sábado, setembro 25, 2004

Eleições nos EUA

Nas eleições de 2000, a escolha era cruel. Venceu o pragmatismo e empossaram o Jorge Arbusto. Agora e’ hora de fazer o balanço. O que foi lambança, o que deu certo.

O Krugman tem uma coluna no NYTimes, na qual ele sempre argumenta deliberadamente contra J. Arbusto. Apesar de não gostar do Bush e de gostar do Krugman, não acho que um debate deva ter um único ponto de vista. Fica um debate enviesado.

Em 2004, outra escolha cruel. The Economist, porem, mais uma vez, fez o para casa. Ouviu o Kerry ( saco de cimento que não tem posição definida sobre nada), o Bush (delinqüente genocida causador de déficit interno e externo) e o eleitor ( quem realmente vai comer o presunto).

Eis ai um ponto que raramente vemos no Brasil. Uma síntese da opiniões de candidatos e eleitores sobre os temas de interesse da nação. Isto sim e’ um debate. O resto e’ tati-bi-tati.

http://www.economist.com/agenda/displayStory.cfm?story_id=3222665
Seminário no IBMEC

Um dos maiores orgulhos de um professor é rever um ex-aluno alguns anos depois da formatura e descobrir que o sujeito é competente e que aprendeu mesmo economia.

Tive vários alunos assim. E um deles estará na quarta-feira que vem, no IBMEC-MG, apresentando um artigo que, creio, é parte de sua tese. Não está ainda anunciado na página do CEAEE (o link é este), mas eu já adianto que deve ser na tarde da quarta-feira que vem. Em caso de dúvidas quanto ao horário, usem o "Fale Conosco" da página de nosso centro de pesquisas para perguntar ao Ari sobre o horário do seminário.

Meus estagiários estão, desde já, sob a obrigação de ler o texto e fazer perguntas para o Cleyzer. É texto fácil e muito útil para quem acaba de aprender Econometria.

Quem nunca foi meu aluno também está convidado. Apenas ligue para o 3247-5757 (callcenter do Ibmec-MG) e confirme presença.
Eleitores são ignorantes. Ok. Mas, por que?

Um artigo de nível médio e bom sobre isto está aqui.
Computador Popeye

O que é a tecnologia, não? Segundo esta notícia, o pessoal do MIT está desenvolvendo um computador que funciona a base de....espinafre.

Isto mesmo. Você não leu errado.

Isto me faz pensar em como é interessante pensar na complementariedade de certos bens. Quem iria imaginar que espinafre e energia elétrica seriam substitutos um dia? E que espinafre e computadores seriam complementares? E, viajando mais (afinal, caramba, estamos falando de computadores movidos a espinafre!), que tal espinafre transgênico para baratear os custos da energia destes computadores??

É isto aí. Tecnologia, ruim com ela, pior sem ela.
Políticos são toooodos iguais? Sim

Mais um sensacional artigo do Reinaldo Azevedo mostrando que o comportamento dos políticos brasileiros é perfeitamente explicável a partir das teorias de Escolha Pública. Mesmo que a academia brasileira tenha demorado para absorver os conceitos deste ramo da Economia, as evidências empíricas continuaram e continuam por aí, mostrando-se mais fortes que as mentiras dos políticos.

Links:

1. O que é Escolha Pública?

2. Public Choice Society

3. Para além da Política (livro didático e abrangente sobre Escolha Pública).

sexta-feira, setembro 24, 2004

A maior enciclopedia de todos os tempos, on line, gratuita

http://en.wikipedia.org/wiki/Main_Page
Ovários para todos

Ao invés de um "Movimento das Mulheres sem Ovários Férteis" sob patrocínio, digamos, da FENAJ-CUT, eis a solução tecnológica: transplante de ovários.

Duvida? Então dê uma olhada em Wired News: Ovarian Transplant: First Birth.

quinta-feira, setembro 23, 2004

11a ESTE (Escola de Séries Temporais e Econometria)

acontecerá nos dias 31 de Julho a 3 de agosto de 2005, em Vila Velha, ES. Serão fornecidos 2 minicursos, conferências, seções temáticas e comunicações livres.Cada minucurso terá duração de 5 horas.

