sábado, maio 31, 2003

Onde está a honestidade?

A idéia que bastam seis passos para conectar qualquer pessoa no mundo já se incorporou ao conhecimento geral dos cientistas sociais. E uma das áreas de pesquisa mais quente, hoje, é buscar as relações entre a análise de redes sociais com a Teoria Econômica.
O chato de toda a história é que o estudo inicial que afirmava a idéia dos seis-passos, feito por Milgram na década de 60, talvez tenha falhas seríssimas. Uma pesquisadora se deu ao trabalho de chafurdar nos arquivos dele na universidade de Yale e encontrou muitos furos. Leia mais aqui.

Outra:
Esse final de semana eu li o ótimo livro de Louis Couty "A Erva-mate e o charque" de 1880. A edição em português é recente e era um livro difícil de ser encontrado. Em Capitalismo e escravidão no Brasil Meridional (1962) , o FHC se baseia em tal obra para argumentar que os problemas das charqueadas vinham do uso de mão-de-obra escrava. Realmente o Couty diz isso, mas existe um monte de outros questões chave (inovações, produtividade e racionalidade dos charqueadores) em que suas observações vão de encontro com FHC. Por que ele só escolheu uns trechos em que havia concordância?

Qual é a lição disso: desconfie. Desconfie muito.
Prêmio!

Enquanto no Brasil alguns dinossauros ressuscitam a discussão matemática versus economia, o IBMEC, com seus qualificados membros de seu conselho acadêmico vão tocando sua vida com sucesso.

É certo que Levitt não leciona aqui, mas seria bom ouvir sua opinião sobre qualquer coisa (relacionada com Economia).

Membro do conselho Acadêmico do Ibmec é condecorado com a Clark Medal, da Associação Americana de Economia

Steven Levitt conquista uma das mais importantes condecorações da academia dos EUA. Economista calcula que a criminalidade rouba do Brasil 10% do PIB ao ano

O economista, professor e pesquisador da Universidade de Chicago (EUA), Steven Levitt, é o ganhador da John Bates Clark Medal 2003. Trata-se de uma das mais prestigiadas condecorações da Associação Americana de Economia. A medalha é concedida, a cada dois anos, a pesquisadores na faixa etária dos 30 anos. Além da Universidade de Chicago, Steven está ligado ao Conselho Acadêmico do Ibmec Educacional, do qual é membro efetivo.

Levitt ganhou notoriedade no meio acadêmico por tratar de forma provocativa e com rigor científico temas polêmicos. Um exemplo é o paper produzido por ele sobre as implicações sociais e econômicas advindas da legalização do aborto nos EUA dos anos 70. Levitt sustenta que, como resultado, a taxa de criminalidade no país foi reduzidaa nas décadas posteriores, já que a legalização diminuiu o nascimento de crianças não desejadas - público que tem maiores chances de tornar-se adulto propenso ao crime. As conclusões do estudo provocaram a ira tanto de liberais, quanto dos conservadores americanos. Os economistas, contudo, não puderam ignorar a contribuição do estudo de Levitt para a ciência e elaboração de políticas públicas.

O vencedor da Clarck Medal é um especialista no chamado custo econômico do crime. Em seu estudo "Crime: Causas, Custos e Soluções Possíveis", Levitt utiliza dados sobre violência no Rio e em São Paulo. Ele calcula que a criminalidade rouba do Brasil o equivalente a 10% do PIB, por ano. Para os EUA, a estimativa dele é que a perda de bem-estar ligada ao alto índice de criminalidade impõe custo anual de 4% do PIB norte-americano.

A Clarck Medal é tida como precurssora do prêmio Nobel em Economia. Gary Becker, Milton Friedman e Michael Spencer estão na seleta lista dos nobéis de economia, que também colecionam a John Bates Clark Medal.
Divisão do trabalho

Filmes divertem, não necessariamente ensinam. E vice-versa para professores. Disso eu já sabia, pois pouca gente se diverte em minhas aulas (e uns engraçadinhos tentam se divertir mentindo sobre faltas em final de semestre....muito divertido mesmo...para mim).

Mas aí embaixo vai um comentário sobre um novo filme de Adam Sandler. Esperemos que o mesmo passe no Brasil.

