sábado, abril 10, 2004

Mais do mesmo

Para defender os livres mercados de seus críticos, portanto, precisamos mostrar não apenas o quanto de nossas vidas prósperas se deve a eles, mas também por que as desagradáveis paródias de capitalismo registradas em boa parte da história recente não representam fielmente a empresa de livre mercado. (...) E, além disso, tentaremos convencer o leitor de que não nos deparamos hoje com a escolha de Hobson entre um socialismo corrupto e um capitalismo corrupto como foi o caso durante boa parte da história. Há um caminho melhor e ele está ao nosso alcance.

De onde veio isto? Do livro que, a cada página, entusiasma-me mais. Difícil mesmo é aguentar o pseudo-papo de bar que supõe que a culpa de tudo que acontece é do livre mercado.

Agora, um alerta aos amigos liberais: este livro não é baseado em Mises e Hayek. Portanto, há uma escolha clara para quem acredita em mercados. Trata-se de deixar de discursos raivosos contra o uso da matemática em economia e focar os verdadeiros problemas do uso excessivo de matemática e o uso excessivo de verborragia ideológica travestida de ciência.

Estes problemas já foram apontados por Deirdre McCloskey (The Sins of Economics, um excelente mini-livrio) e por toda a carreira de Peter Boettke (basta ver seu espírito aberto na direção da Review of Austrian Economics).

O resto das opiniões, estas que negam Easterly, De Soto, Zingales, Buchanan, Tullock, Hayek, Olson e Friedman sinceramente, precisam de uma boa neosaldina para acabar com a ressaca.

Tá bom, tô entusiasmado. Mas é meu direito. Afinal, o livro é bom, o povo do blog é bom e eu, claro, sou o dono da bola, digo, do blog.

Uma pizza e uma cerveja, por favor!
Para quem se interessar, achei um material interessante sobre Computational Economics.


Aí vai!!!
Salvando o Capitalismo

Por que este livro DEVE ser lido por todos que se preocupam com as reais causas do desenvolvimento e com os verdadeiros perigos à prosperidade?

Bem, aí vai um exemplo.

Não há como negar que os custos da concorrência e da mudança tecnológica afetam desproporcionalmente alguns segmentos. Infelizmente é principalmente sua voz, e não os desejos da maioria silenciosa ou os interesses das gerações futuras, que influenciará os políticos. O perigo das políticas conservadoras é ignorar as preocupações dos perdedores ou a ameaça que eles representam para a prosperidade geral. A política liberal (nota minha: liberal, aqui, no sentido norte-americano, ou seja, exatamente o oposto do que entendemos por liberal ou, de outra forma, algo como "social-democrata") está igualmente equivocada quando ataca o sistema que cria os perdedores em lugar de admitir que se trata de um aspecto inevitável do mercado".

Eu usaria este livro junto com o já citado do Easterly (ver algum dos posts recente), com o do Sen ("Desenvolvimento como Liberdade") e com o Mitchell & Simons ("Para além da política") se fosse professor de Desenvolvimento Econômico ou Economia do Setor Público. Apesar da importância dos modelos matemáticos nestas matérias, creio que o argumento relevante está muito bem exposto nestes livros.

É fácil ver que os maiores inimigos do capitalismo são os que não gostam da concorrência. Ou seja, para mim, este livro é a última pá de cal nos argumentos irracionais (um nome educado para o que se passa na minha mente agora...) que dizem que: "concorrência/capitalismo é algo ruim, feio, malvado e neoclássico ou neoliberal".

A partir de hoje, acabou minha paciência com estes argumentos. Acha isto mesmo? Então compre e leia estes livros. Se, depois disto, você continuar pensando assim, então você tem um problema (parece arrogante, mas, honestamente, não é).
!!!!!



Em breve, comentários sobre esta sensacional aquisição.
Os economistas precisam ser mais humildes

De novo, William Easterly. Nesta entrevista a O Globo ele faz ótimas observações sobre a diferença entre crescimento e desenvolvimento; os limites dos modelos econômicos e, principalmente, sobre o complexo de Pink e Cérebro que muita gente em economia tem. Abaixo, dois trechos que achei muito interessantes.

(...) Os estudiosos do desenvolvimento têm enfatizado que as instituições são a chave para o crescimento econômico, mas essa teoria está sob intenso debate. Fala-se em instituições no sentido de democracia, livre mercado, ambiente regulatório apropriado, com direito à propriedade e respeito a contratos, além de baixa corrupção e judiciário e polícia honestos. Muitos argumentam que isso é importante para o desenvolvimento e este tem sido o principal modelo dos últimos três anos. Mas agora alguns economistas estão começando a questioná-lo, afirmando que o arcabouço institucional surge com o desenvolvimento, em vez de causar o desenvolvimento. (...)

