sábado, março 22, 2003

Preferências

Você é destes alunos que querem ver preferências mudando e agentes errando? Bem, então seus problemas a.c.a.b.a.r.a.m. Basta você ler este artigo aqui e, claro, entendê-lo. Depois a gente conversa mais.

A dica é: dissonância cognitiva. A outra dica é o prêmio nobel de 2001 (se não me falha a memória): George Akerlof.

quinta-feira, março 20, 2003

A Economia Política do Controle da Imprensa

Um dos mais brilhantes economistas das novas gerações é Andrei Shleifer. Se você quer saber a influência do origem do sistema legal no desenvolvimento econômico, tem de ler Shleifer. Se você quer saber sobre que instituição gera mais crescimento econômico: a democrática ou a autoritária, também tem de passar por ele.

Sempre que houve alguma discussão importante nos últimos anos, lá esteve Shleifer.

Bem, Shleifer tem um artigo interessante, com alguns co-autores, chamado "Quem são os donos da mídia?". O artigo é legal porque um dos pilares para o desenvolvimento econômico de um país é a liberdade econômica e política. E, esta última, tem sempre uma associação forte com a liberdade de imprensa. Logo, é interessante se estudar este setor.

No Brasil, infelizmente, nada há sobre o assunto. Existe um complicador, em geral, na América Latina, que é a dependência dos jornais com relação ao governo. Esta relação é maior quanto maior o tamanho das chamadas "verbas publicitárias" ou "matérias oficiais pagas".

O último número do portal Primeira Leitura chama a atenção para o fato de que este novo governo estaria tentando, como sempre, controlar a imprensa, evitando que a mesma o critique.

Esta é uma pergunta que alunos de Economia ainda não tentaram responder. Mesmo Shleifer não parece tratar do tema e, creio eu, exatamente por causa da especificidade do problema. Posso estar enganado, mas acho que isso é por causa do problema que o autor teria em coletar este dado para uma ampla amostra de países como normalmente faz em seus estudos.

A hipótese a ser testada é algo que demanda um monótono, porém gratificante levantamento de dados por parte do aluno interessado. Basicamente, teriam de ser levantados indicadores de "viés governista" em jornais, diariamente. Isto pode ser feito usando a mesma metodologia do pessoal do Lying in Ponds.

Eu, adicionalmente, criaria uma variável para medir a presença de matérias pagas pelo governo já que, provavelmente, o aluno não terá acesso ao dado, claramente, no balanço da empresa jornalística.

Uma vez de posse de uma base de dados razoável, entra em ação a criatividade do aluno. A pergunta principal é simples: "quem controla a mídia?" Tem-se algumas hipóteses:

a) Olson-Shleifer : a mídia é controlada por grupos de interesses distintos, logo, devo observar grande variância no indicador de viés (chutando alto: este indicador seria um ruído branco);

b) Olavo de Carvalho/Observatório da Imprensa: ambos, em pólos opostos do espectro político, acusam a imprensa de ter um forte viés apenas para um lado.

A diferença é que (b) supõe um alto grau de influência ideológica, enquanto (a) supõe que o que importa são os interesses, sendo a ideologia algo meramente falso. Há algo a se elaborar teoricamente aqui...dá uma boa dose de leitura para o aluno interessado em como incorporar ideologia em modelos econômicos o que, aliás, não é fácil mas também não é impossível.

Será que alguém quer fazer uma monografia assim? Bem, o blog é público. Se você adotar esta idéia, lembre-se de me comunicar e citar o blog em seu trabalho. O pessoal deste blog - que é um bem público - agradece.
A modest proposal - blog também é cultura

Há muito tempo, Jonathan Swift, autor do tal "Viagens de Gulliver", publicou um panfleto satírico tão sutil que vários acharam que era verdadeiro. O nome do panfleto é A modest proposal e clama por uma solução "científica" para o fim da fome entre os pobres da Irlanda da época.

Bem, Swift era um católico fervoroso e também um antipático à ciência e ao pensamento racionalista trazido pela mesma. Para sua época, até que ele foi um atuante polemista.

Em tempos de "Fome Zero", esta é uma leitura bem engraçada que, se não mata a fome por comida, vai despertar boas gargalhadas nos leitores(as) deste blog.

