sábado, maio 03, 2003

Outra sugestão


Contribuintes e Cidadãos: compreendendo o orçamento federal

Se você quer ver como a Economia Política do Governo funciona, na prática, no Brasil, deve consultar este livro. Leia junto com estes dois:

Sugestão de Livro

Saiu pela Editora Saraiva, o livro Técnicas de Pesquisa em Economia: transformando curiosidade em conhecimento. O livro é bem interessante: além de ensinar o caminho das pedras para quem se inicia em pesquisa, tem outras coisas bem úteis como 100 fórmulas matemáticas importantes, ou 100 economistas relevantes. Mas o melhor é que organizador é o Prof. Duílio A. Berni (PUC-RS). Ele é uma dos economistas que eu mais admiro e nos (infelizmente raros) papos que temos, suas frases ficam reverberando na minha cabeça por muito tempo. Uns capítulos são escritos pelo Prof. João R. Sanson (UFSC), meu ex mestre de Microeconomia e um exemplo de dedicação e seriedade acadêmica. Juntando essa turma, o resultado não poderia deixar de ser ótimo!!!

quinta-feira, maio 01, 2003

Pergunta para você

Yahoo! News - Powell says Alaska-style oil revenue sharing could work in Iraq

Eis aí um bom ponto para se debater. Como funciona este esquema do Alaska? Bem, segundo a própria notícia:

In oil-rich Alaska, a portion of the revenue from the sale of oil is placed into a so-called "permanent fund" -- an account from which money is then distributed equally among the state's residents.

In 2002, the permanent fund dividend for Alaskans was just over 1,500 dollars, according to the state government's website.


Veja bem, leitor. Muitas vezes ouvimos dizer que uma redistribuição de renda é bom para o país mas, ao mesmo tempo, ouvimos que a concentração do capital nas mãos de poucos é prejudicial para a sociedade (embora quase nunca o defensor deste ponto diga o porquê).

É mais do que correto que a produção de petróleo não pode, realmente ser feita de outra forma que não por poucas e grandes empresas. Creio que com a tecnologia atual, você tem de ter escala para produzir petróleo. Logo, sinto muito, mas o capital tem de ser concentrado mesmo.

Agora, a divisão dos lucros entre as pessoas de um Estado parece uma idéiainteressante se você quer melhorar a distribuição de renda por algum tempo. Contudo, há alguns problemas:

1. Este esquema poderia ser adotado apenas no caso em que a produção de petróleo é estatal. Creio que é o caso do Iraque.

2. Por que não privatizar as empresas ao invés de se adotar este esquema? Ou, alternativamente,

3. Por que não privatizar e deixar que cada empresa decida como redistribuir os recursos? Pode-se pensar em algum tipo de obrigatoriedade genérica, mas com as particularidades decididas pelos acionistas das empresas. Ops, claro...

4. Você poderia adotar um imposto de renda negativo e incentivar as pessoas a comprar ações das empresas petrolíferas. Talvez esta fosse a solução menos intrusiva na liberdade das pessoas e a mais interessante para o Iraque.

O que você acha?


quarta-feira, abril 30, 2003

Linda!

Cheguei cedo hoje no IBMEC. Fui dar uma lida nas notícias e ver um artigo do Best of the Web (link ao lado) quando me deparei com esta imagem:



Tenho de confessar: passei 5 (cinco) minutos falando sozinho na sala: "Linda! Linda! Cafeteira linda!"

O chato é que eles não vendem, apenas alugam. E, claro, não tem no Brasil...:-(
Humor histórico

Enquanto uns estudantes políticos profissionais tentavam tirar o emprego de empresários franqueados e assalariados brasileiros, atacando McDonald's, eu, o Bush, o pessoal da BBC e outros estudantes menos hipócritas (quero ver quem não vai assistir Matrix Reloaded, em protesto, heim? Heim?) nos divertíamos com Sahaf.

Sahaf, ou comical Ali, virou meu ídolo. A cada declaração bombástica (devidamente registradas aqui), eu rolava de rir (quase literalmente) no chão. Cheguei a pensar em gravar todas as declarações mentirosas dele sobre o andamento da guerra para vender depois.

O fato, interessante, é que a BBC acaba de noticiar que um dos maiores mentirosos do século XXI está tentando se render aos americanos pois teme por sua vida (ué...não eram os americanos os vilões? Acho que temos de invadir lojas de tecidos na rua dos Caetés, em Belo Horizonte, he he he...brincadeira...).

Agora, os americanos não aceitarem sua rendição porque ele não está no baralho oficial de cartas dos maiores procurados pelos EUA não.tem.preço...

Tem nada a ver com Economia...mas é divertido. :-)

terça-feira, abril 29, 2003

Leituras

Comprei para ler antes de dormir, mas vou acabar lendo para aprender mais nas minhas pesquisas...



O autor, Richard Pipes, tem uns três livros em português. É um especialista em história da Rússia-URSS e, como sempre, pouco conhecido de muitos colegas economistas.

