sábado, outubro 30, 2004

Libertários podem ser cristãos...e vice-versa?

Libertário é um termo mal conhecido no Brasil. Mas este post não tem como objetivo explicar isto. Eu, Ari e Marcus já fizemos um pequeno trabalho sobre o assunto que pode ser lido na revista "Banco de Idéias" do IL-RJ.

O que é interessante é que muitas vezes libertários não simpatizam com religiões e vice-versa. Por diversos motivos. Um artigo que serve para organizar um pouco as idéias é este.

Claro, não tem muito a ver com mercados, mas nome do journal é interessante: Markets & Morality. Vale dizer, tá na cara que é uma publicação com forte tom normativo. Se você gosta do tema, divirta-se.
São os políticos eficientes?

Eis aqui, finalmente, alguém que aplicou uma idéia antiga: eficiência. Há, claro, o clássico artigo de Weingast, Shepsle & Johnsen sobre isto. Acho até que os autores do índice Econ-E (ver o link abaixo) se inspiraram nele.

Mas a idéia é simples. O índice tenta evitar o problema do pork barrel politics que falsamente mostraria uma eficiência de um político (o erro consiste no fato desta política concentrar benefícios em uma localidade, jogando os custos para o resto do país) quando, na verdade, ela é ruim para o país.

Se eu tivesse dinheiro, faria esta pesquisa para o Brasil. Fica aí a sugestão para os colegas.

Aí vai um resumo sobre o índice e...claro, eu só li sobre ele porque fiz minha periódica leitura da coluna do Walter Williams (um link fixo aí ao lado).

Econ-E score is shorthand for economic-efficiency score. This measure is constructed by investigating votes in the 106th and 107th Congresses on issues where economic efficiency was at stake. Simply put, we included votes on legislation that economists would widely agree should yield national benefits that exceed costs (efficiency enhancing) or nationwide costs that exceed benefits (efficiency diminishing). Efficiency enhancing policies increase the size of the national economic pie; efficiency diminishing policies reduce its size. This measurement of efficiency does not depend on who gets the slices of the pie, but rather just its size. Economic efficiency is an important criterion used by economists, but not the only criterion, when assessing the desirability of public policies. Our intention in constructing the Econ-E score is to report the performance of Congressional members relative to this important criterion and then to seek an explanation for their voting pattern. Presently, this site simply reports the Econ-E score for members; we will add our explanation for their voting pattern later. To include enough votes for reliability, we only score members seated in both the 106th and 107th Congresses. We plan to add additional Congressional data over time.

The possible range for the Econ-E score is 0 to 100. A score of 40, for example, indicates that the member supported the efficiency enhancing position or rejected the efficiency diminishing position 40 percent of the time. A score of 100 would indicate the member of Congress always voted to enhance economic efficiency or to reject efficiency diminishing policies. No member received a perfect score of 100, although two received scores of zero.

Why might members of Congress support inefficient policies? Who gets the slices of the economic pie may be more important to a member than the overall size of the pie. Members of Congress have constituents whose welfare might hinge upon the passage of inefficient policies. A price control, for example, might provide a net gain to some member’s state or district while providing a net loss to the country as a whole. It is understandable why a member might support an inefficient policy.

Voters who think that economic efficiency is desirable will find the Econ-E score useful in sizing up the record of their Representative and Senators. The Econ-E score can be an additional tool for assessing the overall performance of our U.S. Senators and Representatives.

quinta-feira, outubro 28, 2004

Duilio

Ele é meio doido, meio maluco e divertido. Só poderia ser economista. E também tem blog. Ei-lo. (p.s. d.i.v.i.r.t.a.-.s.e.)
BLOGGER CON
celebrating the art and science of weblogs

http://www.bloggercon.org/III/
LINUX VERSUS WINDOWS

Abaixo, uma das melhores opinioes que eu ja' li sobre o assunto. Por incrivel que pareca, a discussao sobre sistemas operacionais alternativos e' carregada de ideologia. Finalmente alguem soube colocar com propriedade os pros e contras.

Linux – software livre para as massas ou hobby da elite?
JC e-mail 2635, de 27 de Outubro de 2004.
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=22738
por Cesar Boschetti
tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Diz um dito popular que amor, cor, religião, política e futebol não se discutem, numa nítida alusão aos perigos e armadilhas do subjetivismo humano.

Mas discutir é preciso. Faz parte da liberdade, outro conceito igualmente mal compreendido e utilizado. A liberdade sempre envolveu riscos, muito embora não se deva jamais tomar isto como justificativa para cerceá-la.

Mas, deixando a cor e o futebol de lado, não é difícil percebermos que o Linux é uma bela, sutil e complexa combinação de amor, política e religião, tudo livremente temperado ao gosto de cada um.

Creio que em maior ou menor grau todos hão de concordar com isto. Mas e agora? Onde iremos com este coquetel? Para onde queremos ir? O que está em jogo? Queremos realmente democratizar o conhecimento ou apenas anarquizá-lo?

Vamos recordar alguns pontos importantes. O UNIX System IV, existente até hoje, foi lançado em 1983. O UNIX surgiu como uma evolução do Multics projetado na década de 1960.

Trata-se de um sistema sofisticado e caro. Devido ao alto custo do UNIX, surgiu o Minix, uma versão livre e leve do UNIX escrita do zero com fins educacionais para quem quisesse estudar UNIX.