O texto saiu em português, numa coletânea da Topbooks chamada "Panfletos Satíricos". Se você quiser uma boa leitura, dê uma checada.

quarta-feira, março 19, 2003

História Econômica levada a sério

Aí vai a resenha de um livro que parece ser interessante. Quem quiser me dar o mesmo como presente de "aniversário temporão" é bem-vindo.

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Published by EH.NET (March 2003)

John Hatcher and Mark Bailey, Modelling the Middle Ages: The History and Theory of England's Economic Development. Oxford: Oxford University Press, 2001. xiii + 254 pp. $49.95 (cloth), ISBN: 0-19-924411-1; $19.95 (paperback), ISBN: 0-19-924412-X.

Reviewed for EH.NET by Gary Richardson, Department of Economics, University of California, Irvine. garyr@uci.edu>


_Modelling the Middle Ages_, by John Hatcher and Mark Bailey, provides a cogent and comprehensive survey of the history and economics of late medieval England and an invaluable survey of the history of thought concerning those topics. Scholars interested in these issues should read this book. It will be especially valuable for graduate and undergraduate economic history courses, where I expect it to be widely adopted, and for researchers, like myself, with an interest in medieval England but who had to learn the material on their own, because they studied at institutions that lacked leading (or any) scholars in the field. I base my strong recommendation on three features of the text:

First, the book is insightful. It demystifies the beliefs underlying the arguments of most economic historians -- beliefs derived from intellectual foundations established in the eighteenth and nineteenth centuries by Adam Smith, Thomas Malthus, David Ricardo, Karl Marx, and other eminent scholars. It explains how and why the work of those intellectual forefathers generated three grand explanatory models, "population and resources," "class power and property relations," and "commercialization," and how those models influenced debates among historians and social scientists concerning the causes and consequences of economic development during the Middle Ages.

Second, the book is useful, in the most practical sense of the term. It summarizes two hundred years of scholarly literature in a few hundred pages while building a framework, a lexicon, and a syntax that will allow scholars to compare and contrast their ideas more precisely than they currently can. It will have wide applications in other fields, such as global history, particularly global history, where similar models form the foundation of similar debates.

Third, the book is clear, lucid, and accurate. In some cases, the book explains author's ideas better than the original expositors did themselves. The clarity of the prose and the organization of the argument assure the material will be accessible to students at all levels.

The foreword and introduction establish the motives of the authors and sketch an outline of their argument. The authors hope to fulfill a "pressing need of undergraduate students studying the medieval economy for an introduction to the theory and practice behind the grand models of development which dominate the subject (p. vii)." As I mentioned earlier, they more than accomplish that goal. The authors also hope to contribute to the ongoing scholarly debates concerning the economic development of medieval England. They plan to compare and contrast the intellectual and empirical content of the methods and models used to study medieval English economic history and in doing so shed light on the advantages and disadvantages of each method as well as advance our knowledge of the Middle Ages. They also accomplish this goal, as my description of the remainder of the book, and hopefully your reading of the text, should demonstrate.

Chapter 1, Methods and Models, explains "why the medieval period has proved so attractive to the builders of historical models, and theorizing so attractive to medieval historians (p. 3)." The Middle Ages lasted for more than five centuries. During that long era, transformations occurred in almost every area of economic and social life. Merely describing these changes is a challenging task. "Historians cannot hope to describe, analyze, and explain them by gathering and narrating factual information alone (p. 4)." They must choose to present certain facts and materials but not others. Their emphasize depends upon their point of view, their prior beliefs, and the point which they wish to make. Theory and speculation are therefore indispensable ingredients of any grand survey. They impose a degree of coherence and clarity and force scholars to fit the facts into a manageable working framework. In this way, order can be imposed upon the chaos of vast numbers of pieces of informa! tion and answers formulated to crucial questions. In addition, abstract concepts and formal models help scholars explain why things happened as they did and what might have happened in counterfactual cases. Explaining such things requires more than mere narration. Historical changes lasting several centuries and penetrating all spheres of economic, social, and political activity were the culmination of an infinite number of individual events. No one can describe them all. Comprehending them requires analysis, a systematic approach to the material, the sorting and grading of information, and the weighing of the relative merits of different concepts. Models, in other words, are needed to seek the reasons behind vast historical processes such as the rise and decline of serfdom and feudalism, the rise of the money economy and capitalism, the rise and contraction of economic activity, and the growth of urbanization and industrialization.

