sábado, junho 18, 2005

Toda a unanimidade é burra e toda diversidade tem argumentos e "argumentos". Escolha seu lado

Alguns dissidentes que encontrei numa hora de descanso...

1. É o Yuan um problema? Steve Hanke acha que não.

2. A produtividade japonesa era o que se dizia na década dos 80? Não para William Lewis.

3. E, finalmente, um número especial do Journal of Economic Behavior and Organization em homenagem a Vincent e Elinor Ostrom, dois grandes economistas neoinstitucionalistas.
Isto, para mim, é muito óbvio...

...e é sempre uma surpresa quando converso com algum brasileiro médio a respeito: sempre há alguém que acha que pode mandar em minha vida porque sabe o que é melhor para mim.

Leia mais clicando no trecho de mais um excelente texto do Walter Williams: Let's start with the question: Who owns Walter E. Williams? Is it President Bush, the U.S. Congress, the Commonwealth of Pennsylvania, or do I own myself? I'm guessing that any reasonable person would agree that I own Walter E. Williams. The fact that I own myself means that I have the right to take risks with my own life but not others'. That's why it's consistent with morality to mandate that my car have working brakes. If my car doesn't have working brakes, then I risk the lives of others, and I have no right to do so. If I choose not to wear a seatbelt, then I risk my own life, which I have every right to do.
Alguém achou um sítio de apostas para esta?

Eu não tive tempo de procurar, mas aposto que tem algum na internet para tentar prever quem será o próximo presidente do Irã.

Iran to Have 1st Presidential Runoff Ever - Yahoo! News
Modelo chinês de desenvolvimento

Mais uma do governo chinês: Human Rights Watch demands end to harassment of China AIDS activists.

Não é a toa que tantos emigram...
Ambientalistas contra a parede?

Bacana esta notícia sobre o governo japonês combater fanáticos países anti-caça às baleias. Por que é bacana? Bem, primeiro há o discurso que é idêntico ao dos ambientalistas fanáticos (sim, eles existem aos montes e são perigosos, ao contrário dos ambientalistas sérios). Segundo, porque há argumentos interessantes que valem a pena serem analisados. Por exemplo:

"Cows, which are generally considered food, are sacred animals in India. Deer are considered divine messengers on the Japanese island of Kinkasan but are just a common menu item in French cuisine," it says.

"It should be called an act of 'cultural imperialism' and should not be tolerated that certain ethnic groups or peoples press their sense of values towards animals of their selection on other groups or peoples."


Ou seja, para quem acha que relativismo cultural é o máximo na hora de falar mal da "globalização" e outros mitos, eis um argumento que vale para defender o tratamento que as mulheres islâmicas têm no Irã (todas foram proibidas de lançar candidatos à presidência porque...são mulheres!!) e também para outras atrocidades.

Como diz Richard Dawkins, tambor e magia não levam o homem à Lua. Mas ciência leva. Então, guarde o relativismo cultural na lixeira e vamos em frente.

sexta-feira, junho 17, 2005

Muita coisa bacana

...também está aqui.
Breves

1. Tanto Ari, como André, nossos mais infrequentes membros, manifestaram o desejo de, sim, continuarem por aqui. Ou seja, posts ocasionais deles aparecerão no blog. Que jóia.

2. Por que os comentários não devem ser anônimos? Você é um convidado no blog. Nós, como no Commons Blog (link fixo ao lado), defendemos o bom ambiente de conversa aqui tanto quanto em qualquer lugar. Gostamos de gente que não se porta de maneira mal educada.

3. Em breve, uma página interessante para se visitar...aguardem.

quinta-feira, junho 16, 2005

Se a China fosse economia de mercado...

...ela teria medida de liberdade econômica no Fraser Institute. Acho que nem tem. E, ademais, liberdade econômica nem sempre vem com liberdade política como mostra esta nacreditável notícia.

Enquanto Guantánamo é discutida em todos os jornais norte-americanos, a China não quer nem ouvir falar de "democracia" na rede...

E dizem que é modelo de desenvolvimento (como se, no início do século XXI, alguém pudesse falar em desenvolvimento como algo descolado de instituições)...

quarta-feira, junho 15, 2005

Imprensa

Em um dos posts abaixo, citei um famoso escritor que reclamava da qualidade da imprensa brasileira. Dizia que a mesma era muito "pró-globalização". Honestamente, não sei de onde ele tirou isto.

Mas, preferências à parte, já diversas vezes tive a oportunidade de dizer que imprensa livre não necessariamente gera maior crescimento econômico. Existem análises "econômicas" na imprensa nacional que dão nojo de tão ruins.