(...) Os economistas hoje têm que ser mais humildes, afinal de contas, nas últimas duas décadas, todas nossas recomendações simplesmente falharam. (...)

sexta-feira, abril 09, 2004

E mais uma vez os dados não mostram o que os lobbistas clamam...

E já usando o "Number Watch", nosso novo link fixo, aproveito para mostrar a importância dos dados para nossos eco-fanáticos-anti-estatísticas.

O ponto já foi destacado por Lomborg ("O Ambientalista Cético"), provavelmente já foi tratado no link fixo aí ao lado, Junk Science, e, agora, há um pequeno FAQ mostrando que, no mínimo, um eco-fanático deveria pensar duas vezes antes de afirmações peremptórias sobre a temperatura média da Terra (se é que este conceito faz sentido).

Como diria Karl Marx, hic, ambientalista, hic salta!

Is there such a thing as average global temperature: "All the satellite data tell us at the moment is that there are no dramatic changes of temperature occurring."
Excelente link! Será colocado como link fixo, junto ao "junk science"!!!


Veja a falácia da anorexia no número de ago/2001!!!! Amazing! (notem o uso do inglês, claramente mostrando que estou hipnotizado pelos norte-americanos malvados :D)

Here is a lovely silly season story from the New Scientist that was picked up widely across the media, which illustrates one of the more common statistical fallacies

June babies have higher risk of anorexia

19:00 08 August 01
Alison Motluk


Anorexic women are most likely to have been born in the spring or early summer, reports a researcher in Scotland. The finding raises the possibility that a common winter infection, such as flu, may predispose an unborn baby to the condition.

"It's not the whole answer," says John Eagles of the Royal Cornhill Hospital in Aberdeen. But it could be an unrecognised cause of anorexia nervosa, which affects around one per cent of girls in the US.
Preferências e consumidores

Uma pausa para uma preferência particular minha: gerar renda para o sistema capitalista através da repetição de filmes antigos, preferencialmente de má qualidade.

Este aqui, por exemplo, tem um enredo (e um título) totalmente malucos... B-Notes - Mars Needs Women (1967)
É a globalização

Xenófobos brasileiros deveriam falar tupi-guarani pois, afinal, o português é uma língua importada por colonizadores sanguinários, né?

Pois a xenofobia linguística é uma das mais estranhas que eu conheço. É algo como: "nossa língua é estática, pura e a interação com outras línguas é maléfica". E, claro, nossa música é melhor que a americana (qual delas? o jazz? o rock? o zydeco? o blues? o country?...), nossa língua é a mais bonita do mundo e não temos do que reclamar.

Haja preconceito! Mas o uso das línguas é um dos melhores exemplos de interação entre demanda e oferta que eu vejo no mundo. A troca de termos é marcante. Quem ouve música japonesa pop sabe disto. Mas esta é uma via de mão dupla.

Anime sparks Japanese word boom


By Sumiere Kunieda
Mainichi Shimbun

April 5, 2004

LOS ANGELES -- New Japanese words are creeping in the vocabulary of American society. While many of them aren't in English dictionaries yet, the Internet is flooded with them.

Type in "kawaii" (cute), "etchi" (indecent), "otaku" (fanatic), "bishojo" (beautiful young girl), or "onigiri" (rice ball), on Google's search engine and you'll come up with thousands of results for each.

Why have words such as these infiltrated the language? One reason, it seems, is the popularity of anime -- Japanese animation characterized by colorful graphics and lively characters.


Bye, bye, xenófobos... :D
Eu realmente nunca vi isto

Quem confunde "freedom fighters" com "terrorists" pode fazer seu julgamento. Terroristas ameaçam queimar civis capturados e indefesos. Seres humanos, não.

Mainichi Interactive - Top News: "In a video message sent to and aired Thursday by Qatar-based broadcaster Aljazeera, the hostage takers said they would burn the Japanese nationals alive unless Tokyo withdrew its Self Defense Force (SDF) troops."
O Google novamente

Bem, aí embaixo o Shikida, postou sobre o serviço de busca Scirus, especializado na área científica. Tenho usado-o nos últimos dias e é realmente impressionante. Além de ser bastante abrangente, se você quiser, ele te lista apenas os artigos nos periódicos científicos.

Talvez por inércia, eu não consigo me livrar do Google. Parece que se eu não fizer a busca lá estarei perdendo alguma coisa importante, ou traindo o serviço. Bem, eu tenho uma tremenda admiração pelo Google. Alguém escreveu, e eu concordo, que o Google é uma inovação tão importante para a humanidade quanto o arado. Exagero? Bem, isso os historiadores da tecnologia do ano 2100 vão responder.

