2004

Os talões de cheques deverão conter, a partir de maio de 2005, a inscrição “Cliente do sistema financeiro desde” no lugar do tradicional “Cliente desde” em suas folhas. A medida anunciada ontem pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) visa a aumentar a concorrência, já que o formato atual inibia a troca de bancos pelos clientes. Como muitas lojas adotaram a prática de recusar cheques de clientes com menos de seis meses de movimentação numa instituição, muitos clientes insatisfeitos acabam desistindo de mudar de banco.

A recusa de cheques de contas novas também fere o Código de Defesa do Consumidor, porque discrimina o portador deste talão, na opinião de especialistas no setor: em tese, afirmam, a loja está pressupondo que todos os que têm contas abertas recentemente estão de má-fé ou são potenciais estelionatários.

Com a mudança realizada ontem, o BC pretende estimular a troca de cadastros entres os bancos, a chamada portabilidade, pois será obrigatório checar há quanto tempo uma determinada pessoa tinha conta bancária em outra instituição financeira. (....)

segunda-feira, dezembro 13, 2004

Greenspan

O poderoso Greenspan já havia publicado um artigo sobre problemas da economia norte-americana com a relação euro-dólar no início deste semestre. Você não leu? Bem, aqui vai a segunda chance: The Cato Journal, Vol. 24, nos. 1-2, Spring/Summer 2004.

E aproveite para ler artigos de gente de primeira como Vito Tanzi, James Buchanan e Anna Schwartz.
Randy Simmons

É hoje a palestra do prof. Simmons no Rio Grande do Sul, sob patrocínio do Instituto Liberdade.

Quem é Simmons?

Randy Simmons is the head of the Political Science Department, and director of the Institute of Political Economy, at Utah State University.

Dr. Simmons has authored several articles on government behavior such as "Politics and the New Resource Economics," Contemporary Policy Issues; "Public Choice and the Judiciary," BYU Law Review; and "Organizing Groups of Collective Action," American Political Science Review. He is also the coauthor of Beyond Politics: Markets, Welfare, and the Failure of Bureaucracy, a primer on the economics of government.

Dr. Simmons specializes in applying the assumptions and methods of economic reasoning to policy issues, especially those on the environment and natural resources. Currently his research includes studying market mechanisms for preserving endangered species. Dr. Simmons has been an analyst in the Office of Policy Analysis at the U.S. Department of the Interior, and is currently a member of the Providence City Council, Utah.

Dr. Simmons received his Ph.D. and M.A. in political science from the University of Oregon, and his B.A. in political science from Utah State University.


Além disso, é um dos autores do "Para Além da Política" (editora topbooks) que é um livro bacana para quem nunca leu sobre "Public Choice". Aliás, se você quiser saber mais sobre isto, consulte este blog.

domingo, dezembro 12, 2004

Economia para dummies (sejam estes economistas ou não)


Grande futuro: importar IBMs chineses

Aempresa chinesa Lenovo comprou por US$ 1,25 bilhão a divisão de computadores pessoais da IBM. Isso na semana em que a Câmara aprovou a medida provisória de Lula que estendeu até 2019 a escala de redução do IPI para os fabricantes (ou maquiadores) nacionais. Os çábios das políticas industriais brasileiras podem ter as mais variadas explicações para esses dois fatos. Para a patuléia, vale a pena revisitar as bobagens impostas ao país por conta do que seria uma independência tecnológica e que resultaram na criação de um baronato retardatário.

A Lenovo surgiu em 1984, em Pequim, com o nome de Legend. Funcionava num barracão e vendia máquinas IBM e HP. Nesse mesmo ano, sob os aplausos da Fiesp, criou-se em Pindorama uma reserva de mercado para produtores nacionais, prorrogando-se o fechamento das fronteiras brasileiras aos fabricantes estrangeiros.

A reserva de mercado era justificada em nome de um futuro grandioso. Com um pé na Presidência da República, Tancredo Neves dizia: "Um país que não pode controlar os seus serviços de informática estará condenado a se transformar numa sub-nação".

Tratando do fluxo internacional de informações (hoje conhecido como internet), o senador Severo Gomes advertia: "É questão de primeira grandeza. (...) Está na hora de conceituarmos, para a defesa dos nossos interesses, a informação como mercadoria, regida pelo direito comercial, de forma que possamos controlar os fluxos comerciais de informação". Isso mesmo, controlar download.

O presidente da Associação das Industrias Brasileiras de Computadores, Edson Fregni, era categórico: "Nós achamos inaceitável para o Brasil exportar café e açúcar e importar computadores".

Bingo. Passaram-se 20 anos e o Brasil exporta grãos e pedras (soja e minério) para a China, importando produtos eletrônicos e manufaturados. Em breve, vai importar também computadores IBM.

A turma da reserva de mercado e o baronato cevado pelas leis de proteção industrial anacrônicas, clientelistas e cartoriais conseguiram uma proeza: desenharam uma política para enfrentar os países desenvolvidos tecnológica e industrialmente e conseguiram ser superados pela China, que, nos anos 80, estava na idade da pedra lascada da ressaca maoísta.

Inventaram a roda que só anda para trás.