Chapter 2, Population and Resources, focuses on the first of the grand supermodels, and the ways in which assumptions influence its results and in which it impinges on historical analysis "in both a helpful and harmful manner." The population and resource model, also known as the demographic or Malthusian model, stems from a core set of simple economic relationships. The productivity of agriculture depends upon the relative scarcity of the two prime factors of production: land and labor. As addition units of one input are employed while the others are held constant, the output generated by each additional unit will eventually fall (diminishing returns). Thus, when land is abundant relative to labor, the productivity of the land will be low. The productivity of labor will be high. Products of the land, like foodstuffs and raw materials such as leather, wool, and wood, will be inexpensive. Wages will be high. When labor is abundant relative to land, the productivity of the lan! d will be high. The productivity of labor will be low. Food and rents will be expensive. Real wages will fall. There is clear potential for applying such basic supply and demand analysis to conditions prevailing in medieval England. "There is abundant evidence to show that over the longer term there was a strong correlation between rising population, on the one hand, and increasing land values and agricultural prices, and falling real wages, and, on the other, between declining population, falling prices and land values, and rising real wages. By this analysis the Middle Ages falls into two sharply contrasting periods; with the broad experience of much of the era up until the fourteenth century conforming to the former set of circumstances, and the later characteristics persisting throughout much of the late fourteenth and fifteenth centuries" (pp. 22-23).

Chapter 3, Class Power and Property Relations, examines the second grand supermodel, which begins with the presumption that the keys to understanding the economic development lie in the social relations and political and legal institutions of society. Of particular importance are the "relations between the leading classes and in developments of what are termed the 'mode of production'" (p. 67). The most popular models of this type are those constructed by Karl Marx and his intellectual descendants. For Marxists, "history is a dialectical process in which the future is shaped by the present, just as the present was shaped by the past, and each distinct era of human development -- ancient, oriental, feudal, capitalist -- generates from within itself the conditions which will ultimately transform it" (pp. 67-8). Marxists focus their attention on a limited range of issues, particularly relations and conflicts among social classes as well as the mode, means, and relations of prod! uction, as the main agents of social and economic change and development. Thus, the dynamic for the transformation of medieval society lay primarily in the relationship between lords and peasants, who were the two principle classes of feudal society. The relationship was inevitably one of conflict, due to the opposing interests of landlord and tenant, and eventually resulted in a 'crisis of feudalism,' whose "onset is usually located in the late thirteenth and early fourteenth centuries" (p. 71). At that time, the increasingly excessive depredations of the landlord class undermined agricultural productivity, plunged the peasantry into poverty, and inspired them to struggle against the exploitative social system.

Chapter 4, Commercialization, Markets, and Technology, focuses on commercial activity and technical progress. The bulk of the space is devoted to the rapidly expanding evidentiary base and to the discussion of ways in which markets and technology could overcome Malthusian, Ricardian, and Marxist constraints on economic development. There are two basic theories. Improvements in agriculture -- such as improving land management, crop rotation, and selective breeding of crops and animals -- raised the productivity of land and labor. Urbanization and commercialization expanded the scope of the market, the division of labor, and the wealth of nations.

Chapter 5, The Importance of Time and Place, explores the weaknesses of the models discussed in the previous chapters from three different perspectives. The first exposes the difficulties that emerge when the models are applied to both the early and later Middle Ages. In each case, assumptions needed to apply and conclusions drawn from the application of a model to the earlier era conflict with those from the later period. The second reviews the wide range of alternative models that have been proposed and which illuminate inadequacies in existing models. The third tests the validity of the assumptions and methods of each of the major supermodels by applying them to a particular test case: the rise and decline of serfdom in medieval England.

Chapter 6, Beyond the Classic Supermodels, stresses the limitations of the models described during the previous chapters. The principal flaws are their neglect of social factors, institutions, historical contingency, and the uncertainties inherent in individual behavior and group dynamics. The chapter ends on a hopeful note, by suggesting ways in which the limitations of these models might be overcome historically, empirically, and theoretically.