Eu já sabia que o algoritmo que o Google usa para classificar as páginas era revolucionário, mas agora aprendi também a estrutura por trás disso tudo também é revolucionária. De acordo com esta matéria, ao invés de um super-mega-hiper computador, eles têm 100.000 (!!!) servidores baratos rodando em rede. Se um deles dá pau, o sistema operacional percebe e desvia o processamento. O conserto pode ser feito depois. O grupo de pesquisadores que criou isso tudo também é impressionante; tem até o tal de Rob Pike, um dos criadores do Unix. A lista de publicações dessa turma pode ser encontrada aqui. (Agradeço ao Pedro Doria, do Weblog do Nominimo pelo link original)
Quem foi Peter Bauer?

Elogiado por McCloskey, ignorado no Terceiro Mundo, Peter Bauer ganhou o Prêmio Milton Friedman do ano passado. E, claro, muita gente nem sabia quem ele era (eu incluso).

Quem, afinal, era este cara? O que ele pensava sobre as teorias de desenvolvimento econômico?

The work of the great free market economist and classical liberal Lord PeterBauer

quinta-feira, abril 08, 2004

Para os Liberais de Plantão!!!

Parece-me uma revista interessante (Policy do The Centre for Independent Studies). Aí vai um artigo, como exemplo, do grande Buchanan:

Public Choice: Politics Without Romance
James M. Buchanan
Na era dos weblogs , o jornalismo não tem donos

Recentemente coloquei um post aqui sobre este assunto. Volto com o tema, que é um fenômeno mundial.

O fenômeno dos weblogs chegou ao jornalismo provocando um debate apaixonado na internet e nas universidades americanas porque afeta vários valores tradicionais da atividade jornalística. O texto que segue é a versão preliminar da apresentação do professor Jay Rosen, diretor da Escola de Jornalismo da Universidade de Nova York, na conferência BloggerCon, marcada para a segundo quinzena de abril, na Universidade Harvard. É o primeiro grande evento acadêmico para debater o futuro do jornalismo na era dos weblogs.
Google x Scirus?

Segundo a Wired, o novo engenho de busca é somente para informações científicas. Conheça Scirus - for scientific information!!
O que, afinal, é Economia?

O falecido Paul Heyne responde esta pergunta com muita propriedade. Bom para estudantes, em formato pdf.
Anti-americanismo

Leitores deste blog podem se sentir, às vezes, inquietos quanto aos EUA. Ou são contra qualquer coisa que venha de lá, ou a favor. Às vezes, condenam o governo americano por coisas que ele não fez e vice-versa.

De qualquer forma, este livro deveria ser referência obrigatória no exame da obsessão anti-americana.

Uma coisa é criticar certas políticas do governo dos EUA. Outra é acusar os EUA de serem isolacionistas e, em seguida, pedir a intervenção dele em Kosovo (para citar um exemplo).

Vale dizer: críticas devem ser consistentes. Revel ajuda a botar um pouco de ordem na casa.
Afinal, quem são os curdos?

A grande imprensa dá muita atenção a palestinos e judeus. Mas eu tenho lido pouco sobre este povo, os curdos. E é bom lembrar que estes caras sofreram um bocado quando Saddam resolveu usar armas químicas contra eles. Bem, não são turcos, não são judeus, não são árabes....quem são os curdos?

O início da pesquisa pode ser através deste site. Mas veja também a agência de notícias deles aí nos links fixos ao lado.
Econometria Zero !

A editora FGV acaba de lancar este manual de econometria. Segundo os autores, três princípios norteiam o livro : " falar menos e exercitar mais", " confiar na criatividade dos alunos" e " aprofundar o conhecimento da matemática, em vez de evitá-la". Isto faz sentido, pois ainda tem gente que acha que quem estuda econometria acaba virando neolcássico; e que há uma matemática burguesa e outra socialista.
A temível iniciativa individual

Nada como a "temível" iniciativa privada. Agora, com foguetes. Confira no link abaixo.

Yahoo! News - Government Licenses First Private Rocket

quarta-feira, abril 07, 2004

Sindicatos: defensores...do próprio bolso?

Sindicatos de empregados são vistos com simpatia por muita gente. Pudera: há muito mais membros na CUT do que na FIESP.

Ok, mas sindicatos não são feitos de anjos. Há seres humanos normais lá dentro. E, alguns deles, claro, estão muito preocupados com o próprio bolso. Confira clicando no trecho abaixo e depois se pergunte: são os sindicalistas mais próximos do bom selvagem rousseauniano ou do homo economicus?

