sábado, março 05, 2005

quinta-feira, março 03, 2005

Por que é que eu não perco as coisas?

Outro dia eu estava atravessando a rua quando me assustei: "será que havia deixado cair a caixinha do acessório que transforma meu velho óculos e um óculos escuro? Afinal, eu a deixo, ocasionalmente, no bolso da camisa e estava no ônibus...".

Abri a pasta e, aliviado, vi que estava lá.

Pensei: "Puxa, ainda bem que puxei ao meu pai e sou cuidadoso. Normalmente só esqueço coisas sem importância monetária...".

Foi então que tive meu momento "Duilio" (veja o blog Planeta 23 nos links fixos ao lado) e, embora sem o mesmo brilhantismo do mesmo para as crônicas (e com menos loucura também...), comecei a imaginar o porquê disto. Deveria eu agradecer meu pai por ter me dado, em seus 50%, esta característica precavida?

Então me vi perdido em um cipoal de teorias. Em resumo - bem-humorado - são elas:

I - Neoclássica/Mainstream

Não preciso agradecer meu pai porque se eu sou prevenido é porque o decidi intuitivamente de forma a maximizar meu custo-benefício no sentido correto (ou seja, maior benefício por menor custo).

II - Neoclássica/Mainstrem com Sociobiologia

Não preciso agradecer meu pai porque se eu sou o receptáculo de um gene (egoísta) que manteve a "prevenção" para a perpetuação da sua sobrevivência (ou maximização das chances de sua sobrevivência ao longo das gerações).

III - Austríaco-Schumpeteriana-Hayekiana

Não sei se devo agradecer. Ser prevenido é algo que eu descobri e adotei como estratégia empreendedora. Ou será que meu pai inovou me ensinando isto quando eu era pequeno? Mas se a vida dele é diferente da minha e temos experiências distintas, talvez seja tudo uma coincidência...e se as circunstâncias mudarem, terei de me adaptar, não necessariamente com a mesma prevenção...agradecer? Depende...

IV - Marxista

A prevenção é uma ilusão da classe burguesa. O que importa é se ela serve ao propósito da dialética marxista (não a hegeliana que é feia, boba, chata e idealista). E o meu pai será superado na história. Agradecer a ele seria socialisto-cientificamente errado.

V - Novo-Institucionalista

A minha prevenção é apenas uma norma informal que compartilho com outros da minha sociedade. Posso ser mais ou menos prevenido conforme os incentivos cuja elaboração, por sua vez, é algo bastante complicado. Agradecer ao pai pode ser uma boa norma, mas teria a ver com minha polidez, por sua vez, um bom incentivo.

Humor de economista é assim...
Como diria um certo ministro tenso: o feitiço pode virar contra o feiticeiro...

Liberdade política gera liberdade econômica? Liberdade religiosa gera liberdade política? etc? Não sei ao certo. Mas quando o conselho de jornalista....digo, um governo repressor e censor enfrenta uma situação inesperada, uma situação que pode ocorrer é esta...


Fonte: http://www.ucomics.com/glennmccoy/

Fino humor...

terça-feira, março 01, 2005

Política e Economia

Bom artigo: The Arab Street - A vanquished clich?. By Christopher Hitchens

Trecho: In Iraq, Muslim militants place bombs in the mosques of those Muslims they regard as heretics. In Afghanistan and Pakistan, too, the Salafi and Wahhabi extremists commit murder against Muslims they deem unclean or unorthodox. And in the West, there are non-Muslims who excuse such atrocities as "resistance." These are often the same as those who hailed what they thought of as the "street." I don't think they should be indicted for hate crimes, but they should be made to understand that what they say is hateful and criminal, as well as sectarian. The battle for clarity of language is a part of this larger contest, and it is time for the opponents of terror and bigotry to become very much less apologetic and defensive on this score.

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Excesso de confiança ou erro de percepção ?

Valor Economico, 25/02/2005, p. A44
Cláudio Djissey Shikida e Gilson Geraldino Silva Jr
Professores do Departamento de Economia do Ibmec

Quando se trata de negócios, espera-se que os envolvidos em determinada indústria tenham uma boa percepção do seu setor. Uma maneira de verificar a acuidade perceptiva dos empresários é comparar suas opiniões sobre o que acham que vai ocorrer ("priori") com o que ocorreu ("posteriori"), no setor em que atuam. Se a "priori" está sempre próxima da "posteriori", então os empresários estão acertando. Eventuais discrepâncias podem ser atribuídas a erros de percepção.Erros sistemáticos, porém, podem ser preocupantes.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) vem produzindo, desde 1999,uma pesquisa trimestral sobre a confiança dos empresários afiliados. De acordo com as informações metodológicas fornecidas pela CNI, os membros da confederação são questionados sobre as condições gerais, as condições atuais e as expectativas sobre o desempenho da economia.