Overall, the book does an excellent job of accomplishing its two goals. The first was to provide a clear and accessible introduction to the conceptual frameworks that have dominated this field for many decades. The second was to assess the strengths, weaknesses, relevance, and credibility of the models. The book itself has many strengths and few weaknesses. I think that in the future students interested in this topic will read it.


Gary Richardson is Assistant Professor of Economics at UC-Irvine. His dissertation, "Social Change and Industrial Expansion before the Industrial Revolution" was completed at the UC-Berkeley.

Copyright (c) 2003 by EH.Net. All rights reserved. This work may be copied for non-profit educational uses if proper credit is given to the author and the list. For other permission, please contact the EH.Net Administrator (administrator@eh.net; Telephone: 513-529-2850; Fax: 513-529-3308). Published by EH.Net (March 2003). All EH.Net reviews are archived at http://www.eh.net/BookReview


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terça-feira, março 18, 2003

Quanto a religião realmente importa? (atualizado)

Lembra da eleição para prefeito de São Paulo, na qual Fernando Henrique e Jânio Quadros concorreram? Foi em 1985 e a derrota do primeiro foi atribuída, por muitos, ao fato de ele se declarar ateu. Veja este trecho:

Em 1985, na eleição para a prefeitura de São Paulo, o então candidato Fernando Henrique Cardoso se atrapalhou num debate ao tentar responder se acreditava ou não em Deus. No dia seguinte, foram espalhados pela cidade panfletos contendo uma cruz e a inscrição "Cristão vota em Jânio". Fernando Henrique perdeu para o ex-presidente Jânio Quadros numa eleição apertada, e muitos correligionários atribuíram o fato à resposta dúbia dada no debate.

Mas eu tenho uma curiosidade: quanto de uma eleição para prefeito em uma grande capital - a maior do país - pode ser atribuída à uma declaração como esta?

Deixa eu justificar minha curiosidade neste ponto:

a) É dito por muitos conservadores modernos que o progresso científico e material torna as pessoas atéias. Trocando em miúdos, uma capital como São Paulo deveria dar menos importância para o ateísmo do então candidato do que uma cidadezinha do interior, não? Vamos chamar esta hipótese de hipótese criacionista em homenagem aos caras que não gostam de Darwinismo e realmente acreditam em Adão e Eva.

b) O ateísmo é tão importante assim para uma eleição na maior capital (econômico-financeira) do Brasil? Como se sabe, São Paulo enfrenta outros problemas como desemprego, educação e, claro, segurança pública. Teria Fernando Henrique perdido a eleição pelo fator ateísmo? Ou seria este apenas um tópico marginal na cabeça do eleitor?

Um pouco de matemática política vai bem aqui: normalmente a gente trabalha com um eleitor mediano em teoria política. Mas alguém é mediano em relação a alguma distribuição, certo? Bem, você pode mostrar que o tal eleitor mediano pode dar trabalho para a sua teoria tanto em termos unidimensionais quanto multidimensionais.

Desta forma, quando eu digo que o (e)leitor se preocupa com religião e segurança, estou dizendo que ele se preocupa com duas dimensões. Por indução finita, você infere o resto do meu argumento.

Agora, voltando ao problema. Existe também o lado da oferta de religião. Logo...

c) Existia, já em 1985, uma certa diversidade religiosa em São Paulo (suponho...não tenho os dados aqui). Logo, a firma igreja não era monopolista na oferta de salvação. O fato de ser ateu, provavelmente, ofende todas as igrejas existentes exceto, talvez, aquela composta por ateus (creio que acho estes por diferença do total de crentes..aproximadamente). Teria havido um movimento das igrejas para impedir o voto em FHC? [Lembre-se que em 2002, um dos apelos iniciais da coligação PT-PL era, justamente, aumentar a base de religiosos...um padre, sermões, fiéis...influência...you got the idea, right?]

Dados sobre eleições existem hoje em dia neste país (carente de bases de dados decentes). Também existem pesquisas, censos, nos quais você obtém a distribuição da população por religião.

Agora, pensando não apenas em FHC, mas no resto, alguém já terá estudado isso no Brasil? Digo, alguém terá tentado responder à singela perguntinha: Em quantos pontos percentuais a probabilidade de ser eleito diminui, numa eleição, ceteris paribus, dada uma declaração de opção religiosa? (pensando alto: acho que a resposta será diferente em SP capital e Aparecida do Norte...)