Os interessados em oferecer minicursos deverão enviar suas propostas,até 30/11/2004, contendo o seguinte:
1. Nome completo dos autores, afiliações, endereços para correspondência (incluindo fax e e-mail).
2. Currículos abreviados dos autores.
3. Título do curso e conteúdo detalhado.
4. Algumas referências sobre o conteúdo.
5. Indicação do nível do curso (graduação, mestrado ou doutorado).

A escolha dos cursos será feita pela comissão cientifica do evento, até dezembro do corrente ano. A entrega dos originais para impressão deverá ser feita até 28/02/2005. Não haverá ajuda financeira para a composição dos originais, mas está prevista uma remuneração para cada minicurso.As propostas deverão ser enviadas pelo correio ao endereço abaixo, com carta de encaminhamento contendo a justificativa e relevãncia do tema escolhido.

Coordenação da 11a ESTE
Departamento de Estatística, CCEUFES, Av. Fernando Ferrari, s/nGoiabeiras,
29060-900Espírito Santo.

quarta-feira, setembro 22, 2004

Meu discurso é bonito, mas minha prática é outra

Segundo matéria do Washington Times reproduzida no Cato Daily Dispatch de hoje, 25% dos professores de escolas públicas em Washington e Baltimore colocam seus filhos em escolas...privadas.

Uau!

Ok, as pessoas têm todo o direito de errar e não querer errar mais. Afinal de contas, ora bolas, escola pública é mais barata. Mesmo assim os caras resolveram colocar seus filhos nas escolas privadas. Hummm.....

Agora, pensando mais um pouco, eu proponho uma outra pesquisa para alunos de sociologia (ou de psicologia) interessados: quantos políticos do governo federal e membros de movimentos sociais não têm, realmente, uma arma de fogo em casa?

Se os defensores do desarmamento dos cidadãos honestos realmente acreditam nisto, então eles não têm como recorrer a armas de fogo, certo? É fácil não ter arma quando você mora num palácio e é dono de centenas de policiais. Mas, e quando o mandato acabar? Será que estes caras voltam para casinhas pacatas, com apenas uma cerca elétrica e sem seguranças?

Boa pergunta e aposto que, como sempre, os dados não existem. Afinal, se você fosse político, revelaria, hoje, à imprensa, que tem arma de fogo em casa?
Mais um encontro para membros deste blog

Como você sabe, leitor, este blog tem uns quatro autores: eu, Leo, Gilson, Ari e André (ops, são cinco). O André sumiu e só aparece de vez em quando na minha caixa postal. Seria este o tamanho ótimo do número de administradores de um blog? Possivelmente. Nunca vi um blog com mais de 4 ou 5 indivíduos.

Mas vamos lá. Em um artigo não tão recente, eu, Ari e Ronald (um autor que ainda nos deve parte da revisão do mesmo), calculamos o tamanho ótimo da carga tributária bruta brasileira. Este artigo é parte de uma linha de pesquisa em que trabalho que é a "Nova Economia Política".

E ele foi selecionado para o "Encontro de Administração
Pública e Governança" da ANPAD (Assoc. Nac. Pós-Grad. em Administração), no Rio de Janeiro, em novembro. Desta vez, a apresentação fica por conta do Ari que gosta mais de praia do que eu (he he he).

E, falando nisto, um bom argumento sobre como acertar o tamanho do governo está no editorial do "O Estado de São Paulo" de hoje. Aí vai. Divirta-se.

Uma reforma para o crescimento

O governo fará um investimento de alto retorno, se cortar seus gastos e elevar o superávit primário sem aumentar a carga de impostos. Se entrar por esse caminho, como se vem anunciando há alguns dias, criará condições mais favoráveis tanto ao crescimento da economia quanto ao financiamento das contas públicas. O Banco Central poderá adotar uma política mais branda, porque o controle da inflação dependerá menos que hoje do peso dos juros.