É aqui que entra em cena nosso amigo Linus Torvalds. Em 1991, Linus Torvalds, então um estudante de Ciências da Computação da Universidade de Helsinki - Finlândia, por hobby, decidiu desenvolver um sistema mais poderoso que o Minix e adequado à plataforma 386 da época.

Vale lembrar que nessa época, o 386 era o processador que dominava o mercado. O 486 ainda estava no forno. A Microsoft era uma pequena empresa apoiada no DOS e no Word para DOS (primeiro programa a utilizar o mouse) que disputava o mercado com o WordPerfect.

No setor de planilhas tínhamos o Lotus 123 e em termos de banco de dados dominava o DBASE. Um fato curioso, daquele tipo que nos leva a especular sobre a conspiração do destino, ocorrera cerca de 10 anos antes.

No início da década de 80, a IBM estava procurando por empresas que poderiam desenvolver um sistema operacional que pudesse funcionar em seus computadores.

A primeira escolha foi pela Digital Research, proprietária do CP/M. Mas Gary Kildall, então proprietário e presidente da Digital Research, esqueceu-se da reunião com a IBM e foi jogar golfe.

A IBM foi recebida por Dorothy, mulher de Gary Kildall, que se recusou a assinar o termo de confidencialidade. Com isso o pessoal da IBM fechou contrato com a Microsoft, de Bill Gates.

Se naquele dia Gary Kildall tivesse acordado com dor de cabeça e não fosse jogar golfe, quem sabe Bill Gates não seria hoje apenas um ilustre desconhecido.

Apesar de relativamente recentes em termos históricos, o computador e os sistemas operacionais possuem uma história rica e cheia de coincidências e fatos insólitos. Vale a pena o pessoal vidrado no software, fazer uma pausa nos “how-tos” da vida e dar uma espiada na história.

Além do enriquecimento cultural, permite-nos uma melhor contextualização e compreensão dos fatos. Hoje é muito comum na comunidade Linux, xingarmos o Bill Gates e amaldiçoarmos o Windows.

Mas alguém já se perguntou se isto realmente procede? Será que a Microsoft nasceu grande, poderosa e monopolista? Que fatores levaram o DOS e o Windows ao sucesso? Será que foi tudo uma grande maracutáia? Será que o Linux ganha alguma coisa com essa microsoft-fobia? Está na hora dos mais radicais começarem a se perguntar coisas desse tipo.

O Linux não é apenas um sistema operacional alternativo e gratuito. O Linux significa uma revolução nos conceitos de propriedade intelectual e na socialização do conhecimento.

Num mundo onde o conhecimento e a informação são moedas cada vez mais caras, o Linux desponta como uma ruptura com os velhos e arraigados paradigmas capitalistas e, como toda revolução, traz embutido um certo espírito anarquista. Isso é natural.

Entretanto, a história da humanidade nos ensina que a anarquia nunca foi longe em canto algum deste Planeta. Pode ser compreendida, bem aceita e até louvada dentro de certos limites de tempo e espaço, mas jamais se apresentou como processo duradouro e eficiente na construção de novos modelos e sistemas.

O Linux ainda vive em clima de anarquia e protesto. Isto pode ser perigoso para o seu futuro. São dezenas, centenas, senão milhares de distribuições concorrendo entre si pelo Mundo afora.

O kernel é o mesmo, mas isto pouco ou nada significa em termos de uma real, prática e efetiva compatibilidade. A compatibilidade não existe inclusive entre versões consecutivas da mesma distribuição, o que, a par da gratuidade, não deixa de ser falta de profissionalismo e desrespeito ao usuário.

Esse aspecto, oriundo na liberdade do código livre, é uma faca de dois gumes e precisa ser reavaliado.

Evidentemente, ninguém quer um grupo, seja pequeno ou grande, controlando o Linux e definindo suas diretrizes, formato e evolução. Mas é imperioso que a liberdade individual procure pautar-se por uma consciência democrática mais abrangente e no interesse maior de toda a sociedade.

Trata-se de uma equação difícil e delicada, mas que precisa ser encarada com muita responsabilidade e maturidade.

Temos hoje um sistema poderoso, flexível, seguro mas ainda pouco amigável e ingenuamente ufanista. Os mais aficionados ainda insistem na divulgação equivocada dos recursos obscuros da linha de comando em detrimento de recursos bem mais amigáveis e modernos das interfaces gráficas.

Parece haver uma intenção velada ou inconsciente de se criar em volta do Linux uma certa aura de dificuldade, como se isso fosse sinal de superioridade do sistema e de seus usuários.

Proclama-se o caráter social do Linux de um lado, mas pratica-se o elitismo intelectual do outro. Um elitismo perverso e sectário que faz crer que quem não tem tempo para ler “how-tos” e compilar pacotes não merece ser usuário do Sistema.

Em lugar de uma visão crítica e construtiva sobre o sistema pratica-se o antimarketing da inveja. Em lugar de sugestões edificantes para melhoria do sistema, muitos preferem a propaganda duvidosa das fraquezas do concorrente.

Em lugar de uma estratégia de divulgação simpática e de maior penetração, opta-se por uma repetição monotônica e sem fim de uma pretensa invulnerabilidade do sistema, esquecendo-se de levar em conta o grau de exposição e as leis estatísticas bem estabelecidas. O que é que se pretende com isto? O que é que estamos pretendendo fazer com o Linux? Mantê-lo cativo de uma casta de “iluminados” ou colocá-lo nas mãos do maior número possível de pessoas, principalmente dos mais humildes e menos afortunados?