Fica aí minha sugestão. (Se alguém fizer, favor ter a lembrança educada de me agradecer pela inspiração...e à este blog)

Dicas para os iniciantes:

1. A página do prof. Iannacone - A mais famosa autoridade sobre o tema.

2. Sacred Trust: The Medieval Church As an Economic Firm - Um dos melhores livros aplicando a Teoria Econômica (essencialmente, Organização Industrial) ao estudo da atuação econômica da Igreja Medieval

3. Artigos do prof. Robert J. Barro - Estudos econométricos mostram que religião pode influenciar no desenvolvimento econômico? Voltamos ao mundo weberiano? Aguardando novos estudantes....

Bem, é só.
Piadas de economista

Clique aqui.

segunda-feira, março 17, 2003

Give War a chance

O título deste post é uma homenagem ao livro do engraçadíssimo P.J. O'Rourke, autor também do Eat the Rich que deveria ser leitura obrigatória em cursos de Desenvolvimento Econômico com professores bem-humorados (não é o meu caso nas segundas, terças, quartas, quintas ou sextas-feiras..oops..).

Já que Saddam Hussein provavelmente não sairá voluntariamente de seu cargo de presidente, então vale a pena pensarmos um pouco na guerra que ocorrerá. Há algum tempo atrás, neste mesmo blog, coloquei o link para o texto do Nordhaus, sobre os custos da guerra. Bem, vou meio que repetí-lo abaixo juntamente com outros:

Leituras Recomendadas para entender a guerra do ponto-de-vista econômico

1. Stocks at a time of war and peace - Think the outbreak of war is a good time to invest? Think again - Fuja da idéia fácil de que alguns ganham com a guerra porque estão no país invasor. O problema é um pouco mais complicado.

2. How much will war cost? - The tab for invading, occupying and rebuilding Iraq could be hundreds of billions of dollars - Observe que protestar contra a guerra também é protestar, no caso do contribuinte dos EUA, contra o crescimento do governo. Afinal, pense como se fosse o Brasil: você votou para presidente para que ele te cobrisse com novos impostos só porque ele quer ajudar, digamos, Hugo Chávez contra sua oposição em, digamos novamente, uma guerra?

3. The Cold War Economy: Opportunity Costs, Ideology, and the Politics of Crisis - Em um artigo mais antigo, de 1997, Robert Higgs, o autor do interessante "Crisis and Leviathan" (link no próprio artigo) chama a atenção para os riscos do que chama de ratchet effect, i.e., o governo crescem em épocas de crise (e.g. guerra, catástrofes naturais, etc), mas não diminui depois.

4. Finalmente, em "Is 9/11 a Crisis to be followed by a Leviathan?", a tese de Higgs é analisada com os acontecimentos recentes.

É isso aí. Agora, outra discussão - da qual gosto mais - é a da Economia do Conflito e da Violência. Devo rever minha antiga homepage sobre o tema e colocá-la em novo provedor.

Até lá, cuide-se leitor(a).
Uma estranha doença

Na década de 1960 descobriram petróleo e gás na costa da Holanda. O otimismo foi geral e se imaginava um longo período de crescimento. Contudo, conforme cresciam as exportações de petróleo, o que se viu foi: inflação, desemprego e desindutrialização. A revista Economist batizou esse fenômeno de dutch disease (doença holandesa). Desde então os economistas têm estudado o fenômeno e encontrado "pacientes" pelo mundo afora e através da história.
Se você quiser saber mais sobre isso: aí vai o link para um ótimo trabalho de conclusão da PUC-RJ que sintetiza a teoria e apresenta alguns casos de doença holandesa identificados pelo mundo afora.
Será que o boom do café brasileiro no século XIX gerou efeitos perversos sobre outros setores da economia brasileira, como a produção de charque? Bem, agora estou correndo para escrever um trabalho sobre o assunto. Em breve, em um cinema perto de vocês.
Escolhas coletivas, preferências distintas e porque todos os eleitores que gostam da Sabrina votaram para que ela ficasse e, ao mesmo tempo, saísse do programa...