Este efeito poderá não ser imediato, mas será uma conseqüência natural.

Quanto mais saudável a política fiscal, mais fácil é manter os preços acomodados sem apelar para o arrocho do crédito.

Não será difícil, neste ano, elevar de 4,25% para 4,5% ou mais o superávit primário, o dinheiro que sobra, nas contas públicas, antes do pagamento de juros. A receita fiscal vem aumentando mais do que o programado, em 2004, graças à combinação de uma economia mais aquecida com uma carga tributária mais pesada.

Politicamente bem mais difícil, neste momento, é a adoção de metas fiscais mais ambiciosas por um prazo de vários anos. Já se discute, no Executivo, o possível aumento do superávit primário em 2005. Nenhuma decisão foi tomada, mas parece haver boas possibilidades de uma solução positiva, apesar do aumento previsto de quase R$ 10 bilhões nas despesas de custeio, comentado em editorial de ontem.

O governo só teria a lucrar, no entanto, se desse um alcance maior a essa política fiscal mais severa. Por um prazo mais longo, deveria buscar não apenas um superávit fiscal mais volumoso, mas, principalmente, uma alteração na qualidade dos gastos.

Precisaria, para isso, buscar novos meios para cortar as despesas de custeio e para elevar a eficiência de suas despesas. Esse problema não é apenas financeiro. Sua solução depende também de padrões administrativos mais elevados.

É possível, ainda que trabalhoso, estabelecer metas de desempenho mais elevadas para a máquina pública. Para isso, no entanto, o governo deverá fazer o oposto do que vem sendo feito, em muitas áreas da burocracia, pela administração petista. Não se constrói uma boa burocracia com base no critério da carteirinha de partido ou da militância ideológica.

Um melhor padrão de gastos, com mais dinheiro para investimentos e para atividades-fim, dependerá também de uma reforma do processo orçamentário e de novos passos para o controle das despesas previdenciárias.

Sem medidas desse tipo, a maior parte da receita adicional, proporcionada pelo crescimento da economia, ficará comprometida com vinculações e com despesas dificilmente comprimíveis.

Se entrar por esse caminho, traçando com nitidez o rumo da mudança fiscal, a administração petista aumentará sua credibilidade e eliminará as últimas dúvidas sobre sua filosofia de governo. Com isso, a redução do risco Brasil, que afeta o custo do financiamento não só ao governo, mas também ao setor privado, será uma conquista muito mais segura.

É um erro grave afirmar que uma política fiscal mais severa e mais ambiciosa reduzirá o crescimento econômico e tornará mais difícil diminuir a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB). Se essa política for bem orientada, resultará em mais investimentos, públicos e privados, e em menor custo financeiro tanto para o governo quanto para as empresas.

Mas não basta mudar a qualidade do gasto público. É preciso, ao mesmo tempo, elevar a qualidade da receita, reduzindo os impostos sobre a produção.

Essas idéias podem parecer muito ambiciosas, e talvez sejam, mas seu fundamento é inteiramente realista. Nada se alcançará com a interminável discussão sobre os juros altos e sobre a escassez de investimentos públicos, enquanto o Orçamento brasileiro for tão inflexível e tão pesado quanto hoje.

Houve avanços consideráveis com a reforma da Previdência, embora incompleta, e, principalmente, com a adoção de novos padrões de responsabilidade fiscal, nos anos 90. Mas é preciso completar o trabalho. Pelo menos uma parte do atual governo sabe disso. Se o presidente também se convencer, mais um avanço importante poderá ocorrer.
Que problema?

Embora o David tenha testado os comments, o problema é que eles não aparecem, por exemplo, para mim. Coloquei uns dois comentários no post do Leo e não os leio. Respondi ao David e ele também não aparece. Seria um problema de cache? A checar.