Qual é o foco do Linux? A minoria que tem tempo para ler “how to” e satisfazer seu ego na tela preta ou a enorme legião de usuários que precisam de um computador e de um sistema para trabalhar e estudar?

Qual é o público alvo? A minoria radical que vive a jactar-se que se o Linux for tão simples quanto o Windows deixará de prestigiá-lo, ou a maioria que busca a simplicidade e flexibilidade operacional?

Qual é a estratégia do Linux? Fazer do computador um desafio para distração da elite ou a solução para as massas?

Se a resposta for a favor da minoria nada mais há para dizer. Caso a comunidade esteja realmente pensando na maioria e no futuro, está na hora de uma reformulação total de conceitos e atitudes.

É imperioso que haja mais união da comunidade “opensource”. É imperioso que haja maior sintonia e compatibilidade entre as principais distribuições.

Essa união facilitaria enormemente a troca de informações, o suporte a hardware, a instalação de pacotes e o desenvolvimento de novos programas.

A fragmentação, muito embora satisfaça o ego de cada um, está muito aquém de nos conduzir à verdadeira democratização do conhecimento e só contribui para o enfraquecimento do Sistema.

Sem união não há futuro. A supervalorização da liberdade individualizada é um ato irracional próprio de animais selvagens e solitários. Somos seres sociáveis e precisamos de organização e cooperativismo para sobreviver e progredir.

Um Linux anárquico e individualizado está condenado ao fracasso. Não podemos permitir que uma boa idéia se esfarele desta maneira
A tecnologia aumenta a democracia?

A resposta imediata é: "não". Acho eu que esta seria a resposta intuitiva. Não importa. O ponto é: por que sim ou por que não?

Roger Congleton tem uma boa argumentação a respeito. O artigo está em PDF.

Economic Development and Democracy, Does Industrialization Lead to Universal Suffrage? - Roger D. Congleton - Center for Study of Public Choice - George Mason University

Abstract - Economic development is widely believed to enhance the evolution of democratic institutions. For example, it is well known that economic development often changes the distribution of wealth and education within a society and that associated change in policy interests can lead to new political alignments. However, as demonstrated below, economic development does not necessarily induce major changes in a nation’s suffrage laws.

Changes in the magnitude and distribution of wealth will induce institutional reforms only if they also change the political interests of those controlling the government. This is not necessarily the case, even in parliamentary systems whose members are chosen in competitive elections. Both the median member of parliament and the median person eligible to vote tend to be well served by the existing institutional arrangements.

However, in favorable circumstances industrialization can induce major reforms in suffrage law. One neglected consequence of industrialization is that the cost of organizing political interest groups is reduced by the same technological changes that increase the efficient scale of manufacturing and distribution, while the demand for such organizations are increased.

This paper demonstrates that industrialization can generate major suffrage reform when it empowers the “right” economic and ideological interest groups. The experience of nineteenth century northern Europe is used to illustrate the relevance of the analysis.

quarta-feira, outubro 27, 2004

Como surgem os direitos de propriedade?

Belo paper do grande Herschel Grossman (pdf): Property Rights under Anarchy

Resumo: Traditionally, general-equilibrium models have taken effective property rights to be given and have been concerned only with analyzing the allocation of resources among productive uses and the distribution of the resulting product. But, this formulation of the economic problem is incomplete because it neglects that the appropriative activities by which people create the effective property rights that inform allocation and distribution are an alternative to productive activities. This paper develops two canonical general-equilibrium models that allow for the allocation of time and effort to the creation of effective property rights to valuable resources. In one model the valuable resources are initially in a common pool. In the other model agents initially have nonoverlapping claims to the valuable resources. For both models the analysis reveals how the amount of time and effort that agents allocate to appropriative activities depends on the environment for creating effective property rights, on the technology of production, and on the scale of the economy. The paper also analyzes the security of initial claims to valuable resources and speculates about why initial claims sometimes are perfectly secure.
Blogs e jornais: democratizando a informação?

O Luís A. Assumpção, um blogeiro gaúcho, publicou um post interessante hoje. Trata-se do: Nadando contra a Maré... Vermelha: NBC desmente o "furo" do NYTimes. ZH irá reportar?

O ponto dele é o seguinte: a Zero Hora publicou uma matéria que se revelou errada. E as implicações são importantes (leia o post dele para ver o porquê).

Como no caso do falso documentário sobre Bush e o Vietnã, mais uma vez são os blogeiros que estão servindo como um saudável contrapeso aos ruídos de informação. Veja, não se trata de saber se Luís é liberal e conservador. Trata-se de que a Zero Hora, segundo o post dele, errou.

Se errou, e informou errado, vai corrigir? Ou ficará por isso mesmo?

A liberdade de imprensa é vital para o funcionamento da democracia (óbvio). Mas, claro, há o incentivo de grupos de interesse para publicarem notícias viesadas. Como se corrige isto? "Competição" é o conceito importante aqui. Ainda me lembro desta lição do bom "O Mito do Fracasso da Democracia" do Don Wittman (Bertrand Brasil editora) que, goste-se ou não, tem um bom ponto: o viés de informação é um incentivo para que, do ponto de vista dos grupos de interesse, surjam os contrapontos....sejam eles pró-X ou anti-X.
When machines dream

Uma velha conhecida do Coase Institute me mandou a matéria abaixo cujo trecho reproduzido impressiona (leia para ver se não é para tanto...).