TCS: Tech - Mr. Deeds Goes to Wall Street
Mr. Deeds Goes to Wall Street
By Stephen W. Stanton05/29/2003

Hollywood just does not understand Wall Street. If some movie stars have their way, neither will anybody else.
(...)
Should we expect movies to educate us? Of course not. Entertainers entertain. Educators educate. We must be careful not to confuse the two.

quinta-feira, maio 29, 2003

Os expertos

Você é daqueles que entendem bulhufas de Futebol? Beleza. Sua previsões serão tão boas quanto as dos especialistas. Ao menos foi isso que o estudo abaixo encontrou em um experimento sobre a Copa de 2002. Isto é, voê estava certo: qualquer um pode debater num daqueles programas futebolísticos de domigo.

Forecasting the fast and frugal way: A study of performance and
information-processing strategies of experts and non-experts
when predicting the World Cup 2002 in soccer


Andersson, Patric (Center for economic psychology) ; Ekman,
Mattias (Stockholm Health Economics AB) ; Edman, Jan (Penn State
University)


Abstract: This paper investigates forecasting performance and judgmental
processes of experts and non-experts in soccer. Two circumstances
motivated the paper: (i) little is known about how accurately experts
predict sports events, and (ii) recent research on human judgment
suggests that ignorance-based decision-strategies may be reliable.
About 250 participants with different levels of knowledge of soccer
took part in a survey and predicted the outcome of the first round of
World Cup 2002. It was found that the participating experts (i.e.,
sport journalists, soccer fans, and soccer coaches) were not more
accurate than the non-experts. Experts overestimated their
performance and were overconfident. While the experts claimed to have
relied on analytical approaches and much information, participants
with limited knowledge stated that their forecasts were based upon
recognition and few pieces of information. The paper concludes that a
recognition-based strategy seems to be appropriate when forecasting
worldwide soccer events.

Keywords: Expert predictions; Information use; Judgmental forecasting; Overconfidence; Recognition heuristic; Sports forecasting

Downloads:
http://d.repec.org/n?u=RePEc:hhb:hastba:2003_009&r=all

quarta-feira, maio 28, 2003

Construindo instituições na África

O que foi feito contra o holocausto africano? - NICHOLAS D. KRISTOF - The New York Times

Trecho: As potências ocidentais poderiam garantir a segurança dos governos africanos que se comprometessem com a democracia. A idéia, que atrairia investimentos para as democracias, está no livro Africa's Stalled Development (Desenvolvimento Paralisado da África).

Liberais e conservadores concordam com a necessidade de um perdão generalizado da dívida. A África está asfixiada por uma dívida externa de US$ 217 bilhões.

Pense em comércio, mais que em ajuda. Incentivos para construir fábricas baratas no Senegal ou Etiópia poderiam repetir o sucesso de Bangladesh na exportação de roupas.

Deveriam ser suspensas gradualmente políticas agrícolas socialistas na Europa e EUA. Os subsídios agrícolas ocidentais custam aos países pobres US$ 50 bilhões em perda de exportações. A melhor forma de os EUA ajudarem um país democrático que luta com dificuldades como Mali é parar de gastar US$ 2 bilhões em subsídios para produtores de algodão americanos, de forma que os camponeses do Mali possam produzir para os mercados mundiais.

A África está quebrada e precisa de atenção de alto nível para ajudá-la a se estabilizar. A iniciativa do presidente Bush de destinar uma ajuda de US$ 15 bilhões para combate à aids foi uma medida importante e mostrou-se surpreendentemente popular entre a população americana.
Frase porreta

"Live free or die. Death is not the worst of evils."

Frase dita por John Stark na época dos EUA colonial e adotada pelo estado mais libertário daquele país: New Hampshire.

Achei ótima a frase.
p.s. Juliana encaminhada na monografia. Ver o entusiasmo fazer seu trabalho na cabeça da aluna é um benefício não-pecuniário que, quiçá (quiçá? Eu, heim?!), aumenta um pouco minha utilidade. Vamos ver o que acontece....
A pior imposição de Bush

Obviamente é o imposto! Tabarrok, do The Independent Institute (um bom think tank!) tem um comentário sobre a proposta do presidente Bush. Quem conhece o conceito de equivalência ricardiana verá que o autor está fortemente influenciado pelo mesmo.

Mas...se você não gosta de pensar que os indivíduos sejam ricardianos, então talvez os cortes de impostos sejam bons mesmo...ou não?