Os indicadores são construídos com base nas freqüências relativas das respostas apresentadas pelas empresas. Cada pergunta permite cinco alternativas excludentes a respeito do comportamento futuro da variável em questão. No caso da produção, por exemplo, as alternativas são queda acentuada, queda, estabilidade, aumento e aumento acentuado. As alternativas são associadas, da pior para a melhor, aos escores 0, 25, 50, 75 e 100.

O indicador é a média desses escores, ponderada pelas freqüências relativas das respostas.O índice resultante varia numa escala de 0 a 100. Valores abaixo de 50 indicam que os empresários não estão confiantes com relação à economia brasileira, e valores acima de 50 significam que os empresários estão confiantes.

Quando observamos o comportamento desses três índices (ver gráfico), percebemos que a confiança no futuro, dada pelas expectativas, está sempre acima da confiança nas condições atuais. Assim, desde o terceiro trimestre de 1999 os empresários consultados pela CNI estariam superestimando o desempenho dos mercados.

Considerando que esses indicadores vêm sendo utilizados para balizar tomadas de decisões tanto pelos membros da CNI quanto por outras instituições, como o Banco Central, surge a seguinte dúvida: há erro na pesquisa ou há erro de percepção?

Desconsiderando, mas não totalmente, a possibilidade de erro metodológico (viés amostral ou insuficiência da amostra, uma vez que a CNI não tem como obrigar os empresários a responderem os questionários), restaria o sistemático erro de percepção. Mas ao que se poderia atribuir esse erro? Talvez a um excesso de confiança no governo como garantidor dos lucros do setor privado.

Desde os primórdios da República, o governo do Brasil intervém para ajudar o setor privado, em particular os exportadores. As estapafúrdias atuações no mercado de café na primeira década do Século XX ilustram bem esse fato. Vale lembrar as medidas tomadas nos governos de Getúlio Vargas. Entre 1933-1937 houve significativaintervenção na cafeicultura. Para evitar queda nos preços da safra 1933-1934, 40% da colheita foi destruída, 30% estocada e somente 30% disponibilizada para livre negociação. Entre 1931 e 1943 foram destruídas mais de 70 milhões de sacas de café. Além disso, o governo fez generosa renegociação da dívida dos cafeicultores: abatimento de 50% e prazo de dez anos para pagar. Não há como ser pessimista comrelação ao futuro numa conjuntura como essa.

Além das intervenções diretas no mercado de café, existiam as ajudas indiretas, feitas através da adoção do sistema de taxas múltiplas de câmbio. Num dos momentos do governo Vargas, o país teve sete taxas de câmbio. Cinco do lado da oferta, sendo uma oficial fixa, válida para 85% das exportações de café, algodão e cacau; três taxas de câmbio flutuantes para as demais exportações, equivalentes a 15%, 30% e 50%da taxa oficial; e uma taxa de mercado livre.

As outras duas taxas atendiam à demanda. Uma delas para importações essenciais (equivalente a 2/3 do total das importações), serviços ligados a essas importações, remessas financeiras do governo, rendimento de capital estrangeiro de interesse nacional, e juros e amortizações de empréstimo de interesse nacional. E outra para bens e serviços que não se enquadravam nas categorias especificadas.

A recente intervenção do Banco Central no mercado de câmbio sinaliza para o setor exportador que ele pode continuar otimista. Afinal, perante a menor ameaça de comprometimento das margens de lucro devido às flutuações cambiais - algo absolutamente normal em um regime de câmbio flexível - os exportadores sabem que o governo fará algo para ajudá-los. No caso, evitar que o dólar fique muito barato em relação ao real.

Mas isso não está restrito ao setor exportador. Aqueles que produzem somente para o mercado doméstico, como é o caso de energia elétrica, não têm por que ficarem pessimistas. A Light que o diga. Ganhou um aumento extemporâneo de tarifas para compensar o desequilíbrio no fluxo de caixa. Idem para as companhias aéreas privatizadas, que ainda vivem em braços estatais. Elas terão uma forma de se livrarem do ônus de décadas de má gestão em renegociações que podem ser tão generosasquanto as que foram feitas com os cafeicultores no governo Vargas.

Assim, na verdade, talvez não haja erro metodológico ou de percepção por parte do empresariado, mas confiança absoluta no fato de que, se o mercado não melhorar, o governo intervirá para compensar a conjuntura adversa, independente dos esforços de produtores e investidores.
Mundo cão

Vejam o post no Marginal Revolution. Não existe nada mais triste.

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E seu professor de HPE não falava dela...

Ayn Rand é quase desconhecida no Brasil. Em boa parte por barreiras erigidas por gente comprometida com ideologias autoritárias (claro) e, em parte, por desconhecimento mesmo.

Não importa. A internet - exceto em Cuba, Coréia do Norte e na China (menina dos olhos de muita gente...) - serve para isso mesmo: quebrar barreiras - inclusive a dos ideólogos.

Então, deixemos este papo de lado e vamos ao que interessa. Ou melhor, leitor, dá uma boa olhada no post linkado abaixo. Vale a pena.

EconLog, Ayn Rand, Economic/Political General Equilibrium Theorist, Bryan Caplan: Library of Economics and Liberty