"Isso cria uma verdadeira indústria de ações trabalhistas, indústria de litígio. Eu conheço casos concretos em São Paulo, mas deve existir em outros lugares do Brasil, de sindicatos que procuram o funcionário demitido após a demissão e oferecem a ele pagar uma quantia à vista em troca de ele ceder todos os direitos de acionar um empregador na justiça - o que for obtido fica pro sindicato. Você chegou a uma situação de mercado secundário de ações trabalhistas no Brasil. Quem sofre com isso, além da empresa, é o próprio trabalhador brasileira, porque não se cria o emprego nessas condições. Os bancos, por exemplos, preferem a automação, porque o risco de litígio e de passivo trabalhista é muito alto."
Em homenagem aos meus alunos fumantes

Um dia destes eu me vi no meio do furacão em uma tarde no IBMEC. Claro, as aulas de dúvidas nem sempre são só para dúvidas. Alguns alunos gostam de extrapolar os exercícios e isto é bom em algumas ocasiões.

Esta foi uma delas.

A aluna, no caso, fumante, viu-se cercada por argumentos de seus colegas (não-fumantes) sobre proibições e tudo o mais. Tudo começou com um exercício daquele livro de introdução à economia do Mankiw.

Bem, eu sou mais coasiano do que pigouviano. E acho que a aluna fumante gostaria de ler esta matéria.

A propósito, eu só fumo charutos.
Exércitos privados

"A Defesa Nacional é um bem público".

Esta frase é comum nos livros-textos. Contudo, há que se considerar duas coisinhas importantes:

a) A defesa local não é um bem público. É um bem semi-público (um bem de clube, para ser exato...), pois é fornecido apenas à localidade. Por isso você tem guardas municipais ou PM's estaduais.

b) A tecnologia muda o caráter do bem público. O que é um bem público? Não é nada mais do que um bem não-rival e não-excludente. Ou seja, nada a ver com "produzido pelo Estado". Aliás, o Estado nem sempre usa este critério. Correios, por exemplo, são ofertantes de bens absolutamente privados e, por outro lado, programas de rádio privados são claramente públicos.

Bem, o que é "não-rival" e "não-excludente"? Basicamente, a primeira característica diz respeito ao fato de que o custo marginal (na margem de pessoas que o consomem) é zero. Isto é, você pode colocar mais um consumidor que o custo de ofertar o bem é zero. Como diz David Friedman, é um caso de monopólio natural com CMg = 0. A "não-excludabilidade (não-excludência)" diz respeito ao fato do produtor não poder controlar quem tem acesso ao bem.

Assim, é fácil ver que a tecnologia pode, sim, transformar a defesa de um bem público para privado (pense nas cercas elétricas dos prédios....elas são vendidas por empresas privadas!). E é este o assunto de um post que coloquei aqui há algum tempo e, claro, é também o motivo da matéria "O Mercado e a Guerra" que tem uma perspectiva bem pessimista quanto ao funcionamento do mercado.

Embora eu discorde de seu pessimismo quanto ao funcionamento do mercado, creio que ele levantou uma discussão importante.
Para quem interessar, um artigo meu que saiu na Gazeta Mercantil de hoje (Estou colocando o original, sem algumas alterações que foram feitas pelos editores na última hora). Pauladas são bem vindas!!!

Economia Política dos Ovos de Páscoa

Qualquer pessoa que tenha noções de Economia deve saber que a competição é salutar, produz incentivos que maximizam o bem-estar social. Os preços dos bens seriam "justos", o lucro econômico igual a zero, os insumos (trabalho/capital) remunerados de acordo com os benefícios que geram na produção etc.

Mas os setores empresariais não podem ser caracterizados como competitivos, muitos são concentrados. Daí surge outro preceito: se o mercado falha na produção da situação descrita acima, os governos deveriam implementar mecanismos para solucionar tal falha. Será que os governos possuem esta capacidade?

O que tem os ovos de Páscoa, símbolo popular de uma data religiosa que se aproxima, com isso tudo? O segmento de chocolates no Brasil é concentrado. Apenas três marcas possuem quase 90% do mercado. E poderia ter se tornado mais concentrado já que, em decisão surpreendente, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, rejeitou a operação de aquisição da Garoto pela Nestlé, realizada em 2002. No caso Ambev, por exemplo, o CADE fez algumas restrições e manteve a fusão.

E quanto à questão levantada? O Estado possui burocracia científica e condições de sucesso na empreitada? O brasileiro acha que tem. Tanto é que, desde 1962, o CADE é o órgão responsável pelo zelo ao livre mercado.

Mas, apesar desse suposto preparo institucional, não podemos esquecer das conseqüências. No caso da decisão sobre Nestlé/Garoto, alguns podem até acreditar que seja acertada, sinalizando que o Brasil teria organismos de defesa da concorrência funcionando. Mas o estado intervencionista gera outros custos para o setor produtivo oriundos do processo político.