MercuryNews.com | 02/05/2004 | Stephen Thaler's Creativity Machine: "Thaler built another neural network and trained it to recognize the structure of diamonds and some other super-hard materials. He also built a second network to monitor the first one's activities.
Then he tickled a few of the network's connections, and something began to happen. The tickling, akin to a shot of adrenaline or an electrical jolt in the brain, produced noise. In this sense, noise is not sound, but random activity. And the noise triggered changes in the network.
The result was new ideas. The computer dreamed up new ultra-hard materials. Some of the materials are known to humans, but Thaler didn't tell the network they existed. Other materials are entirely new, unknown to humans or computers before."
Convite Oficial - Summerhill no IBMEC-MG

O link para o convite oficial é este aqui.

Lembrando: dia 04.11, das 15:00 às 17:00 h.
Endereço: rua Paraíba, 330 - Funcionários. Ed. Seculus Business Center.
Momento de generosidade (se eu fosse meu aluno, ficava esperto)

Para meus alunos calouros (1o período):

1. Leia o trecho a seguir.
2. Entre nos comentários, identifique-se e responda a pergunta que está ao final do trecho.
3. O primeiro que responder, obviamente identificando-se pelo nome completo, a pegunta, corretamente, ganha 1 (um) ponto. Válido apenas até as 22:00 de hoje.

Trecho: "O projeto da Ancinav, ainda cheio de problemas e ameaças, excluiu na semana passada a proposta de taxar em 10% os ingressos de cinema. Caiu na real de que o cidadão é que ia pagar a conta, com bilhetes mais caros e menos estréias no interior. Mas um de seus defensores disse, em outra ocasião, que os lucros das distribuidoras e exibidoras – na maioria estrangeiras – estavam altos, logo seriam suficientes para absorver o novo imposto. Relaxe, leitor, não vou entrar na questão específica. O que me importa é notar como essa mentalidade antilucro ainda é forte ao sul do equador. Se os grupos multinacionais estão ganhando dinheiro, o que vem permitindo que construam mais e mais salas e invistam na co-produção de filmes brasileiros, além de pagar impostos e gerar empregos em território nacional, então viva o lucro!" [Fonte: http://www.danielpiza.com.br/]

Pergunta: O raciocínio de Daniel Piza (o autor do trecho acima) tem a ver com a elasticidade-preço da demanda e da oferta por ingressos de cinema. Se o "cidadão é que ia pagar a conta", o que você pode deduzir sobre isto?
Lamentando a política

Não posso fazer outra coisa que não lamentar...

Trecho: Chega a São Paulo uma tática que já vinha sendo usada em outras cidades. Em Porto Alegre, o PT pegou um trecho de um discurso do adversário, José Fogaça (PPS), e simplesmente lhe inverteu o sentido. Imprimiu e distribuiu. E José Genoino sai por aí dizendo que existe um clima de perseguição a seu partido... É a mesma legenda a que pertence um certo Glauco Piai, chefe do petismo na Capela do Socorro, que declarou, certa feita, depois de agressões ao candidato Serra, que o bairro estava “sitiado”.

O interessante é que esse mergulho na campanha com apelo criminoso, com a distribuição de jornal apócrifo que ainda tenta mimetizar uma publicação que realmente existe, se dá ao mesmo tempo em que a candidata Marta volta a assumir, na TV, a sua face de cordeiro, deixando de lado o lobo raivoso do último debate da TV Globo, que acabou, por sua própria obra, tendo de beber em águas turvas. Cai mais uma falácia plantada por setores do petismo na mídia: a de que o partido, em caso de risco real de derrota, moderaria a linguagem para evitar crispações políticas inúteis e para sair menos arranhado da campanha.
A arte de alocar os recursos (Humor capitalista para socialistas mal-humoradinhos)

Esta do P.J. O'Rourke é genial porque, sutilmente, mostra o problema de uma economia que tenta substituir o mercado por um "novo homem" (Frankenstein é sobre isto), "um outro mundo" ou "uma outra coisa que vamos decidir numa assembléia".

Divirta-se.

“From bumpy landing until bumpy takeoff, you spend your time in Poland looking at bad concrete. Everything is made of it—streets, buildings, floors, walls, ceilings, roofs, window frames, lampposts, statues, benches, plus some of the food, I think. Commies love concrete, but they don’t know how to make it. Concrete is a mixture of cement, gravel and straw? No? Gravel, water and wood pulp? Water, potatoes and lard?”
William Summerhill no IBMEC-MG

O prof. William Summerhill, meu historiador econômico favorito da UCLA (concorrência forte: Sokoloff e Rosenthal), estará ministrando uma palestra no IBMEC-MG no próximo dia 04.11, por volta das 15:00 (Ari sabe o horário melhor do que eu). A palestra se baseia em seu working paper: "Inglorious Revolution: Sovereign Debt, Tropical Credibility, and Financial Underdevelopment in Imperial Brazil".

O artigo está disponível comigo para quem quiser ler e comentar. A palestra deverá ser em português.

Quem é William R. Summerhill? É professor de história da UCLA, com forte tendência a estudar história econômica de países latinos.