Mas vale realmente a pena.
Polêmicas

Depois da ridícula manifestação da (sic) economista Maria da Conceição Tavares - perdoe-me o leitor, mas é muito cansativo ouvir as bravatas autoritárias desta senhora sem ficar insultado por mais de 2 segundos - a resposta simples e precisa do Gustavo Franco.

A matemática é apenas um idioma, mas é certo que multiplica a inteligência humana. Graças a ela, observa o historiador britânico Eric Hobsbawn, foi extraordinário o desenvolvimento científico no século XX e mais, ele observa, a matemática assinalou o divórcio entre a Ciência e o Senso Comum. Ou seja, muitas leis da Natureza apenas puderam ser “vistas” ou “descobertas” quando o mundo pode ser descrito em equações, ou no idioma das letras gregas.

Se você não sabe do que estou falando, bem, há alguns dias atrás, a tal senhora andou insultando um cara que está no governo, o economista Marcos Lisboa. Quem é Marcos Lisboa? Bem, a resposta está aqui. Ah, claro, esqueci de dizer que, ao contrário da douta senhora, Marcos Lisboa não é só professor de Economia. Ele também faturou o Prêmio BNDES há alguns anos com sua dissertação de mestrado. Qual era a motivação?

Bem, Marcos Lisboa queria entender algumas das teorias que povoam o discurso (pelo menos) de gente séria e da folclórica professora. No meio do caminho, descobriu que tinha de usar matemática mais profunda para entender melhor os modelos e, no final, viu que os mesmos não eram lá aquilo que ele esperava.

Além disso, Marcos Lisboa escreveu dois bons textos chamados "A Miséria da Crítica Heterodoxa (I e II)" no qual dá uma resposta de muito bom nível às críticas vindas dos chamados "heterodoxos".

Por que ela brigou com ele? Porque, por algum motivo, a dita cuja não sabe como usar matemática em economia. Pelo menos é o que se percebe de suas declarações bombásticas e de suas publicações ao longo destes anos todos. Antes que o leitor me chame de radical ou se pergunte sobre o fato de eu estar sendo irônico quanto à profissão da senhora MCT, é bom um pouco de memória. No capítulo 3 ("O Reino Mágico do Choque Heterodoxo") de um livro sobre o Plano Collor, Fernando de Holanda Barbosa, Antônio Salazar P. Brandão e Clóvis de Faro, na época, professores da EPGE-FGV, escreveram na nota de rodapé número um:

Maria da Conceição Tavares, em entrevista ao jornal Gazeta Mercantil, em 14 de setembro de 1985, traçou o seguinte perfil do novo Ministro da Fazenda: "Funaro não é dado a idéias, a teorias. É um empresário, um homem sério e que tem bom senso. E é disso que precisamos.

Ou seja, a culpa não é do Marcos Lisboa. E nem a agressora curtia muito Teoria Econômica (aparentemente "não-séria" e de "mau senso"...) em 1985. Logo, na verdade, estou apenas seguindo a sugestão dela ao colocar o "(sic)" ou usar outros adjetivos para qualificá-la.


Ao leitor mais acostumado com a boa educação deste webmaster, minhas desculpas. É que crítica arrogante e pessoal me ofende tanto quanto aos ofendidos. Nunca vi o prof. Marcos Lisboa e nunca conversei com ele. Agora, "carteiraço" e bravatas podem fazer bem a alguns. Comigo não funcionam.

domingo, abril 27, 2003

Vale a pena ler de novo

Deu na coluna do Piza, no "O Estado de São Paulo":

Mais duas reedições a festejar. História Geral da Civilização Brasileira, dirigida por Sérgio Buarque de Holanda (Bertrand Brasil), é a melhor coleção disponível sobre o tema. E os livros de J.D. Salinger (Editora do Autor), principalmente Nove Estórias, havia muito esgotado, são leitura indispensável para quem gosta de ótima ficção.

O Salinger eu não sei, mas o História Geral ainda é um clássico para quem gosta de História Econômica do Brasil. Na minha opinião, melhor do que muito livro que circula na praça...


O espaço....a fronteira final



Mais uma sobre os investidores privados e Marte aqui.

Como diria o sr. Spock: fascinante.
Iraque, Gaspari e o domingo pós-queda do Velox

Este cara do link aí ao lado (www.economicprincipals.com) não atualiza imediatamente sua página, mas a versão e-mail que ele me mandou da última "carta" dele está ótima. Cheia de autores bons (Kornai, Roland, Murrell) e, para quem gosta de comunista (he he he), Stiglitz.

Recomendo a leitura para quem gosta de pensar em reformas de países e instituições.

Ah...e, antes que o Leo fale algo, a coluna do Gaspari hoje tá interessante. Ele conseguiu até falar de Economia e citar alguns nomes. Não me levem a mal, Gaspari é ótimo para criticar governos, mas tenho minhas dúvidas quanto ao que ele entende de Economia. E isso não tira seu mérito. Deve ser lido sim.

De qualquer forma, pode ser interessante ler a coluna dele no O Globo hoje.