Será que a qualidade da imprensa importa? Provavelmente sim, mas não da forma como queria o cronista. Talvez o que seja mais interessante na imprensa seja seu papel investigativo. Nesta semana, a imprensa brasileira prestou enorme serviço à estabilidade democrática, trazendo as mais diversas análises sobre a crise da corrupção (ou da honestidade...) no governo federal. Ao mesmo tempo, nos EUA, notícias sobre o debate acerca do uso de Guantánamo são fartamente noticiadas na internet.

Não tem "Conselho Federal de Jornalismo" censurando, não tem unanimidade nos blogs, etc. Já na China, menina dos olhos de muito s "intelectuais" (entre aspas mesmo, e também sem aspas, para alguns...) brasileiros, a palavra democracia sai tão caro para a Microsoft que...bem, vocês leram as notícias esta semana.

Mas será que a imprensa é de boa "qualidade" em todos os países desenvolvidos? A notícia abaixo me faz pensar que não. E é interessante. Divirta-se.

Japanese TV journalism gets a celebrity makeover
Dissonância cognitiva

George Akerlof, Nobel de economia, foi o primeiro a trazer o conceito de Festinger (psicólogo) para o debate: dissonância cognitiva.

Entretanto, as mais criativas aplicações econômicas da dissonância são as do Byran Caplan, que está na coluna de links fixos aí ao lado.

De qualquer forma, se você acha isso uma besteira, pense na notícia abaixo.

Serbs divided over grim video - Yahoo! News
BC

Será uma interessante e difícil tarefa para futuros alunos de mestrado e doutorado analisar, econometricamente, se a decisão do Banco Central, de a taxa de juros estável, após nove aumentos consecutivos foi uma decisão puramente macroeconômcia ou motivada pela crise política da semana.

Honestamente, não sei a resposta.

Agora, a pergunta que fica (e que ninguém está fazendo) é: ok, tem quarentena para presidente do BC no setor privado, mas como confiar na política monetária em ano pré-eleitoral quando o presidente do BC não nega (e nem afirma) sua candidatura ao governo de um dos estados da federação?

Não seria o caso de uma quarentena para cargos públicos eletivos?

terça-feira, junho 14, 2005

A globalização, novamente

A globalização é neoliberal? Bem, só se neoliberalismo significar um governo menor (em termos de empreguismo público e estatais) e mais eficaz em suas ações. Pelo menos é o que diz um resultado preliminar ilustrado no gráfico abaixo.

Claro, outra globalização é possível, mas eu prefiro a realidade ilustrada pelo gráfico. Será que ela resiste a um estudo econométrico mais profundo? Provavelmente sim. Agora, a investigação é por conta de cada um. Se algum leitor quiser enviar um link para algum artigo sobre o tema, com tentativas de verificação empírica, seja bem-vindo.

Antes que eu me esqueça, o sistema de comentários mudou um pouco, para facilitar as conversas. Como sempre, partimos do princípio que o debate de idéias é ótimo quando feito: (i) com educação, (ii) com transparência e (iii) com bom humor.

Como foi o Dia da Liberdade de Impostos em Porto Alegre?

Já comentei aqui. Mas nada como algumas fotos.



Fonte: Liberdade de Impostos

segunda-feira, junho 13, 2005

Correio....nos EUA

Nos EUA, após 111 anos, o setor privado passou a ser o emissor de selos para cartas. A notícia está aqui.

No Brasil, o governo é quem manda nos correios e, bem, leia os jornais...
Não, a vida não é simples...


Fonte: http://www.cis.org.au/Events/CISlectures/occasional/Kasper250500.htm
Globalização e empreendedorismo

Alguns de meus últimos posts e artigos no RPLIB frisaram a questão do tipo de empreendedorismo que gera desenvolvimento econômico. Em resumo, sabemos que empresários respondem a incentivos e que, nem sempre, estes vão na direção do maior desenvolvimento sócio-econômico. Termos bonitos como "responsabilidade social da empresa" podem mascarar um comportamento distorcido do empresário a partir de incentivos errados (do ponto de vista do crescimento econômico) gerados por quem faz as leis (o governo).

Acho que este ponto merece mais do que palavras. Na verdade, acho que há muito a ser feito e eu e o Ari estamos pensando em um trabalho conjunto sobre o tema.

Em diversas ocasiões tenho dito que é sempre bom começar com uma correlação simples e partir para a construção de uma idéia sobre os principais problemas envolvidos (leia-se: "variáveis envolvidas no problema").