É também um sujeito bacana que domina muito bem o português (além, obviamente, da história, teoria econômica, etc).

Se vale a pena? Vale sim. O convite é aberto a todos que queiram aparecer por lá. O endereço do IBMEC você encontra facilmente na Internet. Quem quiser cópia do artigo, deixe um comentário aqui.

terça-feira, outubro 26, 2004

Uma aula sobre bens públicos...muito parecida com a que vou lecionar hoje

Aproveite. Explica muito bem as características de um bem público.

The Private Property System, Public Goods and Market Failure
Ciclos econômicos: visão austríaca

O Nobel deste ano foi para dois autores que contribuiram para a nossa compreensão dos ciclos econômicos. Ok, você já sabe disto. Agora, existem diversas hipóteses sobre ciclos. Em Economia, inclusive, estas hipóteses podem gerar inimizades (cientistas sociais têm estas manias...) pessoais.

Eu procuro sempre manter - dentro do possível - a mente aberta. Um bom artigo sobre a visão austríaca dos ciclos (nosso prof. Ubiratan Iorio é o grande divulgador no Brasil) é este, do prof. Roger Garrison (Auburn University).

Se você quiser entender mais sobre esta hipótese, este artigo é excelente.

Overconsumption and Forced Saving in the Mises-Hayek Theory of the Business Cycle - Roger W. Garrison - forthcoming in History of Political Economy vol. 36, no. 2 (summer) 2004

ABSTRACT

Overconsumption and forced saving, though seeming antonyms, are actually cognates that describe different phases of the business cycle, as variously understood by the Austrian economists. Recognizing the sense in which the two terms are conformable helps to resolve terminological and substantive differences within the Austrian school and to show why the term "forced saving" has been such an obstacle to understanding-both within and beyond that school. Accounting for overconsumption (as well as overinvestment) allows for some reconciliation between Austrian and mainstream views, while at the same time enhancing the internal logic of the Austrian theory. As an important aside, unperceived-or only dimly perceived-shortcomings in F. A. Hayek's theorizing may help explain why Hayek was largely ineffective in responding to his critics and why he failed to produce a timely and effective critique of Keynes's General Theory.
Direitos de propriedade

Alguém pula o muro da sua casa e segue com suas intenções de te assaltar. Se você atirar nele, a Justiça brasileira vai te julgar e te encarcerar?

Eu não sou advogado, não sei a resposta. Mas vejo que há uma campanha de desarmamento promovida sem um único estudo científico que mostre que seu efeito, no Brasil, seria uma significativa diminuição da violência.

Também acabo de ler no Politsburger que um funcionário da ONU acha o Judiciário brasileiro muito ligado aos interesses políticos.

Assim, eu me pergunto se esta (tem de se registrar para ler) notícia seria a mesma se o evento ocorresse no Brasil. Aliás, a boa pergunta é: como anda o respeito pelos direitos de propriedade no Brasil? Adotamos o sistema de regras mais eficiente no sentido de favorecer a prosperidade dos mercados (sim, os mesmos mercados de que fala Daniel Piza aí embaixo)?

A notícia que me deixou pensativo: Telegraph | News | Farmer who shot burglar backed by judge.
Salário mínimo prejudica aqueles com pouca qualificação. Até Schwarznegger sabe disto

Já Kerry, Bush e outros...

Low-Skilled Workers Lose with Higher Minimum Wage: Newsroom: The Independent Institute

Trecho:

In an American Economic Review poll, 90 percent of economists agreed that minimum wage laws increase unemployment among low-skilled workers. Yet in the current election proposals to increase the minimum wage abound.

John Kerry favors hiking the federal minimum wage by more than 35 percent. He wants to raise the hourly minimum from the current $5.15 to $7 by 2007 and mandate yearly increases at the rate of inflation thereafter.

Bush has not been as specific, but a campaign spokesman told the Washington Post “the president supports a reasonable proposal that would increase the minimum wage over an extended period of time.” If most economists were called on to define “reasonable,” it should mean nothing short of “zero increase and repeal the existing requirement.” I doubt that is Bush’s definition.
Making it hurt

(...)

Schwarzenegger, a former economics major, had the good sense to veto a California bill that would have increased the minimum wage. Hopefully our presidential candidates and the voters of Nevada and Florida will learn the same lessons Schwarzenegger learned in econ 101 so long ago.

segunda-feira, outubro 25, 2004

Mais pontos para jornalistas

Sem comentários (excelente artigo de ontem).

Trechos: O projeto da Ancinav, ainda cheio de problemas e ameaças, excluiu na semana passada a proposta de taxar em 10% os ingressos de cinema. Caiu na real de que o cidadão é que ia pagar a conta, com bilhetes mais caros e menos estréias no interior. Mas um de seus defensores disse, em outra ocasião, que os lucros das distribuidoras e exibidoras – na maioria estrangeiras – estavam altos, logo seriam suficientes para absorver o novo imposto. Relaxe, leitor, não vou entrar na questão específica. O que me importa é notar como essa mentalidade antilucro ainda é forte ao sul do equador. Se os grupos multinacionais estão ganhando dinheiro, o que vem permitindo que construam mais e mais salas e invistam na co-produção de filmes brasileiros, além de pagar impostos e gerar empregos em território nacional, então viva o lucro!