Daqui a pouco, mais um post sobre governo e economia brasileira.
Artigos legais

Gostou de ver economistas de verdade no 1o Seminário de Economia de Belo Horizonte e ficou curioso? Então cheque, por exemplo, o último número do Review of Economic Dynamics aqui.
Problema nos comments

Há algo estranho no servidor de comments que usamos aqui. Se seu comentário não aparecer, tenha calma. Deve ser problema fácil de se resolver.
Como vencer a OPEP sem o recurso aos militares

Segundo esta notícia, isto é perfeitamente factível. Por isso pacifistas deveriam ser pró-mercado.

Trechos: Rocky Mountain Institute (RMI) Monday released Winning the Oil Endgame: Innovation for Profits, Jobs, and Security, a Pentagon-cofunded blueprint for making the United States oil-free. The plan outlines how American industry can restore competitiveness and boost profits by mobilizing modern technologies and smart business strategies to displace oil more cheaply than buying it.
Winning the Oil Endgame proves that at an average cost of $12 per barrel (in 2000 dollars), the United States can save half its oil usage through efficiency, then substitute competitive biofuels and saved natural gas for the rest - all this without taxation or new federal regulation.

"Unlike previous proposals to force oil savings through government policy, our proposed transition beyond oil is led by business for profit," said RMI CEO Amory Lovins.


E aí? Vai correndo fazer sua camisa "anti-che guevara" antes que os militares invadam a Venezuela. :D
Finalmente

Uma coisa que eu não entendia era por que os preços são fixos nos serviçoes de download de música. Da mesma forma que um CD de um artista de primeira linha custa mais caro do que um qualquer, eu pensava, por que, diabos, não cobrar preços diferenciados? (Eu também penso que o valor dos direitos de execução deveria variar. Se eu sou um artista desconhecido e quero tocar nas rádios, qual o problema de oferecer um preço mais baixo do que a Britney Spears cobra? Mas isso é outro assunto). Bem, fico feliz em saber que o EasyGroup vai lançar o seu EasyMusic, uma loja virtual de músicas. Nele, os preços da músicas vão variar de acordo com a demanda.

Esse pessoal da Easy é genial: eles começaram com uma companhia aérea, e agora têm CyberCafé, aluguel de carros e, não sei se já inauguraram, cinema. Tudo com o mesmo princípio: preços variáveis. Em períodos paradões, o preço do aluguel é baixíssimo, para que nenhum carro fique parado. Nos cinemas, tudo dependeria de quando fosse comprada a entrada. Se meses antes ou momentos antes da entrada, o preço seria baixo. Baixo o suficiente para que a sala fique lotada. Lugar vazio, quer nos aviões, cybercafés, ou nos cinemas é dinheiro perdido.
Vamos falar de sexo? (Em coro: vamos!!!)

Outro dia estava com o Leo Monasterio em Congonhas (no aeroporto, né?), esperando os respectivos vôos. Passeando pela livraria, não resisti e perguntei para o meu guru cultural:

- Leo, olha este livro. O que diabos é "metros(s)exual"?

E ele, com aquele ar de superioridade britânica combinado com o olhar de tristeza pela ignorância que grassa o mundo, disse-me algo assim:

- É mais ou menos assim, Shikida: trata-se de um cara que se veste como gay, anda como gay, parece um gay, mas fica com a mulherada.

Pensei muito nisto e concluí que o metrosexual é simplesmente um cara com utilidade CES entre "parecer homem" e "parecer mulher(zinha)" que se ajusta conforme a restrição dele. Quanto mais metro(politano?), mais ele quer parecer bichona (no bom sentido(?)) porque as mulheres gostam de ficar com homens assim (gostam?). O que eu vejo de adolescentes usando camisas vulgarmente conhecidas como "mamãe, eu sou um indivíduo de opção homossexual e ninguém tem nada com isso" (para ser politicamente chato)...

Talvez isto tudo seja uma boa piada e este papo de metros(s)exual seja apenas mais um modismo para dar dinheiro para psicólogos e alguns minutos de fama para alguns em programas de rádio ou de TV matinais.