Por exemplo. O governador do Espírito Santo já se preocupa com os efeitos da decisão sobre o estado, onde é a sede da Garoto. E os impactos não são só locais. A Nestlé prometeu cancelar investimentos que faria no Brasil devido à decisão (e o governo se diz "preocupado com o desemprego"). Outra crítica é em relação à morosidade das decisões, neste caso, "apenas" dois anos. Estado intervencionista e morosidade das decisões são sinais de um cenário desfavorável à entrada de recursos produtivos no país. Além disso, mesmo que estudos feitos para balizar as decisões sejam adequados, nem sempre as decisões serão feitas utilizando critérios objetivos. A variável política ganha força e produz resultados diferentes daqueles pregados pelo corpo técnico. Os verdadeiros beneficiários das defesas (a população) não são na prática defendidos.

Concluirei dizendo que o mercado tem menos "externalidades" do que a organização política. O processo político é tão ineficiente que fica difícil acreditar que burocratas têm condição de gerar resultados melhores que o mercado. Parafraseando os cientistas políticos Mitchell e Simmons, "o processo político não apenas promove a ineficiência, mas também tem a tendência de levar adiante os interesses daqueles que estão em melhor situação". Por quê a decisão em relação à fusão da Brahma e Antarctica foi diferente? Como serão as decisões sobre a aliança da AmBev com a belga Interbrew e os casos envolvendo a Brasil Telecom e a Embratel? Difícil saber. Tomara que, pelo menos nesse e nos próximos anos, tenhamos acesso pelos mercados ao símbolo da Páscoa. Poderia ser pior, imaginem se estivesse em discussão a criação de uma empresa estatal de ovos de chocolate!

Ari Francisco de Araujo Junior - professor e pesquisador do Ibmec-MG.

E o capitalismo continua salvando o mundo...

Da insuspeita Wired, eis aí uma reportagem legal de como o ambientalismo pode ser mais do que um fanatismo ludita.

Wired News: Using Capitalism to Clean the Sky
2+2=3 (use teoria dos conjuntos para ver que isto está correto)

Se você quer um bom livro intermediário de cálculo (só para limites, derivadas, integral, estas bobagens), eis um bom: Cálculo dos autores Hoffmann & Bradley. Claro, para equações diferenciais, o clássico ainda é Equações Diferenciais Elementares e Problemas de Valores de Contorno de Boyce & Diprima.

O que eu nunca acho, pelo menos conforme minhas preferências, é um livro de matemática discreta com equações em diferenças. Meu irmão e seu batalhão de amigos "computeiros" certamente podem me ajudar nisto.

Sobre o título? Ah...é fácil. Põe um diagrama de Venn no papel e veja que dá. :D

terça-feira, abril 06, 2004

Por que você deveria comprar este livro

Quer saber? Então vá até a página do autor, um velho conhecido meu de discussões sobre "Public Choice". Em breve, meus comentários sobre o livro.

Understanding Democracy
Preço de reserva : um exemplo prático

A noticia abaixo ilustra bem a ideía de preço de reserva. Se consumidor, é o preço máximo que está disposto a pagar. Se produtor, é o preço mínimo que está disposto a vender. No caso, não teve mercado, pois o preço de reserva do consumidor não foi compatível com o preço de reserva do produtor.

Motorista é preso tentando subornar policiais com R$ 20 em BH
http://www.uai.com.br/uai/noticias/agora/local/99487.html

Um motorista de caminhão foi preso na manhã desta terça-feira, em Belo Horizonte, tentando subornar policiais com R$ 20. (...) Ele foi parado por uma viatura da Polícia Rodoviária Federal (...) porque estava falando ao celular enquanto dirigia. O motorista ofereceu R$ 20 aos policias para que não fosse multado. (O motorista) foi preso em flagrante e levado para a 16ª Delegacia de Polícia Civil, onde foi indiciado por suborno.
Crescer para depois distribuir. Mas depois quando ?

O artigo abaixo saiu hoje em um jornal mineiro. Para quem não o conhece, é algo como o Globo no Rio ou o Zero Hora em Porto Alegre.

Estado de Minas
Belo Horizonte, terça, 06 de Abril de 2004, P. 8
http://www.uai.com.br/emonline/estaminas/cadernos/opiniao/40937.html

RIQUEZA CONCENTRADA
Gílson Geraldino Silva Jr
Professor do Departamento de Economia do Ibmec-MG

O Brasil relembra, mas não necessariamente comemora, os 40 anos do golpe de 1964. Motivados pela incerteza institucional gerada entre 1961 e 1964, os militares tomaram o poder com o intuito de garantir um mínimo de ordem para que algum progresso pudesse ser gerado. Eles assumiram com o objetivo de reduzir a inflação de forma gradual. A meta foi atingida. Em 1967, a inflação estava na casa dos 20% ao ano, contra os 80% anuais em 1963. Além da estabilização, esta primeira intervenção dos militares modificou substancialmente as instituições econômicas. Entre elas, está a criação do Banco Central e uma reforma tributária.