Outro exemplo dessa tímida assimilação do capitalismo entre nós é a noção, que ouvi até de jornalistas em cargos importantes, segundo a qual “se uns ficaram mais ricos, é porque outros ficaram mais pobres”. Mesmo economistas renomados usam a imagem do “bolo a ser dividido”, como se o bolo fosse de tamanho e formato fixos, como se houvesse um montante máximo e manipulável de renda a ser partilhada entre as pessoas. Veja o caso brasileiro: há apenas 80 mil milionários aqui, mas muita gente acredita que são eles que causam a pobreza de mais de 40 milhões! Isso é um simplismo absurdo. Sem acumulação de capital não há sociedade que funcione, pois não haverá liquidez para investimento e, portanto, geração de emprego. O problema é que aqui o crescimento do PIB não está atrelado ao desenvolvimento social, o que depende de melhor dinheiro e gestão para educação, saúde, saneamento, justiça, etc. O grande concentrador de renda no Brasil é o Estado, a máquina pública com sua ineficiência e corrupção, que tira dos pobres para dar às curriolas e oligarquias.


Daniel Piza 1 x 0 resto da imprensa (salvo honrosas exceções). Clique no trecho acima para ler o resto.
El enigma Argentino
http://www.lanacion.com.ar/647811

En una reunión internacional celebrada en 1989, al advertir las increíbles cifras de la hiperinflación argentina, un amigo chileno, indudablemente molesto, me dijo: "Ustedes siempre llaman la atención, ya sea porque les va mucho mejor o porque les va mucho peor que a los demás. ¿Cuándo van a ser normales?" No es por nada que un lugar común entre los economistas internacionales es que hay cuatro clases de países: los desarrollados, los subdesarrollados, Japón y la Argentina. Japón porque, no teniendo los recursos necesarios para desarrollarse, sin embargo, se desarrolló. La Argentina porque, teniendo todo para desarrollarse, consiguió no desarrollarse.

Esta contradicción ha sido designada, en más de una ocasión, como el enigma argentino. Narcisistas como somos, nos queda al menos el consuelo de que nuestro "enigma" atrae de vez en vez la atención de los estudiosos internacionales, que se empeñan en develarlo. Tal es el caso de los dos recientes premios Nobel de Economía, Finn Kydland y Edward Prescott. En un trabajo titulado "La década perdida y la subsecuente recuperación de la Argentina" (Argentina´s Lost Decade and Subsequent Recovery), Kydland ha escrito junto a Carlos Zarazaga un sorprendente análisis sobre nuestros años ochenta y noventa. El trabajo es uno de los capítulos del libro que están por publicar Tim Kehoe y Prescott, el otro premio Nobel, quien ha preparado una introducción al volumen donde también analiza el caso argentino en términos afines con la tesis de Kydland y Zarazaga cuyas conclusiones, que pasamos a comentar, ofrecen una visión innovadora, diríamos revolucionaria, sobre lo que nos pasó en los años noventa y lo que podría volver a pasarnos en los años dos mil si no reaccionamos a tiempo.

El crecimiento económico de un país resulta de la conjunción de dos factores. De un lado, un aumento de la productividad. Del otro, la afluencia de capitales. Por "productividad" se entiende el promedio de producción por hora de trabajo de la población ocupada. La afluencia de capitales puede dar lugar, si es suficiente, a lo que los autores denominan "capital intensivo". La suma de una alta productividad y de un capital intensivo es la fórmula del desarrollo económico, siempre que ella se mantenga a lo largo de varias décadas. Así ha estado ocurriendo en países "estrella" de nuestro tiempo como China, Irlanda y España. Pero no en la Argentina.

¿Qué faltó en los 90?

Lo que llama la atención en el trabajo de Kydland y Zarazaga no es, sin embargo, que la Argentina no haya logrado lo que lograron países estrella, ya que esto es evidente, sino por qué no lo logró.

Durante los años ochenta, la Argentina decreció económicamente a un ritmo del 2 por ciento anual por habitante empleado. En los primeros siete años de la década del noventa creció a un ritmo cercano al 5 por ciento anual, también por habitante empleado. De 1998 hasta 2003 retrocedió como el cangrejo y está creciendo otra vez ahora.

¿Cuál ha sido la imagen convencional de los años noventa? Que la Argentina creció gracias a una fenomenal afluencia de capitales, sobre todo extranjeros. Durante este lapso, la Argentina atrajo el 30 por ciento de los capitales que llegaban a América latina, encabezando de este modo la lista de los países receptores en nuestra región.

Pero, basados en cálculos de un estricto rigor científico, Kydland y Zarazaga sostienen que esa afluencia, lejos de ser abundante, fue insuficiente. ¿Por qué crecimos entonces? Porque, al desprenderse el Estado de un alto número de trabajadores redundantes en virtud de las privatizaciones, el rendimiento por trabajador empleado, es decir, la productividad, aumentó sustancialmente. Esto fue negativo socialmente porque trajo como consecuencia el alto desempleo que todavía nos aflige, pero no por causas económicas sino porque el Estado no supo, como lo supo hacer España en parecidas circunstancias, amortiguar los efectos de la transformación económica con un oportuno seguro de desempleo.

Pero éste fue el costado social de los años noventa. En su costado económico se generó en cambio el alto crecimiento de la década gracias al aumento de la productividad apoyado a su vez por la incorporación de las nuevas tecnologías que lo hicieron posible, ya que el trabajador rinde más sin necesidad de trabajar más cuando tiene a su lado una máquina, una computadora, una organización, que potencia su esfuerzo.