Por exemplo, uma delas, a TEA (Taxa de Atividade Empreendedora), cujo conceito, na minha opinião, capta apenas um aspecto do empreendedorismo, é a melhor candidata para se medir o "empreendedorismo" até que se crie um melhor. Em um post anterior (reproduzido no RPLIB), mostrei a relação que a TEA possui com a corrupção, o que nos lança uma luz sobre a bela (porém empiricamente falsa) idéia de que o "Estado ajuda os empresários". Muitas vezes, como já dizia Stigler, o Estado ajuda alguns empresários destruindo a vida de outros empresários, com medidas anti-concorrenciais disfarçadas de "regulação".

Desta vez, leitor, veja que interessante: não há uma relação clara entre empreendedorismo e globalização. Muita gente fala que a globalização é destruidora disto ou daquilo, sem qualquer preocupação em mostrar dados. Esperaríamos que países mais globalizados fossem menos empreendedores ou mais empreendedores? Do ponto de vista "Sou contra a Globalização - I", a resposta seria: "países exploradores destroem nossas empresas". Em outras palavras, quanto mais globalizado o Brasil fica, menos empreendedores teria (esquecendo, claro, da "exploração" de nossas empresas na Bolívia ou na Argentina).

No discurso "Sou contra a Globalização - II", a resposta, por sua vez, seria: "a globalização inculca na mente do povo esta ideologia capitalista, logo, o empreendedorismo aumenta". Ou seja, muda o sinal da relação.

Num discurso "Sou contra a Globalização, mas sou sofisticado", teríamos: "a globalização, em termos históricos, só é possível pelo alto grau de empreendedorismo de alguns países que, por sua vez, exploram, ao longo do tempo, outros países, não lhes permitindo desenvolver seu empreendedorismo nativo". Obviamente, fica difícil saber o que é "nativo" e quanto tempo isto leva (o tempo necessário para que o discurso seja verdadeiro?).

Como se vê, não há um consenso entre os "inimigos da globalização" quanto ao ponto. Muitas vezes há receio de que o discurso gere até mesmo perda de recursos que empresários destinam aos próprios autores destes discursos, daí a ambiguidade de opiniões.

Pois bem, independente de sua posição sobre a globalização e empreendedorismo, que tal começar analisando alguns dados? Este talvez seja o papel do economista-educador: desfazer mitos do discurso fácil do dia-a-dia. Neste sentido, o gráfico abaixo mostra a relação entre a posição do país no ranking de globalizaqção e de empreendedorismo.



Note que é difícil tirar conclusões, quaisquer conclusões, com o gráfico acima. Não está clara, por exemplo, a relação entre globalização e empreendedorismo....e instituições (lembre-se do post citado sobre corrupção). E a informalidade? E o nível de renda per capita?

Leitor, eis aqui mais um tema a ser explorado. Principalmente para o aluno do ensino médio ou da graduação, que procura a verdade oculta por trás dos dados e interpretações. Esta busca, friso, nunca termina. Mas partir para esta jornada torcendo o nariz para os dados é arrogância pura.
Perguntinha

Conversei, na semana última, com alguns profissionais de jornalismo. O assunto foi o das famosas assessorias de comunicação. Como o nome indica, trata-se de alguém que te assessora em sua comunicação com alguém, normalmente um jornal ou revista, para não fazer uma lista muito longa...

Ok, alguns pontos para a reflexão dos leitores que também são jornalistas ou que queiram discutir este ponto.

1. Existe o direito de livre-expressão. Não é irrestrito e é papel do assessor te alertar. Não é a toa que sempre peço (e nunca colocam, exceto no www.rplib.com.br) que digam que "as minhas opiniões são minhas, não necessariamente de instituições às quais eu esteja vinculado"). Não colocam porque é óbvio, certo? Certo.

2. Assessores de comunicação muitas vezes temem (têm pavor, para ser exato) de jornais. Por incrível que pareça, você os paga e eles não fazem o trabalho para você. Deixa eu ser mais específico: aparentemente, muitos destes assessores temem perder relacionamentos com editores de jornal. Como se editores fossem ultra-vaidosos e malucos (alguns são, claro) e assessores perdessem toda a chance de colocar um artigo de algum cliente seu lá porque, digamos, o cliente pediu uma errata de um artigo anteriormente publicado cujo erro foi do jornal.

Os dois pontos acima, se corretos, mostram-me que jornalistas - alguns deles - não entendem o significado de direitos de propriedade. Muitas vezes se confundem, embora entendam. Digamos que eu seja um funcionário da IBN. Digamos que eu queira publicar um artigo sobre tecnologia num jornal. Mando para o assessor que está bem ciente de que quem assinará o artigo - assumindo toda a responsabilidade por seu conteúdo - sou eu. Mas o assessor é meu? Não, é da IBN. Então ele pensa: "se eu publicar este artigo e der problema, a direção da IBN vai me demitir" (nota: ele pensa isto se vive no Brasil, onde minha observação n.1 parece nunca ser respeitada...).