De qualquer forma, ainda falando de sexo, o mesmo Leo, pervertido que é, acabou de enviar um dos melhores textos (engraçado e sério) sobre prostituição que já li. Um dos itens interessantes do texto é saber como o governo britânico incentiva a prostituição, pelo menos segundo a prostituta. E também verificar que quem gosta de permanecer na ilegalidade é o próprio ilegal. Por que? Veja os incentivos aqui.
Racismo em Porto Alegre - evidências legais

Um dos piores crimes da humanidade, claro, é o racismo. Há explicações econômicas para a escravidão mas há também uma dimensão moral que só não comove os racistas. O sul do país é um dos lugares de onde sempre percebo manifestações racistas. Não é o único lugar do país com racistas, claro, mas é, talvez, o lugar onde as manifestações são mais radicais. [Mas não seja radical, leitor. Racismo anti-branco entre negros e outros racismos são abundantes no Brasil...]

O Estado, provavelmente na cabeça do (e)leitor, serviria para corrigir estes problemas e educar as pessoas, certo? Não é o que parece ter ocorrido segundo este jornalista.

Bem-vindo ao Brasil, Adolf.

terça-feira, setembro 21, 2004

Mistério

Você está com muita pressa mesmo. Sei lá, tem que pagar uma taxa para um concurso cujas inscrições estão prestes a encerrar.Chega no banco e a fila é imensa. A solução é chegar na fila e dizer em voz bem alta: "Dou 20 Reais para quem quiser trocar de lugar comigo". Se alguém aceitar a troca será um incremento paretiano: ambos ganham, e ninguém da fila sai perdendo.
Perguntas: a) por que isso não ocorre com freqüência?; b) por que existe uma convenção social que diz que isso é errado? (Note que ninguém se importa pelo fato de existirem clientes VIP que não tem que enfrentar fila.
Comportamento dos jovens e Liberalismo

Os jovens são liberais? Ou apenas querem transferir custos para terceiros, garantindo sua liberdade sexual? Uma pesquisa recém-publicada na revista Banco de Idéias do Instituto Liberal dá um primeiro passo nesta direção.

O futuro da idéia liberal no Brasil: o que dizem os universitários?

Pesquisa inédita realizada pelos professores Cláudio Shikida, Ari Francisco de Araujo Jr. e Marcus Renato (IBMEC-MG) avalia o posicionamento de jovens universitários frente a questões no campo da liberdade econômica e da liberdade individual. As conclusões merecem uma séria reflexão por parte dos liberais.
Cartel e inovacao tecnologica

COCAÍNA TRANSGÊNICA NA COLÔMBIA
http://www.ibgf.org.br/index.php?data[id_secao]=2&data[id_materia]=111
O futuro da imprensa

A blogosfera ameaça a imprensa tradicional? Talvez não muito. Mas é algo que chegou para ficar. O escândalo da CBS - que fez feio no que eu chamaria de "quero ser mentiroso como michael moore" - não é o primeiro. Lembrem-se do conhecido The New York Times (favorito do cronista LFVerissimo) que teve um jornalista demitido, este ano (ou no final do ano passado) por falsificar histórias.

A blogosfera, com toda sua diversidade, apresenta, claro, os que insistem em não se comprometer com as versões dos grandes jornais. O Politsburger, por exemplo, não deixa passar nenhuma das contradições do governo brasileiro atual. O, outrora promissor, Politicus (não me lembro o link agora), tentou ser uma forma de minimizar custos de transação entre eleitores para pressionar políticos. Atualmente, contudo, é um "site" muito silencioso. Enfim, estes são dois exemplos apenas.

A minha impressão é que, nos EUA, este efeito é maior do que aqui mas, com o tempo, é possível que a disseminação do uso da internet nos leve para uma maior competição também neste ramo da economia: a informação.

A conferir.
Presente bom para mim

Não é o primeiro da minha lista de "presentes que quero ganhar", mas é um bom candidato. Principalmente porque eu gosto muito da Reason.
O governo dos EUA vai crescer, mas o DGP muda

DGP é o acrônimo de data generating process, um termo comum para quem viveu a revolução econométrica dos anos 80. Basicamente, estou dizendo que o ambiente no qual o governo dos EUA crescerá mudou. Novos condicionantes estarão guiando as mudanças agora. Se um aluno pegasse os dados do PIB dos EUA e tentasse verificar o impacto dos gastos militares, encontraria determinantes que certamente não serão os mesmos daqui para frente, segundo esta notícia.