Contra lo que generalmente se cree, pues, la Argentina de los noventa no fue suficientemente "capital intensiva". Vinieron capitales, pero no vinieron todos los que hacían falta para precipitar el diluvio de inversiones que necesitábamos.

Combatiendo al capital

Ahora bien: ¿por qué no vinieron todos los capitales que necesitábamos? Según los autores, por falta de confianza. No se olvide que en 1988, cuando el presidente era Alfonsín, la Argentina entró en default y que en 1990, cuando era ministro Erman González, congeló los depósitos bancarios. Si bien las circunstancias mejoraron después, siempre hubo dudas sobre la consistencia argentina. Al prolongar en exceso la convertibilidad del uno a uno, al incurrir en inmensos déficit presupuestarios, al rematar su mala conducta económica con el famoso "corralito", el default y la devaluación-pesificación asimétrica que vinieron después, la Argentina no hizo más que confirmar las sospechas de los inversores, demostrando que no es un país jurídicamente seguro. Teniendo como tenían tantas otras opciones en el mundo, los capitales se fueron a otra parte. Y no sólo los capitales extranjeros. La desconfianza, en efecto, no tiene bandera. Que haya 130.000 millones de dólares de argentinos en el exterior, casi nuestra deuda externa, basta para ilustrarlo.

Si pese al flujo que nos asombraba la afluencia de capitales no fue suficiente en los años noventa, ¿qué podríamos decir de los años 2000? A las razones que han cimentado la desconfianza de los capitales en el pasado inmediato ha venido a sumarse ahora una clara hostilidad a los inversores privados, que si bien se recubre del nuevo ánimo nacionalista que ahora nos domina, afecta por igual al capital extranjero y al nacional. Sea por las fallas de la década anterior, sea por la ideología de moda de esta década, la Argentina no demuestra ser, en suma, un país capitalista. No confía, no cree, en los capitales privados. ¿Podríamos asombrarnos si ellos le responden con su propia reticencia?

Hace una semana Carlos Zarazaga me ofreció por radio el diagnóstico final de nuestras desventuras: el problema de los argentinos, dijo, es que cada vez que están convalecientes de un mal anterior ya creen que se han curado. Lo creímos en los años noventa. Podríamos llegar a creerlo otra vez ahora. Hemos salido de terapia intensiva, pero no podemos por eso correr por el parque. Si lo hacemos, de aquí a algunos años la realidad volverá a internarnos. Solamente si, a partir de una renegociación exitosa de nuestra deuda externa, nos convertimos en un país tan amistoso y atractivo para los capitales como ya lo somos para los turistas, emprenderemos de una buena vez la marcha tantas veces demorada del desarrollo económico.

domingo, outubro 24, 2004

Não tem esta de meta-economia: tudo é economia

Quando defrontado com uma variável como "religião", há duas reações possíveis: (a) ignorar e chamar qualquer coisa que não seja preço de feijão e feijão de "meta-economia" (este é um bom nome) ou (b) tentar explicar a religião com o instrumental econômico. (Ainda me lembro do bom texto de Jack Hirshleifer dizendo que não existem ciências sociais, mas sim a ciência social...que se baseia em conceitos como custos de oportunidade e escassez...)

Não é de hoje - bem sabe o leitor mais inteirado dos assuntos acadêmicos - que economistas estudam religião, cultura, arte, etc com o ferramental econômico. Você pode até não gostar do que se faz, mas não tem como negar o mérito da tentativa: ao invés do doce refúgio de (a), alguns avançam para (b).

Quando o avanço é feito, normalmente enfrenta-se algumas dificuldades como: (i) poder de monopólio - os "invadidos" não gostam de perder mercado e, assim, fazem de tudo para impedir que economistas estudem estes tópicos que, eles acreditam, são exclusividade sua. Isto, muitas vezes, deve-se a: (ii) arrogância mútua - tanto os economistas quanto os invadidos são seres humanos e, em ambos os lados, tem gente que acha que sabe mais do que qualquer um de seus pares (e também do que qualquer outro ser humano).

Pense analogamente à uma invasão: invasão que fracassa é aquela na qual não há preparo prévio. Por exemplo: eu resolvo, amanhã, publicar um livro sobre química orgânica do ponto de vista da teoria econômica. Imagine o "sucesso"...

Já uma boa invasão é feita se você estuda o objeto (de estudo) antes. Quem faz um curso de TPE com empenho sabe do que eu falo. A revisão da literatura deve, sim, ser bem feita e alvo de atenção.

Não vou me alongar muito. É tão óbvio que tocar em assuntos como este vão mesmo gerar polêmica. Mas, se polêmica impedisse o avanço da ciência, estaríamos, ainda, nas cavernas, submetidos à ciência primitiva e a um monte de mitos interessantes sobre deuses que cospem fogo e fazem chover quando alguém não lhes dá 3 1/2 kg de caquis...

Aí vai o texto: Hotteling and Olympus: modelling differences in religious prices (texto em PDF).

p.s. repare na definição de religião na página 3.
Igreja e Economia

Vou fazer algo que o Ari sempre faz aqui: tentar atrair sua atenção com artigos interessantes.