WHEN A "TAX CUT" ISN'T ONE

It sounds like a bad joke told by an economically literate stand-up comic: When is a "tax cut" not really a tax cut? When it isn't offset by a reduction in government spending. In that case, it is more accurate to call the "tax cut" a deferred tax increase. (That's why the joke's not funny!)

According to Alexander Tabarrok, research director of the Independent Institute, this is precisely the case with President Bush's proposed "tax cut"; it's really a tax shift, Tabarrok argues, to a future where taxes already were expected to increase significantly to pay for growing Social Security and Medicare liabilities.

"To grasp the difference between a tax cut and a tax shift, we must first understand that what ultimately drives taxes is spending," writes Tabarrok in an op-ed carried last week by United Press International.

"If spending increases, as it has under the current administration, then sooner or later taxes must increase (or inflation, a type of tax, will go up).... If spending isn't cut, then less taxes today means more taxes tomorrow. Thus, the Bush tax cut plan is really a plan for future tax increases....

"Conservatives used to argue that the public didn't want big government but was fooled by deficit financing and other hidden taxes into thinking that it costs less than it actually does. Today, conservatives seem to believe that the public does want big government and that the only way to curb government growth it is to fool the public with lower taxes today so that the costs of government will be so high tomorrow that no one will accept the offer. How cynical.

"Will deficits in fact force future administrations to cut spending? It's possible but I am fearful. The combination of changing demographics and current tax cuts is seeding out economy for a fiscal 'perfect storm.' When the storm hits there will be a crisis, and as economist and historian Robert Higgs has ably demonstrated in CRISIS AND LEVITHAN, small government rarely does well in a crisis."

See "What Tax Cut?" by Alexander Tabarrok (5/22/03) http://www.independent.org/tii/news/030521Tabarrok.html

Also see:

"Taxation, Forced Labor, and Theft," by Edward Feser (THE INDEPENDENT
REVIEW, Fall 200) http://www.independent.org/tii/content/pubs/review/tir52_feser.html

Independent Institute archives on taxation, see http://www.independent.org/archive/taxation.html

terça-feira, maio 27, 2003

Alguém ensine Economia para o presidente!!

Lula: distribuidores e donos de postos são “malandros”

segunda-feira, maio 26, 2003

Os campeões e a desigualdade

A notícia esportiva do final de semana foi que os brasileiros ocuparam as 3 posições do pódio da corrida de Indianápolis e o Nelsinho Piquet ganhou na Inglaterra. Outras áreas em que o Brasil costuma se dar bem são Hipismo, Iatismo e Asa delta. Na outra ponta, somos campeões de esportes populares como futebol e, com menor intensidade, atletismo.
Tenho uma hipótese testável sobre isso. É o reflexo da desigualdade brazuca. Se o fato de sermos campeões em esportes capital-intensivos e no outro extremo, em esportes trabalho intensivos deve ser encontrada também em países com desigualdade semelhante, enquanto países mais igualitários terão outro perfil. Eu não vou testar isso, mas se algúem o fizer, diga, por favor, que "a hipótese Monasterio foi não falseada".
(Ainda no papo de boteco, ouvi uma ótima: sabendo qual o esporte praticado dá para saber qual como foi a influência inglesa. Se o povo pratica cricket, foi uma colônia pra valer. Se for futebol, os nativos aprenderam o esporte com os operários e, portanto, foi um país em que a maior influência foi na construção da infraestrutura. Na India, o cricket é o esporte nacional, enquanto no Brasil....)
Fall in Love...for Economics

Alguns ex-alunos dizem que vão casar (tem gente que ainda cai neste golpe.....:-) ). Outros estão chateados com o rumo do relacionamento. Outros, ainda, fogem deste tipo de envolvimento.

Todos querem ser felizes, certo? Certo. Então, aproveitem e se apaixonem por Economia! Ops, você já é apaixonado(a) com isso? Então una o útil ao agradável no divertido capítulo abaixo linkado:

Chapter 21
The Economics of Love and Marriage


This chapter consists of two parts. The first discusses the economics of marriage; it starts with an analysis of the marriage market and goes on to consider what marriage is and why it exists. The second part of the chapter is devoted to the economics of altruism: the analysis of rational behavior by an individual who values the welfare of another. It demonstrates that altruism, which one might think of as outside of economics, actually fits neatly into economic theory. The result is not merely to accommodate the theory to an important feature of the real world but also to use economics to derive some surprising results about the consequences of altruism.


O texto é do David Friedman, sim, filho de quem você está pensando...

p.s. Divirta-se também aqui
O espaço...a fronteira final...