O passo seguinte foi na direção da industrialização. Vieram os planos nacionais de desenvolvimento. As taxas de investimento e de crescimento foram recordes. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu à média anual de 11% entre 1968-73. A estabilidade internacional e a abundância de capitais ajudaram a financiar os projetos dos militares. Porém, em 1973, veio o primeiro choque do petróleo. O cenário internacional mudou substancialmente. O debate entre os formuladores da política econômica da época era: reduzir o ritmo de crescimento e aguardar para ter mais evidência se o choque adverso seria transitório ou permanente, ou aprofundar a industrialização. Acelerou-se a industrialização, a despeito do financiamento externo mais oneroso. Em 1979, veio o segundo choque do petróleo. Os EUA aumentaram as taxas de juros para reduzir os efeitos do combustível mais caro sobre a inflação americana, com reflexos para toda a América Latina. A moratória mexicana, em 1982, restringiria ainda mais o acesso brasileiro ao mercado financeiro internacional.

Restou pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI). O governo privilegiou o equilíbrio externo em detrimento do interno. O País entrou na década de 80 com recessão e inflação elevadas – exatamente o oposto das prioridades estabelecidas em 64. A distribuição de renda piorou. Os militares avançaram na industrialização, mas a inflação ficaria descontrolada no governo Figueiredo. Chegaria a cerca de 200% ao ano no início dos anos 80, taxa modesta ante os 2.000% ao ano nos governos Sarney e Collor.

Inflação tão alta e por tanto tempo foi um mecanismo perverso de distribuição de riqueza daqueles que não têm acesso ao sistema financeiro para aqueles que têm. No governo FHC, alguma medida mais efetiva seria tomada para reduzir a inflação e implementar políticas de redução da desigualdade socioeconômica. Ironia do destino, o governo Lula está impondo ao País uma recessão de grande proporção, uma vez que a volta da inflação alta seria intolerável. Temos os piores indicadores de distribuição de renda e violência do mundo, o que sugere que não dá para aguardar muito mais para reduzir a desigualdade socioeconômica nem deixar de crescer.
Provisão comunitária de bens públicos para garantir bens privados

Da coluna do Ancelmo Góis no O Globo:

"Mcfeliz

Veja como o comércio em algumas favelas do Rio é mais seguro do que no asfalto.

O quiosque do McDonald’s, aberto em 1999, na Rocinha, já foi assaltado. Levaram R$ 40.

Quando a comunidade soube, foi atrás dos ladrões e, acredite, fez com que devolvessem cada centavo. Tudo para garantir que a lanchonete continue lá. "

Enquanto isto, na sala de justiça...digo...em Kashmir...

Nem tudo é notícia ruim no mundo. Veja, por exemplo, esta.

segunda-feira, abril 05, 2004

Enquanto os brasileirinhos ficam amuadinhos...

...as pesquisas no resto do mundo avançam. Não, é sério! Aqui o povo tem "vergonhinha" de discutir certos tópicos. Isto está acabando com o natural avanço do tempo sob contato crescente com pesquisadores do resto do mundo. Bom! Muito bom! Mas ainda há quem tenha medo de mandar artigos para jornal(ecos) e jornais ou mesmo para revistas científicas sobre este tema.

Tá, desabafei um pouco. Mas que é verdade, é (ainda mais que médicos não gostam de ter de dialogar com mortais comuns que não entendem o "mediquês" deles, he he he).
Salvam-se alguns (poucos) alunos?

Se você, leitor, passou por este blog nestes últimos dias, viu um post do Gilson sobre suicídio. Ocorre que tenho um aluno que é praticamente tarado por este assunto. Chama-se Rafael. Mandei a ele o link do post e sugeri que ele fizesse comentários.

Normalmente, isso não rende muito. Mas, para alguns, pensar não é algo tão caro assim. Então sempre há um ou outro post de um ou outro aluno meu. Mas o Rafael me enviou um arquivo, no final do dia, com umas 6 (seis) páginas, uma introdução, uns quatro ou cinco gráficos, tabelas e normatização muito próxima da exigida pela ABNT.

Pois é. E ele está se recuperando nas notas. Trata-se de um caso de convergência? Círculo virtuoso? Ou Rafael descobriu que fazer monografia (ele ainda está no sexto período) sobre algo que se gosta é ótimo porque você mesmo tem interesse em estudar profundamente o tema? Ou.....tudo isto junto? Sinceramente? Não sei. Mas estou achando isto ótimo.
Doação privada e pública

Hoje recebi, das mãos do meu chefe, o Ernani, dois envelopes. Em um deles, simples, havia um pequeno cd-rom (minidisc) que recebi pela biblioteca (embora a bibliotecária não tenha se lembrado da história) seguindo a dica (do ano passado?) do (altruísta) Leo, aqui do blog. No outro pacote, mais bem cuidado, dois livros do diplomata Meira Penna, um companheiro de debates no IL (embora ele seja do IL de Brasília).