Neste momento, ele transforma meu artigo (note o "meu") em algo que é "dele". E aí envia para o jornal após alguma revisão. Entretanto, o sujeito que assina ainda sou "eu".

Suponhamos que seja publicado mas que seja com erro ou com cortes do editor do jornal - sem aviso prévio - o que caracteriza, sim, quebra de direito de propriedade.

Eu, o autor, surpreso, ligo para o assessor que me recomenda: "ah, não mexe com isto não que eu perco o contato no jornal".

Moral da história: falta explicar para muita gente o que são direitos de propriedade e mercados. Um mercado - o jornalismo é um mercado, pois vende jornal - não funciona em toda potencialidade se não há respeito por direitos de propriedade. É verdade que não vai publicar qualquer coisa, sem revisão, óbvio. Mas também não faz sentido alterar textos alheios sem consulta e publicá-los. O assessor, neste caso, deve ter em mente a quem serve.

Minha opinião sobre esta discussão toda é a seguinte: embora exista um relaxamento absurdo sobre o respeito aos direitos de propriedade, o ideal seria que o funcionário da IBN tivesse um assessor próprio, contratado por ele. Claro, numa sociedade em que o direito (leia-se: "liberdade") de expressão seja tolhido pelo medo de alguma suprema autoridade (leia-se: "normalmente o Estado, temido por editores, jornalistas, blogueiros, etc"), o custo de, simplesmente, expressar uma opinião é muito elevado.

Resumi um bocado a conversa, mas espero ter deixado clara a mensagem, leitor.
Ser contra a globalização é ser contra a Petrobrás

Quando eu falo de globalização , muita gente começa a me xingar: "Cláudio, você é um entreguista"! "Cláudio, você quer que nossos trabalhadores sejam explorados por multinacionais"!

Ao mesmo tempo, muitos destes críticos defendem a antiga campanha do "O Petróleo é nosso" que mais deveria se chamar: "O (custo) do petróleo é nosso (e o prejuízo é de quem os nossos políticos decidirema que seja, com ou sem mensalão)".

Ok que nossos intelectuais-(quase-?)pensadores digam isto. A democracia é assim: cada um fala o que quer...mas ouve o que não quer. E o pior é quando ouve isto de quem...diz o mesmo que ele, mas não é seu companheiro de bar.

Bem, quando é que um destes nossos amigos enérgicos e de belos discursos contra o "capital internacional" esperaria ouvir queixas de um similar latino-americano...contra o Brasil? Pois eis um sujeito que tem o que falar: Jaime Solares, secretário-executivo da Central Operária Boliviana (COB).

Em entrevista no "O Estado de São Paulo" de ontem, ele disse algumas frases interessantes. Como sugestão, pergunte aos seus amigos nacionalistas o que acham dos trechos abaixo...

1. Petrobras? É um anjo com asas negras, igual ao demônio.

2. Há duas formas de tomar o poder. Pela insurreição popular ou pelas eleições democráticas burguesas. Não nos convém simplesmente tomar o governo, como Salvador Allende (presidente no Chile, anos 70). Há que tomar o poder e ele nasce do fuzil. Para isso, temos de consolidar um processo igual ao que (fez) o coronel (e presidente venezuelano Hugo) Chávez.

3. Se há uma crise energética no mundo, por que a Argentina e o Brasil compram gás boliviano a um preço irrisório? Companheiros, aqui não há país amigo. Há interesses.

Ou seja, na prática, o discurso do socialismo solidário e sem fronteiras não resiste à realidade...
Mais CAFTA

Quem leu meu post sobre o CAFTA pode voltar a verificar como a Escolha Pública é importante na compreensão teórico-empírica das alocações de recursos promovidas pelo Estado.

Segundo o "O Estado de São Paulo" de ontem, a negociação foi colocada em xeque. E não foi por causa do Chávez ou do Lula. Veja: Dois membros de seu partido, Michael Crappo, de Idaho, e Craig Thomas, de Wyoming, ambos republicanos, ameaçam juntar-se à minoria democrata e aprovar uma resolução de altíssimo custo político, em reunião da comissão de Finanças do Senado marcada para amanhã. A iniciativa eliminaria do acordo a irrisória abertura do mercado de açúcar, que os EUA ofereceram no Cafta, e proibiria o Executivo de considerar quaisquer novas concessões em tratados futuros, como a Rodada de Doha ou a Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

Por que eles fizeram isto? Se você der uma olhadinha no post anterior sobre o CAFTA, descobrirá que o mercado de açúcar pode ser irrisório economicamente, mas não em termos políticos...