O Leo Monastério tem este dom de me enviar links de temas que adoro ou que odeio. Quem me conhece, sabe. Doação de órgãos para transplante, economia do conflito, e direitos de propriedade no espaço são alguns dos temas que adoro discutir (ultimamente, comigo mesmo...).

Também gosto de outras coisas cujo grau de compartilhamento com outros seres humanos, numa escala de zero a um, é próxima de -3.56, com desvio-padrão de 0.05 (cálculos na sola do sapato de um colega meu do IBMEC ou em algum lugar deste quarto bagunçado!).

Anyway, aí vai um link bacana que o Leo me enviou sobre a exploração privada do espaço. Aliás, há um texto - agora publicado no excepcional Journal of Political Economy sobre explorações privadas e públicas na exploração do Pólo Norte. Sei que existe um link para uma versão ainda em formato working paper no The Independent Instute. Mas estou com preguiça de procurar agora.


BBC NEWS | Science/Nature | Private spacecraft tested
Scaled Composites, one of the competitors for the X-prize, has carried out a test flight of its SpaceShipOne vehicle mated underneath its White Knight airplane.
Ética em Belo Horizonte

Bem, os mineiros que não tenham nada para fazer no dia 3 e 4 de Julho, podem comparecer a essa conferência. O bacana é que ter uma apresentação do Amartya Sen via videoconferência e é de graça. Mas é só. O resto vai das apresentações, ao que parece, vai ser apenas de políticos, burocratas ou de representantes de empresas. Eu avisei que era só para quem não tivesse nada para fazer.
Manhã

Nada como ver a rampa semi-pronta para quem tem dificuldades para caminhar, na porta do IBMEC. Isso é um alívio para quem se preocupa com isso. :-)

domingo, maio 25, 2003

Economia do Sono
Havia um erro no meu post anteriror. O agente maximizador passa na cama 9,231 horas/dia e não 9.231 horas. Espero que esse pequeno deslize não tenha causado nenhum problema para um de nossos leitores.
O problema é que sabendo que uma pessoa comum dorme 8 h/dia, Bergstrom se pôs a perguntar o que era feito na cama com essa 1,231 horas que sobram? Sem saber a resposta, ele chamou isso de Atividade X. O Thiago em um brilhante, mas não reconhecido comentário, antecipou o que seria a Atividade X. Mas tenho que admitir que a contribuição mas importante foi de uma mulher:
The Deeper Economics of Sleeping: Important Clues toward the Discovery of Activity X (in Miscellany)
Emily P. Hoffman
The Journal of Political Economy, Vol. 85, No. 3. (Jun., 1977), pp. 647-650.

Alterando as funções, ela conclui que o tempo ótimo que um casal pratica a Atividade X é de 4,706 horas/dia (ou será 4 mil e setecentas horas)!!! Caramba!
Não vou dizer nada, mas sugiro que vocês olhem a página pessoal da Senhora Hoffman para ver a plausibilidade da previsão gerada pelo modelo.

Por fim, o assunto da Economia do Sono rendeu mais um texto:

Sleep and the Allocation of Time
Jeff E. Biddle; Daniel S. Hamermesh
The Journal of Political Economy, Vol. 98, No. 5, Part 1. (Oct., 1990), pp. 922-943.

Infelizmente, os caras fizeram um texto sério, que nem tenta descobrir a Atividade X. É.. a década de 70 era mais interessante.
Bombas inteligentes, população, nem tanto...

"Sacanagem", você vai dizer. Mas, sarcasmo à parte, esta notícia é interessante para quem curte Economics of Defense ou Economics of Conflict, duas áreas que caminham bem próximas entre si.

Direto do "O Estado de São Paulo", o trecho de uma das duas matérias a respeito (a terceira, como o leitor poderá ver no site do jornal, é um diagrama mostrando o que nossas bombas fazem).

A notícia ruim é que continuamos vivendo em um país que tem instituições estúpidas, como mostra a violência diária...

O Brasil já domina a sofisticada tecnologia das bombas inteligentes, guiadas por sinais de satélite, intensamente utilizadas pela aviação americana na guerra do Iraque. O projeto privado, da Avibrás Aeroespacial, de São José dos Campos, foi iniciado há três anos. A empresa estima que o mercado internacional adquira 50 mil unidades do equipamento, até 2006, ao preço médio de US$ 21 mil a peça.