Bem, o minidisc veio rachado, infelizmente. Os livros de Meira Penna não se destinavam à biblioteca, mas eram um presente do gentil autor para mim. Um deles, O Dinossauro foi, inclusive, o primeiro livro dele que eu li na minha vida. O outro, embora de outro autor, era um que eu ainda estava por comprar. Meira Penna me ajudou nesta!

O "Dinossauro" é um bom livro, não só porque seu autor viveu (e sofreu, como dizia Janer Cristaldo ao se referir a São Paulo em suas colunas - "o autor vive e sofre em São Paulo") como um diplomata e, portanto, esteve mais perto das falhas da burocracia, como também é gostoso de ler.

Leitores mais antigos sabem que, há pouco tempo, coloquei aqui uma resenha sobre o último livro de Meira Penna, "Da Moral em Economia" o qual não me agradou tanto quanto o bom e velho "O Dinossauro". Enfim, o que importa é que Meira Penna não se rende ao debate.

Resumindo: (i) doação privada à biblioteca feita por mim hoje (e Meira Penna deve estar feliz com isto), (ii) doação pública infelizmente não concretizada por problemas de acondicionamento do material e (iii) ganhei um livro que queria ler há algum tempo.

Para mim, o saldo ainda foi positivo. VALEU, SR. MEIRA PENNA!
Começou a temporada de caça aos copiadores de textos na web

Detetives digitais começam a vasculhar a internet em busca de plagiadores de textos

Três observações :
1) a vida dos alunos preguiçosos fica mais difícil,
2) o preço do neurônio ativo e conectado tende a aumentar,
3) a desconfiança quanto a autenticidade das informações tende a diminuir.
Brazil, Chile and Colombia are more flexible than Mexico and Venezuela?


Segundo Caballero e outros, Brazil, Chile e Colombia realmente são. Leia porque neste paper interessante!


Microeconomic Flexibility in Latin America

Abstract:
We characterize the degree of microeconomic inflexibility in several Latin American economies and find that Brazil, Chile and Colombia are more flexible than Mexico and Venezuela. The difference in flexibility among these economies is mainly explained by the behavior of large establishments, which adjust more promptly in the more flexible economies, especially when accumulated shocks are substantial. We also study the path of flexibility in Chile and show that it declined in the aftermath of the Asian crisis. This decline can account for a substantial fraction of the large decline in TFP-growth in Chile since 1997 (from 3.1 percent per year for the preceding decade, to about 0.3 percent after that). Moreover, if it were to persist, it could permanently shave off almost half of a percent from Chile's structural rate of growth.
Poupança e obsedidade

Nos cursos de economia, chamamos a atenção para a relação entre poupança e investimento, e seus efeitos sobre a taxa de juros. Neste estudo do John Komlos, ele identifica uma relação entre poupar e engordar !
Impatience Makes Americans Fat

Questão de segurança nacional....de novo?

Alguns momentos complicados:

1. O presidente do Brasil diz, numa reunião, que o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares é injusto.

2. O governo do Brasil assume a posição de que apenas órgãos da mega-burocracia global (ONU, Haia, AIEA, etc) têm o direito de decidir se fulano ou beltrano burlaram as leis internacionais (pense no caso de Saddam).

3. Quando a AIEA anuncia vem ao Brasil e quer nos fiscalizar, o governo coloca barreiras à inspeção.

Dá para ver que 1, 2 e 3 não são compatíveis. Claro que há uma tecnologia nuclear sendo escondida aí. Se a inspeção é feita por quem sabe mais do que a gente, não há problemas em se a revelar porque não será roubada. Por outro lado, se o objetivo é esconder seu estágio de desenvolvimento, então há, sim, razão nos que se recusam à submissão a inspeções da mega-burocracia global.

Mas, é verdade, tem-se um problema aqui. Afinal, não é difícil saber que alguns dos nossos especialistas em Defesa acham que, por exemplo, mesmo com nosso papel limitado no cenário mundial, submarinos que empregam sistemas de propulsão nuclear são interessantes. O custo-benefício disto? Bem, isto fica para você refletir.

"O Brasil não está escondendo absolutamente nada. O Brasil está se submetendo a toda a fiscalização, toda a inspeção", disse ele à BBC Brasil.

Mas o ministro admitiu que o governo brasileiro não quer retirar uma "tela de proteção" das centrífugas de processamento de urânio na planta de Resende durante a inspeção para não revelar a tecnologia desenvolvida por técnicos brasileiros, depois de pesquisa que "custou quase US$ 1 bilhão (cerca de R$ 2,89 bilhões) ao Tesouro Nacional".

domingo, abril 04, 2004

Lembram do Tax Freedom day?