Aparentemente, os gastos serão menos capital-intensivos a partir de agora. O investimento recairá mais sobre os soldados do que em porta-aviões ou mísseis. Claro que o lobby do complexo industrial militar (que, agora, inclui a Embraer. E aí? Vai ser contra a globalização? Vai? Vai?) produtor de aviões, mísseis, enfim, destes imensos custos fixos que andam patrulhando o mundo, vai contra-atacar.

De qualquer forma, isto me faz pensar na velha explicação do crescimento do governo: a hipótese de cost-disease. Acho que quem estudou Economia do Setor Público já viu o que ela significa. Bem, eis aí uma boa questão para se pensar, pelo menos no que diz respeito ao setor militar do governo.
Voto

O voto é algo privado, secreto. Mas eu digo a vocês que novamente vou anular o meu este ano. Os candidatos que concorrem abraçam um conjunto de idéias incompatíveis com minha visão de mundo. Como sou eu que estou empregando este cara com meu voto (pelo menos uma infinitesimal fração, né?), minha anulação significa meu desejo de não-contratação de qualquer um dos candidatos disponíveis na praça: "procurem outro emprego, caras. Vocês não servem".

Não é meu objetivo aqui, claro, discutir o meu ou o seu voto. Mas, quer saber, se eu fosse votar num candidato e morasse nos EUA, o cara que teria boas chances de ganhar meu voto (digamos, 80%), seria este.

Mas, claro, eu moro no Brasil e o povo aqui não parece me achar muito median voter.... :)

segunda-feira, setembro 20, 2004

Recomendação

Se eu pudesse recomendar um livro de econometria, eu recomendaria este, de Pindyck & Rubinfeld. Na minha época de aluno de graduação, quando comecei a poder comprar livros importados, creio que foi o segundo que adquiri (o primeiro foi outro manual de econometria de Wonnacott & Wonnacott). O livro não é o primor de sofisticação e nem é a última palavra em técnicas de estimação de VARs.

É o tipo de livro que o aluno que realmente quer aprender, mas dá de frente com a barreira do tecnicismo ("como será que posso aplicar econometria na minha vida?") de alguns livros, pode usar. Os exemplos são ótimos, a exposição da teoria também o é e, se você quer mesmo saber, eu só não indicava este livro antes porque não existia tradução.

Neste blog eu já indiquei vários livros de econometria. Bem, se eu pudesse rever minhas indicações, esta seria o meu livro preferido, seguido do livro-texto de Maddala. Os outros que existem são muito bons (como Judge et alii ou Gujarati), mas nada, na minha opinião, supera o didatismo de Pindyck & Rubinfeld. Pode comprar sem medo. Palavra de professor.
Curiosidades de nossa história

Veja uma ação da cia estrada de ferro de Araraquara neste link:História Econômica: Ação da Cia Estrada de Ferro de Araraquara.
Open source: os entusiastas gostarão mais da Microsoft?

A pergunta faz sentido se você vê um título como este: Microsoft to share Office software source code with governments.

O ponto, agora, é: será que os defensores do chamado "software livre" vão gostar disto? Por que a Microsoft abrirá o código apenas com o governo? (quem gosta de intervenção governamental em tudo tem um bom quebra-cabeças aqui)
Por que o ensino sofre?

Alunos ficam mais preguiçosos no pensar porque lhes dão videogames? Discordo. Acho que o problema surge quando ele percebe que os professores não querem lhes ensinar nada, mas apenas usá-los como massa de manobra política.

Eis aí um tema fascinante. É a tecnologia que atrapalha o ensino ou é o descompromisso do professor com a ciência que é o problema? O filósofo Alberto Oliva tem algumas opiniões sobre o último tópico.