E o que quero indicar é este: American Journal of Economics and Sociology, The: A Household Production Analysis Of Religious And Charitable Activity - Statistical Data Included - American Journal of Economics and Sociology, The, Oct, 1999 by Suzanne Heller Clain, Charles B. Zech

ABSTRACT. Two conventional wisdoms are prevalent among churchgoers with regards to monetary contributions. One is that contributions of their time and money to their church are complementary. The other is that churches are in competition with other charitable organizations for church members' contributions. This study employs the household production model to test these conventional wisdoms. The first is supported (church members who contribute more money also contribute more time) while the second is rejected (churchgoers who contribute more to their church are also more generous to other charitable organizations). Policy implications include advising churches that wish to increase members' financial contributions to focus on increasing member involvement, and to jointly sponsor activities with nonreligious charitable organizations.
Economia Política da (In)coerência

Mais um brilhante artigo do Reinaldo Azevedo (existe vida inteligente na imprensa nacional!).

Trecho: Merece o galardão o senador Aloizio Mercadante, um dos pré-candidatos (pelo visto, já em campanha) ao governo do Estado de São Paulo em 2006. Comentando a prisão de Duda, contribuiu, certamente, para uma das maiores aberrações políticas jamais pronunciadas na República. Atentem: "Briga de galo é uma coisa tão antiga que é de se estranhar uma operação tão grande da Polícia Federal de uma hora para outra. O alvo não era o galo, mas o marqueteiro da Marta, que, como todo artista, tem suas excentricidades".

E eu pergunto: quem manda ilegalizar o jogo do bicho não deveria fazer o mesmo com a briga de galo? Ou não deveria fazer nada...em ambos os casos?
Uma perda de 23% no PIB do país com subsídios de ricos
http://oglobo.globo.com/jornal/Economia/146520434.asp

Não é à toa que as negociações comerciais do Brasil com os países ricos estão emperradas. Em meio aos novos impasses nas conversas para fechar um acordo do Mercosul com a União Européia (UE) e, em paralelo, com os Estados Unidos visando à criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), uma pesquisa inédita joga luz sobre o tamanho do problema. Com o fim dos subsídios agrícolas nas nações mais desenvolvidas — EUA, UE e Japão — o Produto Interno Bruto brasileiro (PIB, total das riquezas produzidas no país) teria um avanço potencial de 23%.

Ou seja: a perda potencial devido aos subsídios concedidos na agricultura pelos mais desenvolvidos do mundo chega a 23% do PIB — cerca de US$ 100 bilhões por ano. As conclusões são de estudo feito pelo professor do Ibmec Educacional Arilton Teixeira e pelo economista Alex Pardellas.

Segundo eles, a eliminação dos subsídios aumentaria a produção agrícola do Brasil e, por tabela, levaria a um crescimento expressivo da demanda da indústria e do setor de serviços.

Para Teixeira — que teve como orientador de doutorado o Nobel de Economia Edward Prescott, premiado este mês pela Academia Sueca — a expansão da agricultura também ajudará a combater a pobreza no Brasil. Ele diz que o setor, livre dos subsídios dos mais desenvolvidos, é capaz de gerar mais empregos e renda, trazer investimentos externos e melhorar a infra-estrutura do país:

— É difícil para os países ricos, que pregam o livre comércio, tentar defender o gasto de tanto dinheiro em subsídios que prejudicam nações pobres. Estes países, inclusive o Brasil, poderiam estar bem melhores.

CNA: adiar acordo beneficia países protecionistas

Teixeira diz que, no Brasil, a agricultura não é mais explorada porque os países ricos inundam o mercado internacional com produtos subsidiados:

— Por que eles (países ricos) estão brigando tanto? É claro que os mais desenvolvidos vão sofrer com o avanço do Brasil. Com o fim dos subsídios, o impacto no PIB europeu por exemplo seria de cerca de 5%.
(...)

Alunos do PET na berlinda?

Eu nunca tive a chance de ser um dos privilegiados alunos do PET na minha faculdade. Pior para mim. Acabei me transformando em um monitor de econometria, o que pode não ser ruim, mas não tinha o status de "participante de pesquisas".

Agora, infelizmente, leio que o governo federal pretende acabar com o PET. Segundo Gaspari: Recomeçou uma briga que o PT alimentou ao tempo dos tucanos. Trata-se da sobrevivência do Programa de Educação Tutorial, o PET, pelo qual cerca de cinco mil estudantes universitários recebem assistência pedagógica. Em 1999 foi fulminado e transformou-se num item de manifestações coletivas. Só em Brasília organizaram-se três passeatas. Candidato, Lula reuniu-se com os defensores do programa e louvou-o em seu programa de governo. Empossado, aumentou-lhe o orçamento de R$ 8 milhões para R$ 14,7 milhões.

O doutor Tarso Genro sangrou o programa. As metas de crescimento foram congeladas e contesta-se a própria legalidade da iniciativa, que tem 21 anos de idade. Se o PET é ilegal, o governo deve processar todos os ministros que o utilizaram.

Independentemente do que se ache do programa, quando ele tinha a capacidade de botar gente na rua para protestar contra o governo, o companheiro Lula achava-o ótimo. Agora, ou se junta aos protestos, ou atende os professores que se julgam logrados.


Ou seja, governo nenhum quer colocar dinheiro no PET. Correto que se discuta a relação custo-benefício do mesmo (nada, aliás, mais legítimo, quando se fala de governo). Mas, ilegalidade? Este novo argumento é bem esquisito.

A conferir.