Pois o Davi reviu as estimativas para 2003. Grande sujeito este! Aqui vai a mensagem dele:

Peço desculpas pela demora da resposta, é que domingo é dia de relaxar um pouco.

Realizei o cálculo e realmente havia errado no anterior, a carga tributária estava correta, mas no PIB havia simplesmente esquecido de levar em consideração a inflação do ano de 2003 (economista fraco este, esqueceu algo banal).

O valor é 131,8 dias para o governo, somente no 132,8 você começa a trabalhar para você.

Um grande abraço.


Pois é. Obrigado Davi.
Órgãos para transplante

David Heinrich tem bons pontos sobre o mercado ilegal de órgãos.
O famoso "complexo industrial militar" ou "Por que Kim é mais perigoso que Bush"

Ok, aqui venho eu novamente com dados. Os campeões em gastos militares em percentagem do PIB (fonte: CIA - The World Factbook -- Rank Order - Military expenditures - percent of GDP)

Rank Country Military expenditures - percent of GDP(%)
1 Korea, North 33.9
2 Mali 15
3 Saudi Arabia 13
4 Ethiopia 12.6
5 Oman 12.2
6 Eritrea 12
7 Qatar 10
8 Israel 8.75
9 Jordan 8.6
10 Maldives 8.6

Pegue estes países, leitor, e correlacione com o índice de liberdade econômica (por exemplo, o do Fraser Institute) ou com o IDH da ONU. Depois pense um pouco. Terrível, não?

Observe que gastos militares não são sinônimos de gastos de defesa. Mas são um bom indicador da presença do Estado na economia. Uma presença marcante, pois armada e uniformizada.
O Globo atende as preces de Claudio e Gilson

Mais uma daquelas coincidências...

Petróleo & Gás

Vem, inclusive, com estatísticas...
Aí eu pergunto: por que não proibem o porte de arma dos caras que mais matam?

Não deixa de ser doentio a falta de debates sobre o tema. Você proíbe o porte de armas legais por civis, deixa bandidos com suas armas ilegais e ainda ficamos sabendo que a PM paulista é a que mais mata.

Realmente, há algo errado na proposta de proibição do porte de armas. Proposta, aliás, já aprovada.

Número de civis mortos pela PM é o maior em 12 anos, revela levantamento - Leonardo Fuhrmann e Luísa Alcalde - Diário de S.Paulo
O espetáculo da incompetência

Acho que o primeiro a mencionar este livro aqui foi o Leo. Adiciono os comentarios do Elio Gaspari. Vou acabar comprando esta referência. Quem sabe a gente não marca um debate on line sobre crescimento e desenvolvimento ?

http://www.uai.com.br/emonline/estaminas/cadernos/politica/40724.html

Há um livraço na praça. Chama-se O espetáculo do crescimento, de William Easterly, um veterano economista do Banco Mundial. É um pesticida que ajuda a proteger as economias dos países subdesenvolvidos da praga das ekipekonômicas.

Easterly demonstra que nos últimos 50 anos os sábios europeus e americanos inventaram cinco teorias econômicas sucessivas para produzir progresso. Produziram atraso e ruína. Lista as seguintes teorias:

1) O aumento dos investimentos traz progresso. Dentre 138 países estudados entre 1965 e 1995, isso aconteceu em três (Israel, Libéria, Tunísia).

2) O aumento da escolaridade traz progresso. Easterly sustenta que o progresso melhora a educação, mas a recíproca não é verdadeira. Sem crescimento, engenheiros viram taxistas.

3) Com menos capitais haveria mais renda, portanto o negócio era controlar a natalidade. A Argentina está no ralo com taxas de fertilidade baixas, e Botsuana vai bem com taxas altas.

4) A nova mágica foi o “ajuste com crescimento”, lançada depois da crise de 1982. Salvo na Ásia e em exceções, como Gana, crescimento não houve.

5) Tentou-se o perdão da dívida dos miseráveis e produziu-se a seguinte gracinha: entre 1989 e 1997, perdoaram-se US$ 33 bilhões de 41 países. Em 2001 eles deviam US$ 44 bilhões.

Easterly é um daqueles intelectuais que melhoram a cabeça de quem não pensa como ele
A bobagem da xenofobia

Esta é muito boa: alguns políticos norte-americanos dizem que os EUA estão perdendo empregos para o resto do mundo. Ok, isso é discurso de qualquer político (lembre-se de 2002...). Mas aí alguns caras tentam lucrar vendendo produtos "made in America" (por isso gosto de empresários). Contudo, ninguém sabe ao certo o que é "made in America" nestes dias.

A xenofobia tem pernas curtas...

Wired News: Bad Times for U.S. Goods Sites