Trecho: Chama a atenção o fato de que no Brasil faz-se justamente o contrário. A desconsideração aos fatos é gritante e o relativismo avança a cada dia dentro e fora da academia. Acredita-se cada vez mais que a realidade é mero resultado do que dizemos sobre ela. Com isso, ninguém precisa ter um pingo de humildade diante daquilo que diz conhecer. O conhecimento é livre criação que não precisa prestar contas à realidade. Já o ativismo político no Brasil é só aparente. O pensamento militante não se preocupa minimamente em desenvolver uma pedagogia da autonomia e da iniciativa. Os professores preferem ser repetidores de mantras ideológicos que entorpecem a consciência gelatinosa das crianças e adolescentes. Raros assumem a postura socrática de tentar ensinar a pensar submetendo tudo permanentemente a escrutínio crítico. A maioria prefere petrificar conteúdos a ensinar o aprendiz a se movimentar no terreno minado das frágeis e provisórias conjecturas.
Nao vai ser por falta de desculpa

Otimas desculpas esfarrapadas nao sao mais exclusividade de governos, multinacionais, multimilionarios, Quercias e Malufs. Alunos, pais, professores, patroes, empregados, maridos, esposas, etc, fiquem atentos. A coisa e' feita por profissionais e acessivel ao publico em geral.

Álibi para inglês dar uma escapada sem riscos
http://oglobo.globo.com/jornal/Economia/145949768.asp
A mentira tem pernas curtas, mas uma mãozinha profissional pode garantir passos mais seguros. Sucesso na Alemanha, as agências de álibi chegam à Grã-Bretanha nos próximos meses, com a garantia de desculpas e histórias infalíveis para a clientela disposta a disfarçar escapadas conjugais ou justificar um dia enforcado no trabalho sem suar ou levantar muitas suspeitas. Pelo menos duas empresas, a Perfect Alibi e Alibi Agent, já iniciaram sua expansão para um mercado promissor e especializado em dar ares de verdade a desculpas apresentadas por parceiros e parceiras: pesquisas recentes mostram que quatro entre dez britânicos admitem trair ou ter traído a outra metade.

As agências oferecem serviços que incluem falsos convites para seminários e testemunhas para as desculpas inventadas. Gente de vida dupla pode até mesmo obter cartões de visita fictícios e uma secretária para atender o telefone e dizer que o patrão ou a patroa estão sempre em reunião. Há pacotes para todos os gostos, bolsos e praticamente todas as necessidades, com diárias variando de US$ 30 a US$ 1.600.

“Nosso trabalho não é mentir, mas evitar que as pessoas sejam magoadas por traições ou mentiras. No caso das aventuras extraconjugais, por exemplo, é muito melhor que o parceiro não descubra, até porque affairs geralmente são efêmeros”, justifica Jens Schlingensief, dono da Perfect Alibi, em entrevista por e-mail.

Schlingensief fundou sua agência há cinco anos, depois que um amigo que ajudara a criar um álibi para uma escapada de sexta-feira à noite o recomendou para colegas de trabalho. Em poucos meses, a clientela já tinha se transformado em dezenas de pessoas. Hoje, as mulheres também usam os serviços da Perfect Alibi, que conta ainda com uma ala VIP freqüentada por políticos e celebridades alemãs.

As agências parecem pensar em tudo. Telefonemas-surpresa estão incluídos nos álibis, com efeitos sonoros para simular ruídos de multidões e conversas de fundo. Serviços úteis numa Grã-Bretanha que é uma das campeãs européias em adultério e cujo mercado da infidelidade só conta com agências de vigilância.
Interdisciplinaridade séria

Picaretagem ou avanço? Ocorrem os dois. No seminário de semana passada, meu grande (mesmo) amigo Guilhermão me lembrou desta maldita palavra. Mas nem sempre esta "salada" é picaretagem. Muitas vezes, após se tornar um expert em sua área, suas necessidades se tornam mais específicas e, assim, a troca de informações com outras áreas se torna essencial.

Aí sim, vem a tal interdisciplinaridade.

Olha aqui um bom exemplo.
Aplicar a PPP a um problema prático: privatizando o sistema prisional

O advogado Cândido Prunes tem uma proposta polêmica e cujo debate é interessante, além de importante.