Existem dois meios de se alocar recursos na sociedade. Um deles é o mercado. O outro é o sistema político. Por sistema político, normalmente, entende-se o processo de decisão feito pelos políticos.

Geralmente, este é identificado no chamado "sistema de votação". Como qualquer aluno que já passou pelo livro de Varian, ou pelo problema de bens públicos sabe, a regra da maioria simples pode gerar resultados estranhos, mesmo em universos nos quais a decisão a ser tomada é limitada a três pessoas. Bem, mas eu não quero falar, pela milésima vez, deste assunto.

Vamos pensar em outros fatores que influenciam a votação. Vou exemplificar com um famoso programa de televisão, o Big Brother Brasil. O sistema de votação utilizado neste programa, se não me engano, é um sistema de maioria simples. Agora, quem são os eleitores?

De forma simplificada, são aqueles que gostam do fulano ou não gostam do fulano e, claro, o mesmo para o beltrano. Como estes votos se juntam e decidem o destino de ambos, a gente vê após a eterna enrolação do Pedro Bial.

Bem, lembrando da Sabrina, quase 100% dos homens que conheço achavam ela o máximo. Secretamente (longe das esposas/namoradas/amantes/etc), todos diziam o mesmo: quero ver a Sabrina nas páginas da, digamos, Playboy.

Mas nem todos queriam ver a Sabrina com a mesma pressa. Vale dizer, a taxa de impaciência dos indivíduos mostravam que, embora as preferências fossem as mesmas ("queremos ver Sabrina na Playboy"), alguns tinham mais pressa. Outros, claro, queriam continuar vendo a moça no chuveiro.

No final, Sabrina saiu. Possivelmente a massa de adolescentes dependentes de mesada votou pela continuidade (thanks, Enitz, pela "causo" que gerou esta idéia aqui) e o restante, pela permanência. Esta é a influência da renda.

A outra hipótese, claro, é a da impaciência. Eu diria até que, na prática, ambas se misturam, mas, enfim, o negócio é que ainda não vimos Sabrina na Playboy e eu parei de andar na sala quando tá passando BBB.

Agora, o mais engraçado é que, se minhas hipóteses são razoáveis, todos votaram pelo mesmo motivo...

Links:

Um exemplo sobre a taxa de impaciência (handout) em Teoria dos Jogos

domingo, março 16, 2003

O que é que importa, afinal? ou "A preguiça como herança cultural"

O Leo colocou, outro dia, um post sobre uma ilhota. Pouca gente comentou, mas a questão dele aparece sempre na literatura de desenvolvimento econômico com tempero novo-institucionalista.

Aliás, antes do sucesso do Plano Real, muita gente dizia que o Brasil jamais escaparia do problema inflacionário por causa da nossa cultura. Ok, cultura é importante como Bin Laden nos ensina. Mas existe um certo exagero em muito do que se fala por aí. Para que a cultura seja algo cientificamente relevante, então temos de saber seus limites, ou então ele explicará qualquer coisa.

O que você diria se lesse este trecho: "My impression as to your cheap labour was soon disillusioned when I saw your people at work. No doubt they are lowly paid, but the return is equally so; to see your men at work made me feel that you are a very satisfied easy-going race who reckon time is no object. When I spoke to some managers they informed me that it was impossible to change the habits of national heritage".

Bonito, né? A cultura é tão forte que, para os entrevistados pelo autor do trecho acima, nada pode ser feito para mudar sua influência.

É como ouvir o pessoal dizendo: "não adianta baixar a oferta de moeda, a inflação não cairá"....

Bem, o trecho acima diz respeito ao Japão no início do século XX. Ele está citado em vários textos (eu peguei um deles, claro) e a lição mais importante que ele pode ensinar é que há limites para este papo conformista de que é tudo culpa da cultura.
Desabafo

Você sabe que está num país subdesenvolvido quando...

....você não encontra uma biblioteca aberta no domingo. Ah, que saudades do meu segundo lar em Los Angeles, a YRLibrary...

Note a tabela de horários e vejam o papel da iniciativa individual na pesquisa de um país. Você pode manter a biblioteca aberta a semana inteira, mas se ninguém aparecer....

E, veja, ninguém abre por muito tempo se não houver demanda. Bem, por experiência própria eu digo: há.