Confira neste link.
Seminários....

Mais um seminário sério de Economia em BH. Desta vez, promovido pelo Departamento de Matemática da UFMG em conjunto com a FEAD.

Aí vai a programação. Neste eu não poderei estar presente (nem para debater), mas eu recomendo fortemente que os alunos interessados aproveitem esta chance de mais um intercâmbio cultural.

Quer saber mais de matemática, economia e finanças? Então veja a programação abaixo.

Seminário de Economia Matemática e Finanças

1. Dia 23 / 09 (Qui), 19:00
"Carga Tributária e Superávit Primário"
Ives Gandra Martins (Advocacia Gandra Martins)

2. Dia 30 / 09 (Qui), 19:00
"Crises Internacionais e a Formação Profissional dos Analistas de Risco"
Dionísio Dias Carneiro (PUC-Rio)

3. Dia 07 / 10 (Qui), 19:00
"Problemas de Seleção Adversa Sem a Condição de Spence­Mirrlees"
Humberto Moreira (EPGE-FGV)

4. Dia 14 / 10 (Qui), 19:00
"Modelos de Equilíbrio Geral de Falência e suas Conseqüências"
Aloisio Pessoa Araújo (IMPA / EPGE-FGV)

5. Dia 28 / 10 (Qui), 19:00
"Da Macro à Microeconomia Brasileira"
Roberto Macedo (FEA-USP)

6. Dia 4 / 11 (Qui), 19:00
"Quais as Condições para o Brasil Tornar-se Investment Grade?
O Desafio Político, Econômico e Social"
Paulo Rabello de Castro (SR Rating)

7. Dia 21 / 10 (Qui), 19:00
"Venture Capital e Private Equity"
Marcus Regueira (FIR Capital)

8. Dia 25 / 11 (Qui), 19:00
"Perspectivas para a Economia Brasileira"
Marcos Lisboa (Ministério da Fazenda)

Todos os seminários serão realizados no San Diego Convention, na Av. Álvares Cabral, 1.181. Mais informações estão disponíveis no website: http://www.mat.ufmg.br/financas/ Recomenda-se fortemente que os interessados inscrevam-se com antecedência através do website.

Vale lembrar que há uma reserva de vagas para o acesso gratuito de alunos, funcionários e professores da UFMG, bem como de convidados dos organizadores.

domingo, setembro 19, 2004

Ensino superior francês atravessa crise, diz OCDE
Relatório aponta mau desempenho e falta de investimentos


(...) a fraqueza dos investimentos franceses nos cursos superiores constituía uma fonte de atraso para o crescimento, entre outras razões pelo fato de relegar a França entre os países de "imitação" e não de "inovação"(...) http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=21613
Supondo que os calculos estao corretos, temos indicios de abuso de poder de mercado

O dinheiro investido pelos clientes rende sete vezes mais para os bancos do que para os próprios aplicadores. A cada R$ 10 mil investidos, o aplicador pessoa física recebe de volta, na melhor das hipóteses, R$ 10.130 em um mês – com rendimento nominal de 1,3% (ganho médio do investimento atualmente). O banco, por sua vez, aplica esse dinheiro em títulos públicos e operações de crédito e, dessa forma, transforma os R$ 10 mil em R$ 12.324. O saldo de R$ 2.194 representa o que o Banco Central chama de spread. É a diferença entre o quanto os bancos pagam de juros aos poupadores e investidores (a chamada taxa de captação) e o prêmio (juro) que cobram dos tomadores de empréstimos e financiamentos.

Descontando as despesas que os bancos têm com administração (pagamento de pessoal, segurança etc.), com os tributos e com a inadimplência, o banco tem um ganho de R$ 920 sobre os R$ 10 mil captados de seu cliente. Enquanto isso, a instituição financeira paga apenas R$ 130, ou sete vezes menos do que lucrou na operação. Em termos percentuais, dá uma diferença de 600%. (...)
http://www.superavit.com.br/noticias.asp?id=29336